Proposta de paz

5000 Palavras
A noite anterior era um completo borrão na mente de Elisa Green, quer dizer, mais ou menos em partes se recordava de algumas coisas que aconteceram no dia anterior, como: a maneira que o encontro com Thomas Walter foi totalmente desastroso em diversos sentidos que fariam com que a mulher talvez passasse a frequentar o psicólogo o mais urgente o possível, como também parar de beber álcool com exagero como ela fez na noite anterior - coisa que ela já não fazia há muito tempo mesmo, fazia séculos que Elisa Green não enfiava um pouco de bebida alcoólica na garganta, com motivo, razão e circunstância. Elisa não era uma pessoa que tinha boa resistência com álcool, ela estava mais para a pessoa que corria do álcool quando encontrava ele em alguma festa já que sempre quando escolhia beber os resultados não eram lá muito bons para a dona de cabelos ruivos, na verdade, eram todos péssimos. Uma vez que suas experiências com bebida alcoólica não eram as melhores, uma prova clara disso era seu encontro com o rapaz no dia anterior - e em partes e em outras nem tanto assim - por exemplo, uma vez quando era adolescente Elisa Green não viu m*l algum em beber um pouco mais do que o esperado quando estava em uma festa no ensino médio, porém essa decisão resultou em uma mulher de cabelos ruivos nua em um quarto que ela não fazia a menor ideia de como tinha chegado. Junto dela estavam também alguns outros adolescentes, bêbados com ressaca tentando se lembrar de como acabaram ali em um quarto um pouco longe da cidade onde ninguém se conhecia. Pelo menos a jovem poderia dizer que teve várias aventuras e talvez em um possível futuro poderia contar aos seus netos coisas que fazia quando adolescente como também por causa dessas experiências ela poderia aconselhar a geração futura. Elisa Green achou ate divertido passar um tempo com o rapaz mesmo que durante esse processo quisesse colocar as mãos em seu pescoço - para que pudesse assim descontar as coisas que sentia - não de uma maneira boa, já o restante da noite era um branco total em sua memória, consequências de ter muito álcool no organismo uma outra consequência era infelizmente uma baita dor de cabeça por causa da ressaca. Podia até gostar de beber álcool, só não gostava das consequências que isso trazia no dia anterior. Por esses e outros motivos foi que ela simplesmente parou de beber, só se vezes acaba tendo uma leve recaída como foi na noite anterior juntado ao nervosismo digamos que foi a mulher enfiando completamente o pé na jaca depois de tanto tempo vivendo pacificamente sem álcool. Um lembrete mental que a dona de cabelos vermelhos havia deixado para si mesma depois daquela noite: nunca mais peça álcool quando estiver nervosa em um primeiro encontro, é sério. Não queria ter viver aquelas sensações mais uma vez em vida. Ao chegar em casa, a moça de cabelos cor de fogo acabou por derrubar alguns itens até chegar ao quarto, fazendo uma completa bagunça por onde passava, sentia se um pouco tonta a cabeça doía parecendo que naquele instante era o fim do mundo. Como uma bomba relógio a cada passo que a mulher de cabelos ruivos era torturada cada vez que dava um passo em direção ao quarto, a cabeça parecia um relógio ficando cada vez mais e mais alto, um barulho insuportável ia aumentando a cada vez que o pé encontrava o gelado do chão. Seus músculos doíam, pediam por descanso pelo menos por algumas horas depois de ter ferrado com tudo em uma única noite. Sentia se como uma velha de oitenta anos de idade, reclamando de dor no corpo e dor de cabeça. Na verdade, era exatamente assim que Elisa Green era uma velha no corpo de uma jovem curtindo a vida como se fosse o seu último dia na terra. Ela sabia muito bem qual era a opinião da maioria sobre isso, felizmente não se importava e só vivia sua vida como queria visto que suas contas eram pagas todos os meses pela ruiva, e esse gostinho de independência era maravilhoso. Agora tudo o que mais Elisa Green queria era um remédio para dor e dormir até o próximo dia ou quem sabe mais