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Pensamentos de Uma adolescente 2

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Sinopse

Quando Isabella Collins pensa que sua vida está perfeita, que não há nada com o que se preocupar agora que suas amigas sabem do seu namoro com o gato do Ricardo, e que está tudo certo com sua família, ela percebe o quanto está enganada, ao entrar na faculdade. Quando uma doce e encantadora garota chamada Angel entra na vida dela e dos amigos, tudo vira de cabeça para baixo.

Letícia D.S.

2017

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A despedida
''Querido diário, não sei se tudo que me aconteceu recentemente não passou de um sonho, pois parece que tudo que faço e oque acontece comigo é simplesmente perfeito, dias perfeitos, amigos maravilhosos, família perfeita e um namorado perfeito. Todos os dias que acordo e fico imaginando: será que vou voltar à realidade? Será que tudo ao meu redor vai desabar sobre mim? Depois de tudo que eu passei, aprendi que coisas ruins acontecem com todo mundo e o tempo todo, mas é só você saber lidar com elas do jeito mais correto possível, e depois sorrir como se nada tivesse acontecido. Quando vejo meus amigos, eu posso confirmar que não é apenas um sonho, e sim a minha realidade. Que eu estou vivendo um verdadeiro conto de fadas moderno, onde eu mesma faço meu "Felizes para sempre" a cada dia. Por hoje é só isso. Beijos. Isabella Collins.'' Fechei meu notebook depois de escrever minha última nota de diário como uma simples veterana, e corri para o meu banheiro para tomar meu último banho como uma simples veterana. Eu sabia muito bem que dia era, e sabia também que daqui uns trinta minutos minha mãe ia bater na porta, me chamando para andar mais rápido. Assim que terminei meu banho, foi oque aconteceu. - Isabella, temos que correr! O vôo está marcado para daqui uma hora. - Calma mãe! Já tô saindo. - gritei de volta. Era o meu primeiro dia na faculdade mais disputada por vagas do país. É em outro estado, por isso minha mãe ficava me repetindo por horas e horas: "Tem certeza que colocou tudo na mala Isa?", "Já pegou os documentos?" e "Você já conferiu tudo que precisa para as aulas?". Eu não queria assim. Queria seguir com a minha banda The Amity com as minhas amigas Bianca e Carol. Nós já estávamos fazendo shows importantes, tocando em festas públicas e particulares, e quase conseguindo gravar um CD! Mas a minha mãe (por ser uma advogada muito séria e "preocupada" comigo) se reuniu com as mães das minhas amigas para discutir nosso futuro, oque não resultaria em outra coisa, a não ser em: "você só vai poder seguir com essa banda, quando se formar na faculdade". No começo eu fiquei super triste, fiquei tipo... duas semanas muito chateada. Eu até tentei fazer uma greve de fome (de mentirinha, porque eu armazenei saquinhos de Doritos e refigerantes no meu quarto, para comer no meio da noite), mas isso não afetou nem um pouco a decisão da minha mãe, é claro. Mas depois eu pensei: vou fazer faculdade junto com todos os meus amigos e o mais incrível, com meu namorado! Oque mais uma adolescente poderia querer na vida? O Rick era incrível me ajudava o tempo todo, ele também fazia parte da minha banda, era o meu baterista gato. Nós íamos para a mesma universidade, porém para cursos diferentes, eu preferi Arquitetura e ele, Engenharia Eletrônica. Não era tão r**m quanto parecia ser, eu ainda iria poder vê-lo fora das aulas. - Anda Isa! Você ainda tem que comer alguma coisa antes de ir! - minha mãe gritou novamente. Ela sempre foi assim: apressada e impaciente. Às vezes acho que ela acorda três horas da manhã, toma seu banho e se arruma, porque, fala sério! Ela