É simples, eu vi e odiei

5000 Palavras
Os momentos que vieram a seguir foram um pouco perturbadores para serem reais, estava curiosa para saber o que queria dizer o bilhete que havia recebido no dia anterior, “uma aventura pela cozinha”, na cabeça de Elisa pelo menos aquilo poderia significar várias coisas desde algo romântico como também algo mais picante, e de acordo com suas amigas com toda certeza do mundo queria dizer sexo - sem mais - e com algumas referências românticas queria dizer um encontro romântico na cozinha algo que só servia para alimentar mais ainda seu lado ansioso e curioso pelo dia seguinte, deixando a um tanto agitada para descobrir o que poderia ser no fim das contas. No momento em que lia aquelas palavras mesmo que não percebesse a ruiva sorria de forma larga, de orelha a orelha a boca se alargou pelo rosto fazendo com que seu coração ficasse quentinho dentro do peito. Finalmente estava realizando um desejo antigo que era viver um momento de livro de romance. Quem sabe agora a dona dos cabelos vermelhos teria um pouco de sorte? Elisa Green até mesmo contava cada minuto, segundo que passavam era de fato muito ansiosa para essas coisas por conta disso não gostava muito de surpresas quando sabia de sua existência a jovem não sabia lidar muito bem com elas. Já que não conseguia lidar com a ansiedade que correria pelas veias no segundo em que a surpresa era "exposta" ou pelo menos parte dela como estava acontecendo. Sua mente normalmente iria trabalhar nos primeiros momentos fazendo coisas boas para no fim, imaginar o pior. Era sempre assim com Elisa Green infelizmente era uma daquelas pessoas que pensava demais. O corpo deitado na cama se misturava ao branco dos lençóis, os fios ruivos do cabelo desciam pelo corpo tirando um tempo para descansar. Ela por sua vez, se virou e a cabeça ficou um pouco afundada no travesseiro, os olhos estavam fechados, porém, o sono que desejava tanto ter não vinha de modo algum o que acabava gerando um murmúrio irritado na mulher. Sabe quando você quer muito mais muito mesmo dormir e não consegue?Tudo pelo simples motivo que sua mente decreta que não é a hora de você adormecer?Isso acontecia agora com Elisa Green que era refém de seus próprios pensamentos. Uma tortura, apesar de indolor muito c***l. A dona dos cabelos vermelhos tentou mais algumas vezes dormir, os olhos estavam fechados e a cabeça encostada no travesseiro repousava no ambiente fofinho. Seus braços seguravam um travesseiro menor, apertando o com os dedos. Os olhos fechados deixavam a mulher perdida na penumbra, ficou assim durante longos minutos e infelizmente não adormecia algo que só motivou a ruiva de Elisa Green. Tudo o que ela mais queria agora não iria acontecer, isso a fez bufar irritada. Só agora desejava ser uma daquelas pessoas que não liga para surpresas, que quando ouve a palavra não de importa com as inúmeras possibilidades que podem ou não existir em sua vida. Como não era m****o deste grupo a Green decidia então ficar acordada, não iria adiantar nada realizar mais tentativas como aquela só iria motivar mais ainda sua raiva e no fim das contas ao invés se sentir relaxada iria acabar furiosa consigo mesma. Agora sentada na cama, a moça de cabelos cor de fogo agarrava o celular e ia até o site onde realizou o contrato com Thomas Walter, dando uma rápida stalkeada no perfil de seu namorado de aluguel e também nos dados que obteve quando finalizou a compra, por exemplo, o número de telefone dele. Era um direito tanto do comprador (a) como também do funcionário de obter esse tipo de dados. Um acesso exclusivo que quando a compra finalizada pela pessoa interessada teria esses dados para quem sabe pudesse se comunicar com a outra parte do contrato, a única coisa que o site pedia era que não divulgasse de forma alguma esses dados para outra pessoa já que uma vez isso feito a pessoa estaria cometendo um crime e seria processado (a) pela equipe de advogados do site. Mordiscou de leve os lábios, incerta sobre mandar uma mensagem ou não mandar uma mensagem e acabar logo com aquela curiosidade