que isso, mentalmente a mulher dizia que nunca mais iria beber tanto assim já que as consequências disso não eram boas pra si muito menos para sua saúde. Não era uma dependente, era apenas mais uma pessoa que gostava de beber quando podia infelizmente só não sabia a hora certa de parar e consequentemente acabava em situações constrangedoras como a que passou com Thomas Walter. Como toda pessoa quando inventava te fazer algo novo, a mulher de cabelos ruivos não era diferente. Quando a ideia de ter encontros passou por sua cabeça a Green já se sentia um pouco nervosa, visto que fazia um tempinho em que ela não frequentava mais um restaurante para ir encontrar alguém. Já não sabia mais como era ter um encontro, até tinha certeza que não sabia mais como conversar com uma pessoa do sexo oposto uma vez que todas as vezes que tentava fazer algo gênero acabava um tanto desanimada, quando não a chamavam de fraca indiretamente sempre davam um jeitinho de dar em cima dela ou se por acaso essa conversa estivesse acontecendo em um meio digital simplesmente achavam que era uma ótima ideia mandar foto de suas partes íntimas, na cabeça deles ao menos a dona dos cabelos vermelhos adoraria receber tal mimo tanto que pensavam que ela retribuiria. Algo que era totalmente mentira, a mulher tinha nojo de pessoas como essas quando acontecia não pensava duas vezes em tirar essa espécie de sua vida com um click em um botão. Por causa desses motivos e outros Elisa Green ficou um tempo afastada de encontros casuais. Depois de ser motivada durante dias por Victoria Gomes e finalmente contratar os serviços do site de relacionamento a ruiva não conseguiu não se sentir um pouco nervosa, pois, querendo ou não era um encontro depois de muito séculos sem um. Ela ficou com medo, nervosa por acabar fazendo merda e esses sentimentos infelizmente levaram a dona de cabelos vermelhos a cometer algumas coisas que em seu estado normal não faria. Mesmo que uma parte sua se sentisse arrependida, gostou de fazer o que sentiu vontade. Então poderia dormir com um sorriso largo em seu rosto por causa disso. Sinceramente falando a ruiva nunca foi lá muito chegada em álcool, sempre quando tinha uma segunda alternativa Elisa Green acabava optando por ela. Vez ou outra - socialmente para não ser chamada de chata pelos ali presente - a mulher ousava em beber um pouco de álcool, seja com as amigas ou para esquecer alguma coisa que não queria se lembrar. Para evitar quem sabe, um estado deplorável como estava agora. Algo que de certa forma era normal dentro daquelas paredes, não que fosse uma pessoa bagunceira apenas não era lá muito fã de arrumação - principalmente em dias de semana já que sua rotina era um pouco apertada demais - pelo menos a Green poderia dizer de boca cheia que não era porca, fazia o mínimo para não viver na bagunça ou quando não queria e tinha dinheiro para esse pequeno luxo Elisa contratava alguém para ajudar com as tarefas de casa e quem sabe poderia ver um pouco de luz no fim do túnel. Totalmente atrapalhada por conta do álcool no corpo, Elisa Green murmurava algumas coisinhas que eram difíceis de outros ouvidos entenderem mesmo se tentassem muito aquilo não conseguiriam compreender com total clareza o que saia da boca da mulher. De sua boca saia coisas como xingamentos até mesmo nomes de pessoas que viu durante a vida ou que acabaram machucando seu coração de uma forma que ela não gostava de lembrar. Disse nomes de paixões antigas do tempo de escola quando era mais nova e até mesmo o nome de Thomas Walter acabou sendo mencionado no meio daquilo, após a lista de nomes foi a vez dos xingamentos voltarem que ela soltava aos quatro ventos em voz alta; um grito que certamente acordaria todos os vizinhos e mais tarde acabaria trazendo problemas para a mulher de cabelos cor de fogo. Existem vários tipos de bêbados(a) no mundo, os mais comuns como por exemplo: o triste, o feliz, o irritado, o caótico, o safado e por fim o apaixonado. O bêbado(a) feliz normalmente acaba sorrindo por tudo, sem motivo algum ele exibe toda