sempre acorda impecável. - Srta. Valentina, já estou colocando minha roupa. Será que dá para esperar um pouco?! - Quero te ver em dez minutos na mesa de café da manhã. - ela disse, e eu ouvi os tóc tóc dos saltos do scarpin dela batendo no piso no andar de baixo. Aimeudeus! Ela parecia mais aflita que eu. Após colocar a minhas botas pretas de salto, eu parei ao me olhar no espelho de corpo inteiro do meu closet, eu dei um suspiro orgulhoso: Não estava nada m*l. Eu tinha escolhido shorts jeans ligeiramente rasgado de cós alto, minha blusa salmão com um gatinho fofo desenhado na frente, e um blazer azul (só para dar um ar mais responsável ao meu visual). Oque não era grande coisa, mas já dava pro gasto. Acrescentei um gloss lábial sabor morango nos lábios, rímel por favor, apliquei um pouco de blush e joguei minha longa franja "a la Britney Spears" pra trás. Só para constar, eu não era loura como ela, meus cabelos eram mais parecidos com os da Miley Cirus na época da Hanna Montana. Talvez castanhos, seja o certo. Antes de dar adeus ao meu amado quarto, eu fui até meu criado mudo e peguei minha pulseira da amizade prateada com corações brilhantes e um coração de madeira na gaveta. Os brilhantes representavam minhas amigas e o de madeira, com "I & R" gravado, foi o Ricardo que entalhou de uma árvore, quando eu estava no segundo ano. Eu nunca deixava de usar essa pulseira. Depois de respirar fundo na frente do espelho para reunir forças, eu peguei minha bolsa e minha mala pequena comigo. Eu não ia ver meu quarto por pelo menos um ano, onde era meu refúgio... meu lugar sagrado. Perdi as contas de quantas noites de drama eu tinha passado nele. Se segure Isabella, não vai chorar, senão borra a maquiagem. - eu disse isso à mim mesma, enquanto descia os degraus da escadaria para a sala de jantar. De cara, vi toda a minha grande, esquisita, porém maravilhosa família, reunida ao redor da mesa de café da manhã. Todos os olhos se voltaram para mim assim que deixei minha mala, e me sentei com eles para comer alguma coisa. Eu já tratei de preparar a minha abtual tigela de cereal de chocolate com leite. - Bom dia Bella. - meus irmãos, a Sabrina e o Edu disseram em coro. - Bom dia. - eu respondi, no mesmo tom animado. - Olha só como minha filha está linda para o primeiro dia de faculdade. - minha mãe disse, com uma voz chorosa. Ela já estava vestida com seu terninho preto de trabalho e com seu cabelo perfeitamente preso no alto com um coque. Eu me parecia muito com ela, (com exceção na personalidade super responsável e ligada no futuro) eu tenho os mesmos olhos catanhos, boca pequena e bem desenhada, rosto fino e a pele muito clara. - Você está amadurecendo tão rápido minha filha! Acho que ainda não me acostumei com isso. - Já para com esse papo estranho! Tenho apenas dezessete anos, minha vida ainda nem começou. Me passa as torradas por favor? Obrigada. - respirei fundo e olhei para ela. - Mãe, é só a faculdade, não estou me casando. - Mas isso pode ser a próxima coisa, já que você não desgruda daquele Ricardo cara de borracha! - Sabrina interrompeu, fazendo careta. - Ô mãe, olha a Sabrina! - reclamei. - Sabrina. - minha mãe a repreendeu e ela se calou no mesmo instante. - Bom dia minha princesa universitária! Olhei para minha direita e vi a Tati ( uma das pessoas que eu ia sentir mais saudades), trazendo um grande e saboroso bolo de fubá quentinho para a mesa. - Bom dia Tati! Vejo que está faltando uma coisa nesta mesa... - coloquei meu dedo no queixo, para fingir estar pensando. - Seu bolo de chocolate com calda já está na geladeira à sua espera, Srta. Isabella. Eu já vou pegar um pedaço para você querida. - ela sorriu para mim, e depois voltou para