que a comia pouco a pouco por dentro, era terrível essa sensação. Talvez se mandasse poderia ser classificada como louca?Ele muito provavelmente acharia estranho?Seria errado invadir a privacidade assim? Porém, se teve acesso a uma coisa como o número de telefone ao menos imaginava que tinha permissão para fazer uma coisa daqueles, afinal era apenas uma mensagem inocente sem malícia por trás ela apenas perguntaria o que era aquele bilhete e o que talvez poderia resultar. Ao mesmo tempo em que se perdia em dúvidas, uma mensagem acabava de chegar fazendo com que o aparelho em seus dedos vibrasse e a mulher por consequência se assustasse um pouquinho para que no fim ela acabasse saindo de seu mundinho de fantasia que ia quando pensava demais. “Desconhecido: Sem sono também?” Inicialmente se perguntou para quem teria passado seu número de telefone, ou se alguma das amigas havia feito mais uma brincadeirinha em colocar seu telefone em algum site de namoro brega ou até mesmo algo pior, como a vez que jogaram seu número em um site porno e ela teve que mudar o número. Estar passando por aquela situação novamente fez a mulher pensar que novamente teria mudar de número pela quarta ou quinta vez nesse ano graças ao humor peculiar de suas amigas. Com o coração batendo mais rápido e o lado curioso totalmente desperto a jovem não demorou mais nenhum segundo em ir até a foto de perfil da pessoa, quando seus olhos bateram na imagem não pode evitar de rir alto consigo mesma, pelo visto não tinha sido a única a receber informações extras em relação ao parceiro naquele relacionamento de mentirinha. Por exemplo, o nome completo, signo, idade, e-mail, número de telefone - já que pedia no cadastro - entre outras informações que sinceramente falando Elisa achava todas um pouco inúteis. Tirando claro, coisas como a idade e o número de telefone isso ela já pensava que salvou sua vida ou apenas matou seu lado curioso e acabou com a ansiedade de falar com ele. Sentia se como uma garotinha falando com o garoto que gosta, o coração batia mais rápido havia aquele calafrio percorrendo o corpo e pode sentir o estômago revirar. Não gostava de Thomas dessa maneira, é óbvio mesmo assim era bom se sentir dessa maneira novamente por alguém. Mesmo que esse alguém despertasse vontades assassinas nela. Deitou-se na cama, mordiscou os lábios inferiores levemente a mulher também deixou que os lábios se formassem em um riso morno em sua boca e por fim adicionava o contato no celular como: Satã. Não iria colocar o nome dele no contato, pensava que se colocasse dessa maneira seria um pouco mais significativo na relação dos dois, e também por ela querer mostrar que estava sendo "carinhosa" com ele da forma dela. “LisG: Está me stalkeando satanás? Ou colocou alguma câmera que eu não sei no meu apartamento?” Não perderia a chance de provocar o rapaz, não quando ela vinha assim de graça. No segundo em que enviava a mensagem, as duas flechinhas no aplicativo de conversa não demoraram nada para ficarem em azul indicando que ele havia lido a mensagem e a resposta iria vir logo. Mordiscou a pontinha de um dos dedos, contendo um gritinho no fundo da garganta. “Satã: Haha, talvez nos seus sonhos quem sabe. Quer conversar Lis? Não conseguiu evitar de gargalhar como há tempos não fazia, o resultado de sua pequena provocação. Pressionou os lábios um no outro e olhos as horas no relógio do celular, suspirando fundo, pois, infelizmente teria que acordar cedo para ir trabalhar no dia seguinte, afinal de contas os boletos não iriam se pagar sozinhos infelizmente. “LisG: Por mais que essa proposta seja tentadora e eu adore te provocar como também tirar do sério, agora eu devo me retirar ainda sou uma mera mortal com contas a pagar e trabalhos para fazer. Tenha uma boa noite satanás sz.