sua felicidade com sorrisos largos e risos altos exagerados. O bêbado(a) triste é o oposto do antecessor, ele vai ficar isolado em algum canto lembrando se de momentos em que foi infeliz ou até mesmo chegar ao extremo como ligar para o(a) ex namorado pedindo para voltar ou no pior dos casos acabar fazendo algo que no dia seguinte vai fazer com que essa pessoa questione seriamente se deveria beber novamente ou se deveria ir direto para reabilitação para quem saber não acabar bêbado novamente. Quanto ao irritado, ele é alguém que você que você quer longe. Esse é sem sombra de dúvidas o pior tipo para se ter por perto já que no pior dos casos pode resultar em alguma agressão física ou até mesmo algo bem pior que isso como abuso s****l. O bêbado irritado vai fazer o que ele quer, desde de: ameaçar, bater, xingar. Diferente do anterior, o bêbado(a) caótico gosta de confusão, normalmente pessoas que são mais calmas quando sóbrias tende a ser dessa maneira quando acabam bebendo uma quantidade generosa de álcool. Não dormem, não querem paz só vão se alegrar se por acaso o caos surgir, buscam normalmente por brigas desde motivos bobos aos sérios tirando seus parceiros da sanidade com muito pouco. Já o(a) safado vai tentar de tudo para ter uma relação s****l com alguém, pode até chegar a conseguir como não mesmo assim não existe barreiras que vão prender essa pessoa quando isso acontecer algo que só talvez possa ter um resultado diferente do esperado visto que depois de colocar tanto álcool na boca essas pessoas podem acabar vomitando tirando totalmente as chances de acontecer algo a mais com o parceiro(a). Por fim, o bêbado apaixonado(a), essa pessoa normalmente vai dizer que ama tudo, mesmo que no fundo odeie desde pessoas até mesmo objetos inanimados ou animais, para ela tudo se resume no amor e como essas coisas fazem com que se sinta bem. No caso de Elisa Green, a jovem de cabelos rebeldes e olhar ousado era uma bêbada risonha - feliz - e ao mesmo tempo não, quando não estava rindo pelos cantos estava por ai chorando por algum motivo que nem mesmo a própria conseguia compreender o motivo de tanta tristeza que corria em suas veias depois de virar alguns copos durante uma noite cheia de loucuras e emoções que normalmente ela não sentia se estivesse sóbria. Só sabia que naquele estado só conseguia colocar as coisas para fora ou chorando ou rindo como uma palhaça das desgraças que a vida lhe trazia. O celular havia consequentemente descarregado e ela não tinha o mínimo interesse de verificar as mensagens que certamente estariam lá na hora que acordasse com uma bela ressaca na manhã seguinte, por conta disso não havia pressa alguma em querer verificar o celular e responder quem quer que fosse. Nunca mais na vida beberia tanto daquele jeito, é verdade esse bilhete dessa vez ao menos era sim. Por sorte - algo que era um tanto incomum do seu dia a dia, já que a Green se considerava uma das pessoas mais azaradas que já posso na terra. - podia dormir até mais tarde naquele dia, era seu dia de folga do trabalho. Algo que fazia com que a mulher agradecesse por esse pequeno momento de paz, coisa que vez ou outra tinha - agarrada a um dos travesseiros com os cabelos bagunçados se misturando ao branco do lençol da cama, parte de seu corpo nu e com a boca um pouco aberta deixando que um pouquinho de saliva escapasse dali, a mulher continuava murmurando coisas desconexas aos ouvidos alheios, outro péssimo hábito era falar enquanto dormia e as vezes segundo terceiros Elisa Green também acabava andando dormindo, óbvio que não acreditava naquilo ainda assim depois de ter acordado sentada na privada do banheiro uma vez a jovem não duvidava mais de nada. Não, ela não tinha dormido enquanto fazia necessidades disso tinha certeza já que quando isso aconteceu a dona dos cabelos vermelhos e rebeldes tinha chegado depois de um longo dia de trabalho. Ficou no banheiro sentada, o corpo cansado se rendeu ao silêncio do ambiente e pouco a pouco a Green acabou adormecendo, só foi acordar realmente umas horas depois assustada