a cozinha. - Obrigada, minha fada madrinha! - Ai meu deus! Quanto amor. - minha mãe resmungou, revirando os olhos. - Está com ciúmes senhorita Valentina? - Não! - Está sim! - me inclinei rapidamente da minha cadeira, para dar um beijo em minha mãe. - Eu não estou! - ela insistia. - Está bem - respirei fundo mais uma vez, nunca gostei de ser tão emotiva. - Eu gostaria de dizer antes de eu ir embora... para um lugar estranho, distante, fechado e sem comidas preparadas pela Tati... Minha mãe riu. Mas eu não estava dramatizando, eu ia viver trancada em uma faculdade, sem direitos de visitar a família, ir ao shopping ou ao menos ir à praia. - Vou sentir saudades de todos aqui. Da minha mãe, - segurei a mão da minha mãe e ela me olhou e apertou os lábios. - Do pestinha do Edu... - Hey! - meu irmãozinho mais novo mostrou lingua para mim, enquanto comia um pão de queijo. - E até da mini-gótica-maluquinha, Sabrina. A Sabrina nunca demonstrava sentimentos, mas eu sabia que no fundo ela estava muito triste com a minha partida. - Da Tati... - olhei para minha fada madrinha, que tinha acabado de entrar na sala segurando meu bolo de chocolate. Lá nos fundos, ouvi os latidos da Belinha e do Taylor, minha chihuahua branquinha, e o pastor alemão da casa. - E claro... dos meus lindos, Belinha e Taylor. E eu posso até negar um dia, mas essa é a minha família. E eu não trocaria por nenhuma outra. - apertei os lábios. - Assim eu vou chorar. - Que drama! - Sabrina revirou os olhos, exageradamente maquiados com lápis de olho, e sombra azul vibrante. Terminei meu café da manhã, encerrando com um pedaço do saboroso bolo de chocolate da Tati. Depois de escovar meus dentes novamente, eu fui na sala de estar, para me despedir da família. - Sinto tanto por não poder levar você ao aeroporto minha filha. - minha mãe deu seu oitavo abraço em mim, enquanto limpava as sombras de lágrimas de seus olhos. - Não tem problemas mãe, o Marcelo vai me levar para o aeroporto. Sei que tem muito trabalho à fazer. Mas quer parar de me amassar? Demorei quase uma semana para escolher esse blazer! Minha mãe riu, mas eu estava falando sério. - Tchau, Tati. Me manda um de seus bolos pelo correio. - dei um abraço apertado na Tati, e senti seu cheiro de café e temperos, eu amo ela com todo meu coração desde pequena. - Prometo tentar. - ela ainda estava chorando, mas rapidamente enxugou uma lágrima caída dos olhos. - Aiii, parem já com isso. Era para ser divertido! - eu bati os pés no chão. - Sabrina, Edu, venham me dar um abraço! Vocês não vão me ver durante um ano inteiro, só volto para o natal. Não é como se eu pudesse brigar pelo controle remoto por telefone... Meus irmãos correram e me abraçaram juntos. Notei que a Sabrina estava mais alta, cresceu muito desde o ano passado, e os poucos fios loiros dela também cresceram até os ombros. O Edu era bastante emotivo, puxou minha mãe com certeza. Ele começou à chorar como se alguém tivesse tomado sua p*****a Nerf. - Não chore. Prometo falar com vocês uma vez por mês, por video. - Uma vez por dia! - ele reclamou, enxugando as lágrimas. - Uma vez por semana e não se fala mais nisso! - eu incerrei. - Bem, acho que já vou. Peguei a Belinha do chão e fiz carinho em seu pêlo e em seguida deixei ela ir. - Mãe, repita a minha lista. - Livro de História, Arquitetura moderna, Design interno, documentos... - Não essa lista - eu a interrompi. - A lista mais importante. - Ah! Seu notebook, tablet, câmera fográfica, celular, gloss lábial, pulseira da amizade... - fui dizendo 'ok' enquanto minha mãe falava todos meus itens indispensáveis. - Esmaltes rosa e vermelho, secador, e modelador de cachos, ah! Fala sério Isa?! Você está levando seu quarto