“ Ele moveu um pouco a cabeça para os lados, sorrindo pela resposta que recebia. Apesar de não ser o que esperava já era alguma coisa e sentia que aos poucos estavam avançando na relação. “ Satã: Tudo bem, tenha uma boa noite cabelo cor de fogo sz”. Elisa suspirou quando viu a mensagem, sentindo o coração se aquecer com aquelas palavras, estava entrando em um jogo perigoso sabia disso só esperava ter resultados bons no fim daquilo tudo e não esperar por algo pior do que sua cabecinha pensava sobre aquilo. Desligou o celular e o colocou no carregador, dormindo com um sorriso no rosto enquanto segurava seu ursinho favorito de pelúcia, uma réplica do leitão do ursinho pooh. Era seu desenho favorito quando mais nova, amava toda a animação e ainda mais por estar acompanhada por sua avô junto de uma pilha de biscoitos. Mesmo com a idade que tinha nunca largaria o melhor amigo, era seu ponto de paz como também sua lembrança dos momentos mais felizes que teve em vida. Aquele pedacinho de pelúcia era o que também conseguia fazer com que a mulher tivesse uma boa noite de sono, como um bebê. Trabalhar foi um pouco difícil, estava com a mente em outro lugar, de segundo em segundo fazia uma coisa errada sendo acobertada pelas amigas a todo momento em que ia escorregar fazendo alguma tarefa no restaurante de maid's localizado no centro da cidade. Não era o melhor dos empregos, ainda assim era alguma coisa que fazia com que a mulher não entrasse em depressão ou ficasse louca por não fazer nada. Toda hora Elisa olhava para o relógio ou para o celular esperando alguma mensagem dele, estava impaciente e ansiosa odiava aquilo. Pela manhã conversaram brevemente e depois mais nada, nenhuma outra mensagem foi trocada entre os dois. E aquele sentimento acabava deixando Elisa Green um tanto pra baixo, não queria mandar mensagem e ser uma pessoa carente de atenção e nem dar a impressão que o estava sufocando. Essas situações bobas em que se colocava eram tão complicadinhas que chegava a tirar alguns palavrões da boca feminina, ela só queria que tudo fosse simples em uma relação e por mais tentasse isso ou desejasse tal coisa nunca acontecia sempre acabavam no mesmo ponto por mais que se esforçasse. O que fazia com que parte dela ficasse um tanto triste por isso, ainda assim Elisa Green era bastante otimista em relação ao amor mesmo que boa parte de suas experiências fossem negativas não iria abrir mão dessa esperança de ter algo com alguém, um amor que a faria suspirar só de pensar e sorrir feito uma boba ao se lembrar da pessoa em alguma hora do dia. Suspirou por ver zero notificações no aparelho - novamente - e antes de começar a andar novamente a moça tomou um susto quando sentiu alguém agarrar o pulso. — Quer me matar de susto Vic? — perguntou a moça. A loira soltou um riso debochado, colocando as mãos na cintura assim como Beatriz fez também e Mia olhava todas com reprovação, as vezes o grupinho de amigas baixava um pouco o nível e não passavam de crianças birrentas como agora. — O quê está acontecendo?Você não para de olhar pro celular, até parece que vai tirar o pai da forca Lis ou algo pior que isso. — Devolveu Victoria, demonstrando preocupação com a amiga. Soltou um sorriso nervoso quando ouviu a pergunta, terminou de arrumar suas coisas e fechou o armário atrás de si. — Nada, ué tá tudo na maior naturalidade. Tudo na maior paz, não poderia estar melhor — Retrucou com um sorriso nervoso instalando se pouco a pouco em seu rosto. No fundo, nem ela mesma acreditava no que dizia. A loira cruzou os braços, e movimentou a cabeça para os lados já Beatriz tinha uma expressão de poucos amigos algo que era o normal “Beatriz” Jones. — Ahãm, quer mentir pra mentiroso agora, Lis? — Indagou a Jones colocando a mochila nas costas e por fim arrumava os cabelos em um r**o de cavalo. Sustentou aquele sorriso segurando a mochila enquanto se movia pro lado de fora do restaurante junto das demais. No fim suspirou fundo, não adiantava mentir para quem lhe conhecia tão bem como elas só iria ser uma completa perda de tempo. — Eu só estava esperando por uma mensagem, não tem nada demais. Os olhos de Victoria se arregalaram quando ouviu, diferente das outras duas, a loira sabia do que se tratava a tal mensagem e por isso acabou por soltar um gritinho animado sem prestar atenção no clima chuvoso do lado de fora. O quarteto