e sem se lembrar de como foi parar ali. Mais um dos episódios que Elisa Green um dia contaria para quem quisesse ouvir. Outra situação parecia como essa foi quando tinha esquecido a porta do quarto antes de dormir, depois de umas horas acordou andando com os olhos fechados até a cozinha buscando por algum chocolate e quando encontrou voltou até a sala onde se sentou e comeu parte da barra. Na manhã seguinte Elisa Green acordou um pouco assustada por se ver em um lugar diferente do que havia dormido. Depois daquilo a ruiva teve certeza que tinhas alguns probleminhas com sonambulismo. Tanto que acabou criando o costume de fechar a porta do quarto, não queria acabar semi nua nos corredores do prédio ou algo pior que isso, janelas acabaram também sendo fechadas não queria ser a vizinha pelada da vizinhança de forma alguma. O rosto um pouco enterrado entre os lençóis, a roupa que vestia já queria ir embora exibindo algumas partes do corpo dela pela maneira desajeitada que estava. Depois, quem sabe, Elisa Green acabaria arrumaria tudo, só talvez. Diferente da Green, Thomas Walter se recordava muito bem de todos os detalhes da noite passada e sabia que dificilmente iria esquecer aquela noite, na verdade, achava impossível para o rapaz esquecer daqueles momentos em que viveu ao lado da dona de cabelos ruivos. Visto que não tinha como ela seria eternamente memorável em suas lembranças disso o moreno não tinha duvida alguma. Estava acordado desde muito cedo, mesmo que fosse um sábado de manhã o rapaz não tinha um minuto de descanso já que tinha trabalho para ser feito e infelizmente não poderia faltar já que além do site era isso que conseguia fazer com que ele fosse um pouco independente, o Walter adorava sua independência assim como sua liberdade. Adorava isso, amava sensação de "liberdade" que o emprego conseguia proporcionar ainda mais aquele que era o que ele amava fazer. Thomas Walter tinha total liberdade para fazer o que nem entendia, principalmente seu horário de trabalho. Era um negócio que ele tinha com o amigo e nunca havia se arrependido de criar esse segundo ramo junto de Diogo Vaz. O seu segundo trabalho poderia ser a qualquer hora do dia, menos de madrugada e aos domingos eram suas horas preciosas que ele dificilmente abria mão e também estava em seu contrato como fotógrafo. — Eu não acredito nisso. — Falou o loiro, tentando a todo custo segurar o riso estava em ambiente de trabalho e certamente agir feito um palhaço não pegaria lá muito bem. Forçou os dentes a segurar um pouco os lábios inferiores, colocando a mão por cima e mesmo assim o moreno conseguiu ouvir nitidamente o som da risada mesmo que rouca. Uma risada nervosa que denunciava o quanto ele adorava lembrar daquele assunto ironicamente falando é claro. — Essa realmente é uma nova maneira de deixar alguém sem calças e ao mesmo tempo molhado de uma maneira não muito normal. — Comentou, sendo um pouco sarcástico com a situação do melhor amigo, não deixaria que ele se esquecesse daquilo nem mesmo quando fosse pro caixão, iria atormentar até o ultimo fio de cabelo do moreno isso não tinha dúvida alguma que faria. Ajustou o corpo na cadeira e sorriu para a tela de computador, imaginando a cara que o Walter deveria estar fazendo acabou dando ainda mais gás à expressão facial. — Essa garota merece um prêmio, sério. — Falou Diogo Vaz. Thomas parou de organizar as fotos, revirando os olhos e tendo uma rápida lembrança de quem era Elisa Green e como aquela noite terminou para ele, sair por aí como veio ao mundo segurando um pequeno conjunto de folhas nas partes íntimas foi realmente constrangedor. — Só se for o prêmio de louca do ano, aí sim eu tenho total certeza que ela ganharia sem precisar fazer nem um pouco de esforço. — Respondeu o moreno. Diogo estralou a língua no céu da boca, terminando de preencher alguns formulários no computador enquanto segurava o celular com a outra mão fingindo ser algo importante quando na verdade, só estava passando com o dedo alguns aplicativo sem pressa alguma de voltar para a realidade. — Oh