inteiro? - E... confere! Tenho tudo aqui. - olhei para o meu relógio no pulso, e vi que eram nove e meia. Um carro buzinou na frente de casa no mesmo instante. Uau... que pontualidade. - Eles chegaram mãe! Peguei meu anel? - olhei para a minha mão, e lá estava meu anel, o que o Rick me deu quando fomos para Buenos Aires. Toda vez que eu olhava para o meu dedo, lembrava de tudo que nós passamos juntos à menos de um ano. Foi muito difícil conseguir ficar junto com ele, tive que abrir mão de muitas coisas. Mas ainda bem que tudo ficou bem no fim. - Tenho que ir. - Filha, se cuide. Use sempre casaco, durma cedo, não devia ter deixado você comer doces tão cedo... - Está tudo bem mãe! Prometo viver! - eu ri, minha mãe me deu mais um beijo na testa e me acompanhou até a frente de casa. Meu coração acelerou. Eu ia vê-lo de novo. Com toda essa correria de faculdade, nós não nos víamos pessoalmente haviam setenta e duas horas. Quando vi ele descendo do carro, usando uma camisa branca de mangas cumpridas, uma calça jeans justa, com botas marrom, do jeito maravilhoso de sempre, com seus cabelos pretos penteados para cima, um pouco bagunçados, e óculos escuros, corri em sua direção e me aconcheguei em seus braços. - Hey! Calma. - ele riu, e segurou a minha mão. - Me tira logo daqui, senão eu desisto de ir. - eu sussurrei em seu ouvido. - Ok. - ele sussurrou de volta, e depois olhou para a minha mãe, que estava parada no portão na minha casa, junto à Tati, o Edu, a Sabrina, e a Belinha. - Bom dia Srta. Collins. - Bom dia Ricardo. - minha mãe coruja sorriu para ele. O Marcelo desceu do carro e imediatamente pegou minhas coisas para colocar no porta-malas. - Olá. - ele acenou para minha família, com um sorriso educado e informal. - Olá Marcelo, como vai? - minha mãe respondeu, com o mesmo sorriso. Ela soube disfarçar o clima estranho entre eles muito bem. Eles estavam saindo juntos no ano passado, e ainda não sei o motivo de terem terminado. Quero dizer... eles terminaram antes que o Rick e eu ''assumíssemos'' nosso namoro, então eu posso dizer que não foi por nossa causa. Mas acho que eles já superaram muito bem, os pais sempre pareciam ter um jeito tão simples de resolver as coisas. - Tudo ótimo! Vamos sentir saudades desses dois, não é mesmo? Só não sei se eles vão sentir o mesmo. - É claro que vamos sentir saudades de vocês. - eu disse, e olhei para o meu sogro, que era a imagem perfeita do Rick, só que em uma versão de uns quarenta e oito anos e sem os cabelos maravilhosos. - Mas temos que ir. Nós vamos encontrar todo mundo no aeroporto antes do vôo. - Está tudo bem. Vamos. - ele entrou no carro novamente, eu e o Rick entramos no banco de trás. E eu abri a janela para observar minha família acenando para mim. Quando já estávamos na esquina de casa, eu apertei uma das mãos do Rick bem forte sem perceber. - Hey. Oque foi meu anjo? - ele disse com uma voz preocupada, enquanto levava a minha mão até os lábios e a beijava suavemente. - Nunca pensei em ficar tanto tempo longe da minha família. Não sei se vou conseguir. - Claro que vai... - ele colocou minha cabeça em seu ombro, e começou a massagear meus cabelos com as pontas do dedo. - Eu vou estar lá para te ajudar. - Sei que é difícil Isabella, - o Marcelo disse, do banco da frente. - Mas saiba que sua mãe está muito orgulhosa de você. - Eu sei. - dei um sorriso, pensando no quanto minha mãe sonhou em me ver na faculdade. Olhei para o Rick. - E a Nati? Como foi se despedir dela? - Ela queria vir, mas meu pai vai do aeroporto direto para o trabalho. E ela tem aulas de balé agora. Mas ela mandou um beijo para você e espera falar com a gente logo. - É uma pena não poder me despedir dela, mas logo vamos nos