parou na entrada, ficando na proteção para não se molhar na chuva Mia logo tratou de pedir um uber e Beatriz prestava atenção na conversa sem entender absolutamente nada. — Não acredito, vocês já estão trocando mensagens assim?Que legal, o quê ele disse?Sobre o quê vocês conversaram? — perguntou a loira, feliz em saber que o clima entre a amiga e o novo “namorado” está bom daquele jeito. Ouvindo o que uma das amigas disse Beatriz ficou com cara de paisagem, tinha perdido alguma coisa nesses últimos dias em que esteve ocupada com as provas da faculdade?Pelo visto, sim. Pequenas consequências quando você cursa algo como direito, ficar de cara com os livros e apenas eles seriam a única coisa que veria durante a época de provas. Adorava o curso, adorava o que fazia e mesmo assim como toda pessoa uma vez na vida sentia vontade de simplesmente arrancar os cabelos por conta do mesmo motivo que a fazia sorrir de satisfação também era o motivo que a fazia enlouquecer. — O quê? Mensagens?Com quem? — Questionou a moça ganhando um pouco atenção das outras duas. Elisa estava um pouquinho desconfortável com toda aquela atenção, apesar de estar acostumada com a animação das amigas quando recebiam alguma notícia nova a Green não estava acostumada a ser ela o centro das atenções, sentia se tímida e queria desesperadamente enfiar se em um buraco e nunca mais sair de lá do que passar vergonha. Abria a boca para responder todas as dúvidas com o mínimo de detalhes, porém, a aparição de Thomas Walter com um guarda chuva - parecendo um herói, um cavalheiro de armadura pronto para salvar a princesa em perigo. Ela só não sabia se achava aquilo bom ou tremendamente irritante - a fez se calar e mesmo com as gotas d'água caindo sem parar, então a moça de cabelos cor de fogo se distanciou do grupo feminino para parar do lado do “namorado” exibindo o melhor de seus sorrisos no rosto molhado pela chuva. — Obrigada por isso. — Falou a mulher, baixo para que apenas ele pudesse ouvir tornando aquele momento íntimo apesar de estarem sendo observados por olhos curiosos. Thomas limitou-se apenas a rir baixinho, virando-se na direção contrária para se despedir do trio assim como Elisa também fez. Victoria sorriu toda contente pela amiga, era bom saber que alguém estava tendo algo bom na vida que não fosse coisas que fariam ela ir para a academia no final do mês ou chorar no sofá por algum motivo, e consequentemente se auto depreciar. Beatriz por outro lado ficou com os olhos arregalados diante da situação, realmente estava precisando se atualizar um pouco na vida das amigas, pois, estava mais perdida do que cego no tiroteio. Mia observava os dois com atenção, os sorrisos trocados e os olhares trocados por ambos a fez lembrar de seu amor na infância. Como ele estaria agora?Pensou Mia Marques deixando um suspiro tristonho escapar entre os lábios. — Não sabia que a Lia curtia caras que possuem tatuagens. — Comentou a morena, ganhando automaticamente a atenção das outras duas e o casal já sumia do campo de visão. Beatriz concordou silenciosamente e Ino deu de ombros, levantando as mãos para cima. — Ela tem bom gosto, ué. — Retrucou a loira gerando um riso baixo em cada uma ali presente. — Realmente tem mesmo. — Concordou Beatriz. Para todas ali Thomas e Elisa pareciam mais um daqueles casais perfeitos que se via em filmes ou vídeos de músicas românticas, bem aquilo não estava assim tão longe da realidade. Em todo o percurso ambos trocaram poucas palavras, mesmo curiosa pela surpresa a mulher se controlava ou pelo menos tentava fazer isso perguntando coisas básicas de como foi o dia e coisas do gênero. Suas amigas diriam que ela não sabia puxar assunto e bem, elas não estariam totalmente erradas. Thomas era um mistério, era discreto com sua vida e só exibia o necessário do necessário ou em outras palavras, todos os detalhes que ela já sabia sobre sua vida. Esse comportamento desgraçado só alimentava mais ainda a vontade de conhecer o rapaz, que infelizmente não cooperava nada para aquilo acontecer. Não foram de carro, o local que iriam era perto do