bem Thomy, se tudo foi tão r**m assim, você pode recomeçar e colocar um tratado de paz entre as duas partes e fechar negócio. Thomas acabou franzindo o cenho, pensando sobre o que o amigo tinha dito e considerando aquela proposta poderia ser algo bom afinal não tiveram um começo muito bom. Demorou um pouco para responder, estava ocupado ajeitando uma foto de um recém casal que havia feito. — E como poderia fazer isso? — perguntou o moreno. Torceu os lábios quando ouviu a pergunta, fechou o programa no computador e por fim encostou o corpo na cadeira deixando a cabeça um pouco levantada. Os olhos ficaram encarando por longos segundos a pintura m*l feita no teto que pedia por um socorro, infelizmente ninguém parecia ouvir sua voz e o amarelo descascado ainda continuava ali. — Bem, vocês podem conversar ou fazer algo diferente do habitual. — Retrucou o loiro, sua voz era baixa, afinal assim como tinha curiosos fora do trabalho também existiam curiosos dentro do trabalho. Nenhum lugar parecia ser totalmente seguro, paredes tinham ouvidos onde quer que fossem. — Ao menos perguntou o quê ela gosta?Que tipo de comida curte ou o quê ela não gosta de fazer? — Não. — Retrucou assim que o ouviu, ganhando um murmúrio irritado como resposta. — Você ao menos perguntou o nome dela Thomy? — É Elisa Green. Diogo não aguentou em conter o impulso, moveu as mãos para cima como se estivesse agradecendo por um milagre divino. E com um riso nervoso por ter sido visto o rapaz bateu o ponto, bloqueou a tela do computador e se levantou indo para o almoço como um desesperado, estava morto de fome e não aguentaria mais nem um segundo longe de alguma coisa para comer. Precisava desesperadamente encher a barriga ou iria se transformar em uma fera irritada e sem paciência alguma. — Bem, isso já é um milagre. — Rebateu o loiro um pouco debochado com o amigo, entrando na fila de sanduíches naturais. — Você ao menos entrou no site para saber algo sobre a sua namorada? Você sabe que pode fazer isso não? Da mesma maneira que ela tem direito a uma prévia das suas informações, você também tem Thomas. Ouvindo aquilo o moreno até largou o que fazia, digitando rapidamente o endereço do site e seu login indo até a parte de contratos onde estavam as informações sobre a mulher de cabelos vermelhos. — Ahãm, é claro que sim. — Mentiu e no mesmo segundo escutou um risinho de sarcasmo do melhor amigo sabendo sem a necessidade de palavras ditas que ele não sabia sobre aquilo. Isso também só provava o quanto o conhecia, estavam "juntos" desde de sempre e por isso situações como aquela era considerada normal entre os dois. Apesar de ter escutado o som das teclas do teclado, Diogo sabia que a melhor coisa que o amigo havia feito até agora era aquilo. Thomas desde bem novinho era desligado, tanto que não achou incomum a reação que obteve depois de dizer aquelas coisas para o moreno ainda assim não resistiu em provocar um pouquinho o melhor amigo. — Você entrou agora não foi? Se xingou mentalmente, era difícil esconder algo de alguém que o conhecia até seu último fio de cabelo. — Sim. — Confessou o moreno, imaginando mentalmente o amigo reprovar aquele comportamento. Depois de pegar um suco e um sanduíche, o Diogo se sentou em uma das mesas do refeitório, tirando o lanche do embrulho e dando uma boa mordida no pão com salada e peito de peru. Era uma dieta louca e ele estava querendo muito burlar e comer uma coxinha deliciosa e esquecer todas as coisas sobre boa forma. — Então, Sherlock o quê descobriu? — questionou. — Bem, ela gosta de filmes românticos o que é algo esperado. — Suspirou profundamente, revirando os olhos tudo aquilo que leu era tão clichê que Thomas se sentiu como um protagonista de um filme romântico. — Também gosta de programas a dois, e quer encontrar um parceiro para o resto da vida como toda pessoa quando chega em uma certa idade. Diogo Vaz se manteve quieto, ouvindo tudo com atenção para que pudesse aconselhar devidamente o amigo. — Isso é tão clichê, ela é clichê, na verdade ela pediu pelo pacote clichê. Teve que