falar. Tenho certeza disso. Eu e o Rick tivemos que nos virar sozinhos no aeroporto. Carregamos nossas malas até o ponto de encontro, depois de passar pelos fiscais de segurança, onde encontramos as quatro pessoas que esperávamos ver. Todos estavam reunidos, conversando e rindo de alguma piada, enquanto comiam salgadinhos e tomavam refrigerantes. Bianca estava sentada, toda vermelha de tanto rir, usando calça jeans, uma blusa violeta de mangas cumpridas, e com os cabelos presos em um r**o de cavalo. Ela parecia mais responsável com esse visual. Ian, seu namorado "nerd-mas-muito-gato", estava sentado ao lado dela, dividindo um pacote de salgadinhos de queijo, vestido com uma jaqueta de couro, calça azul, e um all star converse branco. A minha amiga Carol estava usando seu tradicional e nada normal look rebelde, com espinhos dourados na jaqueta de couro curta, na calça preta e no coturno, com seus cabelos ruivos esvoaçantes e cacheados. Seu namorado, o mais alto e mais músculoso da turma, John, estava com o braço ao redor dos ombros dela, usando calças jeans, e uma blusa preta de mangas cumpridas que valorizava muito seus músculos bem definidos. Eu imediatamente corri até eles. - Cheguei muito tarde para a festa? - eu disse, alto. - Isa! - Bia e Carol correram para me abraçar. Nós ficamos assim por segundos, sem se incomodar em amassar nossas roupas. Rick cumprimentou os amigos, e eles riram do nosso "exagero de afeto" mesmo tendo nos visto muito essa semana. Eu dei um abraço no Ian, e depois no John. - Isa, amei seu novo corte de cabelo. - Carol disse, reparando nos meus cabelos dois dedos mais curtos. - Obrigada. Eu fiz o possível para esconder os últimos vestígios de tinta azul. - elas riram. - Ouvi falar que vamos passar um bom tempo sem ir ao salão. - Relaxem, vamos encontrar um jeito. - Bia disse. - Tomara que sim. - eu não tinha tanta certeza, já que li os regulamentos da universidade pela internet, e uma das principais regras é não sair dos terrenos da universidade. Sabe se lá o porquê. Olhando para a turma, eu imediatemente me lembrei da Juliane, que eu não via à quatro meses, porque seu pai a mandou estudar na Suiça. E ela não era problemática e nem algo do tipo, ela simplesmente teve que deixar sua vida, e seguir o exemplo de família. - Meninas, eu ainda vou sentir muita falta da Ju. Tiveram alguma novidade dela? - Não. A mãe dela disse que ela está fazendo exames sem parar. - Carol respondeu. - E o Diego? - Ele está na Espanha. - John respondeu. - Espanha? - me assustei. - Ele não está com a Ju na Suiça? - Não. Ele está fazendo teatro. - Nossa, eu pensei que o Diego e a Ju ainda estivessem namorando. Eu não me imaginaria longe do Rick. Pensando nisso, eu me aproximei dele, e ele apertou a minha mão, entrelaçando nossos dedos. Ele sempre sabia oque eu estava pensando, e esse era um dos motivos para eu gostar tanto dele. - Falta quantos minutos para o nosso vôo? - eu perguntei, para ninguém em especial. - Acho que uns dez. - Carol olhou as horas em seu iPhone, e respondeu. - Dá tempo para tirarmos nossa última selfie antes da faculdade! - É claro. - o Rick tirou o celular do bolso e nós tomos nos reunimos para tirar uma foto juntos. Eu me lembrava muito bem qual tinha sido a última vez que entrei em um avião com as minhas amigas. Nós fomos para o acampamento do colégio em Buenos Aires, na Argentina. Naquele dia, eu queria muito sentar ao lado do Rick, mas não podia por causa do nosso segredo. Mas me lembrei que todos já sabiam de nós, então foi isso que eu fiz. - Quer chiclete? - olhei para o meu lado, e vi aquele par de olhos castanhos brilhantes me olhando. Eu me derreti no mesmo segundo. - Sim. - eu aceitei. Humm, era de