local de trabalho dela por conta disso e pelo tempo também começar a colaborar para uma caminhada ambos resolveram andar por mais ou menos vinte minutos. Thomas só largou do guarda chuva no segundo em que chegaram na frente de um prédio de dois andares, era simples nos detalhes, suas paredes eram claras e duas janelas de cor marrom se encontravam tanto na esquerda como na direita sendo decoradas por rosas de cor azul. Agora abaixo da proteção do local e longe da chuva a mulher analisava com cautela o local, querendo alguma pisto do que ali era. Assim que terminou de espantar um pouco da água do objeto o moreno se moveu sem pressa para dentro, contudo, acabou parando quando percebeu que ela não o seguia. — Vai ficar por aí? — questionou virando apenas um pouquinho do rosto na direção de Elisa. A Green saiu dos pensamentos e moveu se para dentro, sorrindo constrangida pela situação em que tinha se colocado. — Desculpe. — Falou a moça. Nesse mesmo segundo via pelo canto dos olhos alguns quadros culinários como também quadros de alguns chefes famosos que em vida nunca havia ouvido o nome, o que tirou todas suas dúvidas sobre o que era o prédio, uma escola de culinária. Soltou um suspiro de alívio, por saber que não era nenhuma de suas teorias malucas que tinha visto em séries e filmes. Não era hoje que seria morta ou acabaria em outro país. — Vamos explodir uma cozinha juntos? — perguntou Elisa, querendo por todos os seus fios de cabelo mudar de assunto e talvez com um pouco de sorte não pensar nas vergonhas que passaria e já passou ao lado dele. Thomas demorou um pouco para responder, não por querer e sim por estar ocupado preenchendo alguns dos papéis para que ambos pudessem ter algumas horas na cozinha sem perturbações de terceiros. Diogo também tinha dado uma ajudinha, apesar do Walter ser antigo aluno dali o dono era tio de seu melhor amigo e por isso conseguir isso foi “fácil”. Quando terminou de preencher tudo, o homem retirou o casaco deixando o tecido entre os dedos enquanto um riso escapava dos lábios. — Talvez sim, talvez não isso depende como é sua habilidade na cozinha? — perguntou andando até as escadas, o prédio até tinha um elevador para ser usado pelos alunos da escola, porém, Thomas preferia se exercitar sempre que pudesse e apenas de ter feito uma careta desgostosa no início a Green acabou seguindo o pelo pequeno lance de escadas. Torceu os lábios um pouco para esquerda, pensando nas suas últimas tentativas de fazer alguma coisa na cozinha. — Minhas habilidades na cozinha?São boas, muito boas já me falaram que eu cozinho muito bem de verdade. — Mentiu, gerando um sorrisinho no rosto masculino. Ambos terminaram de subir as escadas e logo seguiram até algumas portas, caminhando entre elas e parando na última. Thomas abriu a porta com a chave que lhe foi dada, Elisa entrou imediatamente encontrando tudo o que via naqueles programas de culinária onde ela passava mais vontade do que outra coisa. Arrastou novamente a madeira para direção contrária, esticando as mangas das blusas e indo até a pia lavando suas mãos para depois cobrir o corpo com um avental. Já sua blusa deixou pendurada atrás da porta, não iria precisar dela pelo menos por agora. — É mesmo?Então me conta, o quê você sabe cozinhar? — perguntou um pouco curioso pela resposta. Elisa o imitou, deixou a mochila e a blusa no mesmo canto em que ele havia deixado a jaqueta de frio. Prendeu seu cabelo com um elástico que tinha no bolso, lavou as mãos para colocar o avental no corpo. — O quê eu sei cozinhar?Bem eu sei cozinhar muita coisa, você ficaria surpreso com… — Miojo e brigadeiro? — Interrompeu o moreno, colocando duas barras de chocolate em cima do balcão, assim como também algumas formas, tigelas e colheres entre outras coisas. Soltou um riso sarcástico quando o ouviu, ficando um pouco distante observando o se movimentar pela cozinha. — É o necessário para uma boa sobrevivência, ué. Thomas balançou a cabeça para os lados em uma lenta negativa, colocando os últimos ingredientes em cima do balcão. O olhava curiosa e um pouco sem