rir com as reclamações do amigo, limpou a boca e tomou um pouco o do suco de maracujá olhando o relógio para saber quanto tempo ainda tinha antes de voltar a trabalhar. — Bem, se ela gosta de coisas envolvendo clichês, você pode planejar um programa se baseando nisso, não acha? Apertou os lábios um no outro, pensando no que seria adequado, porém não vinha nada muito bom em sua mente, na verdade todas as coisas que surgiam em sua cabeça pareciam ruins. Suspirou, virando o rosto na direção do melhor amigo. — E você tem alguma sugestão? — perguntou. Diogo demorou um pouquinho para responder, estava pensando no que seria adequado e também em algo que evitasse a morte de ambos ou evitar um cenário onde Thomas acabaria atrás das grades e ele teria que liberta-lo no fim. — Você gosta de cozinhar, não gosta? — questionou já sabendo a resposta que iria vir para aquela pergunta. Desde que conhecia Thomas Walter ele vivia sempre sendo o menino prestativo, o orgulho que toda mãe poderia encher a boca e chamar de filho para que todas as pessoas ali em volta tivesse um pouco de inveja já que o garoto era nota dez em tudo que fazia, seja na vida acadêmica ou não. Pelo menos isso foi até ele entrar na adolescência, depois dessa fase Thomas Walter nunca mais foi a mesma pessoa. O garotinho doce que ajudava senhoras a atravessar a rua havia se transformado no rapaz que fazia algumas garotas chorarem e não era de felicidade. Bom, como todo mundo uma vez na vida Thomas teve uma fase difícil - rebelde - felizmente não era mais assim, a vida havia cobrado que o rapaz crescesse e amadurecesse para que pudesse enfim encarar de cabeça erguida os problemas da vida adulta, além claro da famosa assombração chamada boletos no fim do mês. Quando conheceu Thomas Diogo Vaz não gostou nem um pouquinho dele, e esse ódio acabou sendo recíproco por parte do Walter que sempre que encontrava o loiro por aí acabavam montando um mini campo de batalha. Foi só um dia quando a vida esteve por um fio que ambos se aproximaram, percebendo que aquela briguinha boba de ambos era besteira e estavam perdendo tempo precioso com isso além claro das energias gastas cada vez que brigavam. Depois desse acontecimento ambos acabaram ficando próximos, inseparáveis pior do que chiclete quando gruda no cabelo. Diogo Vaz com pouco tempo de convivência havia se tornado mais que um amigo - melhor amigo - para Thomas Walter, o loiro havia se tornado seu irmão. Era a pessoa que o moreno procurava pedindo por socorro, assim como era a pessoa em que ele confiava seus segredos como agora por exemplo. Dificilmente iria se abrir assim com outra pessoa, porém como era Diogo Vaz ali sentado o rapaz de cabelos negros sentia se confortável em fazer isso. — Sim? — retrucou o moreno logo após ouvir a pergunta. Inicialmente não entendeu bem o motivo do melhor amigo fazer aquilo, já que sabia qual seria a resposta ainda assim o moreno resolvia cooperar um pouco com qualquer ideia maluca que estivesse passando pela cabecinha de Diogo Vaz. — Bem, você pode ensinar ela a cozinhar. O dia dos namorados está quase chegando e vocês podem cozinhar algo como chocolate ou coisas românticas assim, também é uma boa forma para se conhecerem e quem sabe acabar de uma vez por todas melhorando as coisas e pararem de ser gato e rato . — Aconselhou o loiro suspirando fundo e jogando a embalagem no lixo. — Mulheres gostam de demonstrações simples, seja você mesmo e nada fingindo e ela vai gostar de você ao menos é o que eu acho. Thomas torceu os lábios para esquerda e depois para direita. — Sabia que chocolate mata?E se ela tentar me matar com chocolate no meio disso? Diogo Vaz riu, bebendo o restante do líquido logo depois. — Não me diga que você está com medo dela Thomy? É só você evitar álcool e você vai sair de lá com as roupas dessa vez quem sabe. Bufou ouvindo a pequena provocação, às vezes se arrependia mortalmente de contar as coisas ao melhor amigo. — Você é tão engraçado, tão engraçado como tinta secando. — Retrucou o moreno ouvindo novamente a risada do amigo. — Bem, eu