morango. - Obrigada. - Quando precisar de mais é só pedir. - ele disse, e eu me aconcheguei em seu ombro antes da aeromoça citar as regras de vôo e recomendações antes de decolar. - Não solta da minha mão aconteça oque acontecer. - Bia disse para o Ian, na poltrona da frente. Ela sempre teve medo de viajar de avião. - Mas e se eu quiser ir ao banheiro? - ele riu. - São apenas algumas horas de vôo, - ela rebateu. - Acho que você pode segurar. - Claro que posso. - ele plantou um beijo carinhoso na bochecha dela, mas continuou rindo. - Será que vai demorar muito para chegarmos? - Carol perguntou para o John na poltrona atrás da minha. Ela estava com os fones de ouvido no último volume da música, por isso falava alto. - São só três horas. - ele respondeu. - Mas será que dá para abaixar essa música? Não quero uma namorada s***a. - O problema é todo seu. - ela mostrou lingua para ele, emburrada. - Ah, não fica brava... - Olá. - uma voz feminina interrompeu eles dois. - Desejam algo para beber? Carol olhou para o lado e viu uma aeromoça loura muito bem vestida com o uniforme azul e branco, segurando um carrinho com algumas bebidas e pacotinhos de biscoito. - Claro... - John ia dizer, mas a Carol tirou os fones e olhou para ele. - Quero dizer... não no momento. Obrigada. - Tudo bem. - a moça disse, dando um sorriso educado. - Tenham um bom vôo. - Por que você estava olhando para o decote dela? - Carol perguntou, quando a aeromoça saiu para servir as próximas poltronas. - Eu não estava... - Estava sim! - ela cruzou os braços. - Não vou falar com você até o avião pousar. - Que graça. Minha roqueirinha m*l virou universitária e já está mostrando as garras. - ele apertou as bochechas da Carol, e a beijou em seguida. Eu estava com tanto sono, que dormi praticamente o vôo inteiro, no ombro do Rick. Quando senti meus pés tocarem o chão de um aeroporto novamente, prometi para mim mesma que dali para frente, eu ia fazer de tudo para que o sonho da minha mãe se realizasse. Só para depois poder realizar o meu. Esse era o meu único objetivo, não podia ser tão difícil. Ao menos eu esperava que não. *** Uma minivan estava nos esperando no estacionamento do aeroporto como o combinado, e fomos direto para a universidade. Eu esperava encontrar um lugar sinistro, rígido e fantasmagórico igual a Espada & Cruz, o colégio onde Luce, do livro Fallen foi estudar, mas me enganei quanto à aparência do lugar. A Harsh Internacional University, ao contrário do nome era até... agradável. Entramos pelo estacionamento, e um homem engravatado, - alto, careca e muito rígido - nos guiou até a entrada. Tudo era muito grande, e limpo. Os jardins da frente bem cuidados, com o gramado verde e variedades intermináveis de flores alegravam a passagem até o átrio de entrada aos edifícios. Uma fonte com as estátuas de dois anjos apontando flechas em direções contrárias, espirravam água em cascata no centro e palmeiras altas balançando muito por causa do vento forte, rodeavam a frente. Os dois edifícios à frente tinham a estrutura moderna e um ar de arquitetura estrangeira, pintados com um cinza claro e um pouco de azul cobalto aqui e ali. Continuamos andando pelo pátio, todos em silêncio. Entramos por um corredor largo e subimos a escadaria para o segundo andar, onde passamos por um imenso espaço com mesas para estudo ao ar livre. E por último, nós paramos em um corredor com várias portas de madeira polída. O lugar era bem iluminado com janelas grandes com vista para fora do edifício e bem climatizado também. - Esse lugar é bem menos assustador do que eu imaginei que seria. - sussurrei, perto da orelha do Rick ao meu lado. - Esperava masmorras, calabouços e um cemitério, não é? - ele sussurrou de volta, apertando minha mão forte. - Ah, tá olha só... não enche! Eu indiquei o homem que se aproximou da gente, antes que o Rick risse. - Meu nome é José Carlos, mas podem me chamar apenas de Carlos. Eu sou o vice-diretor desta universidade, e já sei o nome de todos vocês, não se preocupem em se apresentar. - ele era sério, mas pouco intimidador. - Bem, aqui ficam os dormitórios, olhem o número dos quartos onde vocês vão ficar em sua lista. Os meninos ficam deste lado do corredor, e os meninos do outro. As regras são as seguintes... Acho que pela falta de interesse em nos explicar as regras, e o desânimo evidente, deduzi que ele tinha que fazer isso várias vezes nesta época do ano. E para um homem quase careca, alto e com um cavanhaque bem feito, ele parecia cansado como um idoso de oitenta anos ao citar as regras básicas que qualquer lugar tem como base como: não brigar, não beber, não fumar e outras bem infantis como: não gritar, não correr nos corredores e não quebrar nada. Até parece que algum adolescente ia sair correndo pelos corredores quebrando tudo com um machado. - Vocês terão um colega de quarto cada um, - ele continuou. - E espero que isso não seja incômodo para ninguém. Alguns alunos ainda estão chegando de qualquer lugar do país, por isso podem demorar um pouco. As aulas começam amanhã, espero que dê tempo para arrumarem suas malas e se instalarem. Qualquer problema, me procurem na direção. Aqui estão os documentos que vocês vão precisar para começar, contém todos os horários, nomes de todo nosso corpo de funcionários, um mapa da universidade, uma cópia de todos os regulamentos e das consequências se eles forem transgredidos, e o número do seu quarto. Ele entregou à cada um de nós um envelope marrom com nossos nomes em uma etiqueta, - Espero que vocês tenham um ótimo fim de tarde. Até mais. - e saiu, sem nos dar a chance de alguma pergunta ou reclamação. - Ual, que gentileza. - Bia disse, e todos rimos. - Então, é só... entrar no quarto? - eu disse, olhando em meu envelope. - Vou ficar no quarto sessenta e sete. Por favor... me digam que alguma de vocês ficaram no mesmo quarto que eu? - O Meu é o quarenta e cinco. - Carol disse, cabisbaixa. - O Meu também! - Bia disse, empolgada. - Estão brincando? - eu corri até elas para ter certeza, e vi que as duas tinham o mesmo número de quarto. Devia ser porque ambas escolheram Contabilidade. - Porque eu tenho que ficar sozinha? Acho que podemos conversar com o vice-diretor e... Eu já ia sair para seguir o Sr. Carlos, quando o Rick me puxou pelo braço. - Não podemos não. Você viu como aquele cara falou com a gente? Se você for lá reclamar sobre isso pode ser arriscado... ele pode te trancar no calabouço. Todos deram gargalhadas que ecoaram pelo corredor inteiro. - Rá, rá, rá que engraçado - fingi não ficar brava. - Qual é o seu quarto? - Número noventa e sete. - Rick respondeu, olhando nas portas para ver se encontra o número. - Parece ser muito longe do meu. - franzi o cenho, ao sussurrar para mim mesma. - Gente, vamos guardar as nossas coisas e depois nós saimos para conhecer o lugar. - Carol disse, ela pegou sua grande mala preta, e saiu andando e olhando para as portas. - Boa idéia. - John seguiu ela, fazendo o mesmo mas de mãos dadas com ela. - É. Nos vemos depois gente. - eu fiz o mesmo e todos sairam andando pelo corredor. Depois de passar por tantos corredores, eu finalmente cheguei ao quarto de número sessenta e sete. Antes de entrar, eu observei a Carol, Bia e os meninos indo até o final do corredor imenso, indo cada vez mais para longe de mim. Até que todos viraram no corredor e desaparecem. Que ótimo! Fiquei sozinha.

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