jeito, estava constrangida por não saber como lidar depois da noite que tiveram pelo o que se lembrava não foi assim tão bom o primeiro encontro, pelo menos para ele não foi já ela sentia se com vergonha só de falar sobre o assunto. Ainda assim, sabia que algo deveria ser dito nem que fosse “desculpa por te deixar nu, não foi eu e sim o meu eu alcoólico". Pigarreou, esticando as mangas assim como ele havia feito anteriormente. — Thomas? — chamou a mulher. — Uh? — Respondeu com os olhos prestando atenção em outra coisa. Sentia as mãos ficarem tremulas, a língua era mordiscada ocultando um gritinho fino. — Sobre a noite anterior, eu queria dizer que eu não sou daquele jeito, quer dizer eu não bebo daquela maneira e… Com um sorriso no rosto o rapaz virou seu rosto, estava calmo apesar da vaga lembrança traumática da noite anterior, certamente não esqueceria daquilo tão cedo. — Está tudo bem Lis, agora quer me ajudar? — perguntou. Calou-se quando a fala dele veio interrompendo a sua. Ainda sem jeito concordou silenciosamente com a cabeça, apesar de estar incerta sobre essa atividade suas habilidades na cozinha eram seriamente questionáveis. Tinha um pouco de receio de acabar fazendo merda, melhor dizendo ela tinha medo de acabar explodindo aquele ambiente pelo simples fato que acabou sendo distraída e esqueceu a panela ou se por acaso não fosse isso tinha medo de colocar fogo na cozinha, se por acaso isso acontecesse iria sair dali direto para um buraco que não iria sair - já que a vergonha iria dominar completamente seu corpo - e nunca mais em vida colocaria seus dedos em uma panela nem que fosse para fazer uma coisa simples como miojo e brigadeiro, ela não se sujeitaria a tal coisa novamente. A dona dos cabelos vermelhos respirou fundo, seus olhos observavam a figura masculina com um sorriso nervoso. Os lábios se moveram para o canto esquerdo do rosto, sendo pequeno não só em seu tamanho como também em sua duração. — E o quê vamos fazer? — perguntou a moça, a curiosidade visível o fazia rir internamente. Estar com Elisa Green dependendo da situação era como estar com uma criança, o comportamento dela se assemelhava muito a com o de uma criança curiosa. Não era r**m, afinal de contas aquilo fazia com que o rapaz se divertisse de verdade. Durante muito tempo Thomas Walter participava de alguns encontros, os primeiros que viveu eram desastrosos de diferentes formas e maneiras. Seja com ele falando algo indevido ou a garota passando do limite o rapaz só tinha cada vez mais certeza que se existisse uma máquina do tempo ele não gostaria de forma alguma de voltar ao passado. A outra parte, a parte boa de se trabalhar em um site de relacionamento era que Thomas Walter teve o privilégio de conhecer algumas pessoas realmente interessantes, elas não estavam ali só para falarem das próprias vidas também queriam se distrair e conhecer o novo parceiro que as acompanhava naquela loucura. Por causa delas Thomas não se sentia como um bonequinho bonito que pegam para brincar quando sentem vontade, além disso, ele realmente não precisava fingir quando estava presença do segundo grupo. Como agora, por exemplo, o rapaz de cabelos negros não fingia que estava se divertindo já que em seu rosto isso era algo nítido. A maneira que seus olhos brilhavam quando encontravam os olhos da namorada, a maneira que sorria disfarçadamente quando a via tentar fazer algo na cozinha. Seguir os conselhos de Diogo Vaz pela primeira vez depois de muito tempo não tinham resultado em algo negativo, e só por isso o dono dos cabelos escuros agradecia mentalmente. Antes de retrucar, o homem de cabelos escuros e algumas tatuagens desenhadas no corpo bateu as mãos no alto, fazendo um barulho para chamar a atenção da dona de cabelos ruivos, porém tal ato acabou provocando o contrário em Elisa Green a jovem acabou assustada pela ação repentina feita pelo parceiro, o coração dentro do peito feminino palpitou mais rápido a ponto dela até mesmo colocar uma das mãos no local querendo a todo custo acalmar. Estava distraída antes dele fazer aquela brincadeirinha, também outro fato era que a jovem de cabelos ruivos se assustava muito mais muito fácil quando estava no estado anterior ficando com os batimentos cardíacos a mil. Riu, deixando cada mão em cima do balcão com um sorrisinho arteiro no rosto. O olhar fixo na figura feminina. A mão direita moveu se para perto de uma das facas abrindo a barra de chocolate e cortando a no meio e fez o mesmo com a de chocolate branco e amargo. — Bem, os dias dos namorados tá chegando e o que você acha de fazer um pouco de bagunça? Ou melhor dizendo, você quer explodir uma cozinha comigo Elisa Green? Corou tímida pelo o que ouviu, engolindo em seco. Maldito filho da p**a gostoso, pensou a ruiva. — Na verdade, eu não acho que seria uma boa eu cozinhar. — Falou a moça enquanto o assistia derreter cada pedaço um de cada vez. Os olhos mudaram de atenção para os potes ali ao lado, a boca salivou e o lado faminto por doce falou mais alto a ponto dos dedos andarem para perto dos confeitos, porém, o movimento acabou terminando antes de acontecer quando sentiu tapinhas sobre os dedos. — Nada disso, sem comer os confeitos Lis.— Disse quando colocava os olhos na figura feminina. Em meio as falas soltou um riso baixo divertido se um pouco com a situação em que vivia naquele momento — Se você comer todos não vão sobrar para os chocolates, Elisa. — É, apenas um só. — Retrucou a moça, tendo um beicinho manhoso nos lábios. Contudo, nem a cara fofa de Elisa foi capaz de derreter a dureza do rosto de Thomas Walter. Ele ficou em silêncio, prestando atenção no que fazia, as tigelas esfriavam na água fria e o moreno colocava três formas de formatos diferentes: uma de coração, estrela e um ursinho. Com o chocolate agora meio morno ele movimentou um pouco junto de uma colher sujando os lábios dela de doce e roubando um selinho no fim. — É tão gostoso quanto eu imaginei, só é melhor provar nos seus lábios. — Disse em voz baixa como um murmúrio quando os lábios se desgrudaram. Envergonhada a moça abriu um sorriso pequeno, desviando os olhos para outro canto que não fosse ele. — i****a. — Murmurou de volta, mostrando o dedo do meio no fim. Por consequência acabava ouvindo um riso sair dos lábios dele. O restante dos minutos foram de completo silêncio. Ambos trocaram poucas palavras e na maioria das vezes eram sorrisos singelos, sem malícia de ambas as partes o assunto da noite passada os dois resolveram deixar no passado, não adiantava nada ficar remoendo o quê já aconteceu não é mesmo? Depois de um tempo finalmente terminaram todos os doces, colocando-os na geladeira do ambiente para comer mais tarde sem ter riscos de ficarem lambuzados. Menos um, a primeira tentativa de doce deles estava agora no balcão com o formato oval e durinho agora era coberto por brigadeiro e pedaços de chocolate raspados pela mulher. — Isso parece uma delícia. — Retrucou a mulher, passando a língua pelos lábios. Se sentia como criança no parque de diversões e pelo sorriso no rosto dela Thomas soube que estava fazendo a coisa certa. Bastou algum tempo na cozinha e ela estava totalmente suja o rosto com doce e os cabelos um pouco bagunçados, pois, o que era fácil para Thomas fazer era um verdadeiro desafio para Elisa. Se lembrando do presente no dia anterior, a mulher aproveitou do momento de paz com ele para tirar uma pequena dúvida. — Como soube do quê eu gostava? — perguntou. Ouvindo a pergunta feita, parou o movimento dos dos dedos esquecendo-se das panelas sujas. Agarrou duas colheres e deu uma delas à moça que no mesmo segundo não esperou nenhum minuto para mergulhar o objeto na boca e provar do doce que tinham feito juntos. O chocolate tinha uma pequena variedade seu corpo era feito de metade amargo e metade ao leite, não ficando totalmente enjoativo e bom para o paladar de ambos. Um acordo sem brigas, paz. Elisa não admitiria aquilo em voz alta, pelo maldito orgulho, só que Thomas parecia ser sim um cozinheiro de mão cheia e aquela tarde foi deveras agradável. — É simples, eu vi e odiei por isso achei que você gostaria Lis.
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