vou tentar ver algo ou pensar em outra coisa. Obrigado pela ajuda, Vaz. — De nada, meu amigo. Diogo Vaz o melhor conselheiro amoroso que você pode ter por um preço baratinho. — Retrucou o loiro ganhando um riso abafado como resposta. [...] Horas depois Elisa já estava acordada, enfiada em um pijama velho vendo algo na tv se protegendo do clima bipolar da cidade, de manhã fazia um calor insuportável a ponto dela sair suando da cama e ir direto para o banheiro sem pensar nem uma única vez em enfiar o corpo na água para quem sabe pudesse relaxar um pouco e agora pela tarde estava um friozinho com direito até mesmo a chuva. Um clima perfeito para dormir ou simplesmente não fazer absolutamente nada o dia todo, adorava dias assim. Na verdade, ela amava o frio já o calor não era lá muito fã. Perto dali um potinho de pães de queijo quentinhos fazia companhia a mulher que assistia com toda sua atenção uma comédia romântica. E do lado esquerdo uma caixa de lenços de papel para secar as lágrimas que caiam do rosto, ser uma manteiga derretida era algo horrível em partes e boa em outras. O interfone do apartamento tocou, gerando uma pequena reclamação dos lábios femininos. Não queria sair do sofá, a preguiça reinava em cada cantinho do seu corpo. Levantar, andar seriam coisas muito difíceis para fazer tendo tanta preguiça rondando por ali como estava acontecendo agora. Então inicialmente decidiu ignorar o que quer que fosse poderia esperar até o dia seguinte, hoje ela simplesmente queria fingir que não existia. Fechou os olhos e soltou a respiração, prestando toda sua atenção no filme e tentando não se chatear com o barulho irritante no fundo que tocava várias e várias vezes sem ao menos parar para respirar. Depois de alguns minutos ouvindo o interfone o silêncio finalmente voltou. Sorriu largamente com isso, mordendo um dos pães de queijo. Quando o filme finalmente chegou na parte boa, ela deixou a expressão “dura” ir embora e ser substituída por uma cara apaixonada. O mocinho do filme finalmente ia ficar interessante, eles estavam prestes a se beijar foi quando o barulho infernal retornou novamente. Agora mais alto e insuportável, grunhiu de raiva e vendo que o interfone não pararia de tocar a mulher se levantou, tirando o aparelho do gancho. Sem duvida alguma iria xingar até a quinta geração de quem quer que fosse. — Senhora Green?Desculpe incomodar já tão tarde da noite. É só que tem uma entrega para senhora aqui na portaria, pode mandar subir? Ouvindo a explicação rápida do síndico o ar irritado sumiu do rosto da jovem, ficando neutra. Não tinha pedido nenhuma comida pelo telefone, tampouco algo pela internet. — Entrega?De quê?Eu não pedi nada. — Olha senhora, é da loja de doces aqui perto. A senhora quer que o mande embora ou pode deixar subir? Ouvindo a palavra “doce” fez com que a mulher ficasse interessada, era uma chocólatra assumida. Na verdade, Elisa Green era uma grande amante de tudo que tivesse açúcar. Eles eram como seus melhores amigos, já que em parte de sua vida teve a companhia de doces e outras coisinhas. — Pode mandar sim, vou estar esperando. — Retrucou a mulher que não esperou pela resposta do senhor da portaria, desligou o interfone ajeitando um pouco o visual bagunçado e cobrindo o corpo com um roupão com as pantufas de coelhinhos nos pés, ela aguardava ansiosamente a visita. Demorou um pouco de tempo para ter algum sinal de vida dos chocolates, e quando teve Elisa ficou surpresa por ser duas caixas enormes do doce junto com um ursinho de pelúcia que era mais ou menos do seu tamanho, tendo a companhia de dois balões vermelhos em formato de chocolate. Agradeceu ao entregador e lhe deu uma gorjeta no fim, fechou a porta e os dedos imediatamente caminharam até o cartão junto das caixas o abriu e deixou um riso escapar dos lábios quando leu o conteúdo. “Sei que começamos bem errado ontem Elisa e os chocolates são uma oferta de paz, para melhorar tudo, o quê você acha de uma aventura pela cozinha amanhã?” Ass: Thomas Walter.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR