Pré-visualização gratuita A Aposta
Marcelo On
Se eu soubesse que a minha vida iria virar de cabeça para baixo jamais teria aceitado participar daquela brincadeira i****a, mas como eu iria imaginar que uma coisa dessas poderia acontecer.
As coisas foram ficando estranhas e muito complicadas e eu realmente não sei como sair dessa encrenca sem ferir os sentimentos dessa pessoa. Por favor, me entendam, em momento algum eu pensei em enganar alguém dessa forma, só que uma coisa foi levando a outra. Quando dei por mim, já era tarde demais e eu não tinha mais como desfazer toda aquela bagunça que se gerou.
Uma semana atrás, eu e minhas duas amigas estávamos na minha casa ensaiando para uma peça de teatro que teríamos que apresentar para um trabalho da escola. A Samira ficou insistindo que deveríamos fazer algo diferente, que deveríamos inverter os papeis, que elas seriam os “príncipes” e eu a “princesa” e foi aí que tudo começou.
Marcelo - Isso é ridículo Samira, eu não vou me vestir de garota. Todos vão ficar zoando da minha cara, você sabe como são os garotos.
Samira - Não se preocupe com isso, eu sou especialista em maquiagem. Nina e eu vamos te deixar irreconhecível.
Marcelo - Isso não vai funcionar e de maneira nenhuma eu ficaria bem como mulher.
Nina - Então vamos fazer uma aposta!
Elas se entreolharam e Samira deu um sorriso malicioso para Nina, o que significava que ela sabia exatamente o que a loira estava pensando.
Samira - Isso! Nós vamos te produzir e você vai ter que concordar com tudo que a gente quiser colocar em você.
Nina - E depois, claro, nós vamos testar o nosso trabalho e, se ninguém reconhecer você como garoto, você vai fazer o papel da “Hime” na peça. O que você me diz Marcelo?
Marcelo - Eu não sei não, isso parece complicado demais pra mim, mas espera, você falou em testar. Como vamos testar isso?
Samira - Amanhã tem uma festa naquela boate que a gente sempre vai, é perfeito. Vai ser a “Festa do Inverso”, ou seja, para entrar sem pagar as garotas se vestem de garoto e vice versa, entendeu?
Nina - Se barrarem você na entrada, nós ganhamos a aposta.
Marcelo - Tá legal, eu duvido muito que isso vai funcionar mesmo, então está combinado, mas com uma condição.
Samira - E qual seria essa sua condição?
Marcelo - Eu não quero que ninguém além de nós fique sabendo disso.
Nina - Se é só isso, tá tudo certo. Nós somos suas amigas Marcelo, nós nunca faríamos algo para te prejudicar.
Samira - Nina, nós só temos um problema... Roupas. O Marcelo não tem um corpo muito musculoso o que vai ajudar no disfarce, mas ele é maior que nós duas, não sei se vai ter alguma roupa nossa que fique bem nele.
Nina - Isso não vai ser problema. Esqueceu que eu trabalho em uma loja de roupas? Essa vai ser a parte mais fácil. Só precisamos definir qual vai ser o look.
Marcelo - Nada de vestido ou saia, eu não vou depilar minhas pernas de jeito nenhum.
Samira - Deixa de frescura cara, você quase nem tem pelos e as suas pernas são mais bonitas que as minhas. Aaaaah... Como esse mundo é injusto.
Nina - Samira, eu acho que o nosso maior problema vai ser esconder “outras partes” dele. Se usar um jeans apertado vai ser difícil disfarçar o... Sabe, o volume.
Marcelo - Aaaahh... Chega! Eu não vou fazer isso.
Samira - Nada disso, você disse que faria. A gente vai dar um jeitinho e esconder o seu brinquedinho. Hahahahaha...
Nina - Então está decidido. Calça jeans e uma camiseta com um decote discreto, assim fica mais fácil de arrumar os s***s.
Marcelo - Se... s***s? Fala sério, até isso.
Nina - Você vai ser uma garota por uma noite, é claro que vai ter s***s.
Marcelo - Eu... Que seja. Façam como quiser.
Samira - OK! Amanhã a gente vem aqui lá pelas oito da noite pra te arrumar e depois vamos para a festa.
Elas saíram da minha casa muito animadas e cheias de ideias para maquiagem, roupas entre outras coisas. Eu não deveria ter aceitado, não estou com bom um pressentimento sobre isso.
No sábado, na hora combinada elas chegaram com as mãos cheias de sacolas e uma maleta com uma infinidade de coisas para maquiagem.
Vocês devem estar se perguntando por que eu e elas somos tão íntimos. Bom, isso é porque somos amigos desde que eu me entendo por gente e desde sempre elas sabem da minha preferência para relações amorosas. Elas ficam tentando arrumar um garoto pra mim em toda festa que vamos e eu tenho certeza que hoje vai ser o pior dia para isso, afinal hoje eu vou ser uma garota também. Definitivamente isso não vai acabar bem. Eu preciso de toda sorte ao meu lado nesta noite.
Fui tomar banho enquanto elas arrumavam tudo, quando voltei já estava tudo preparado e as minhas roupas em cima da cama. Uma calça jeans desbotada com algumas partes rasgadas, uma camiseta preta com um decote bem discreto e que vai ficar bem colada no corpo e é aí que vem à parte mais constrangedora. Ela vai realçar os “meus s***s”, mas o pior ainda estava por vir, se fosse só o sutiã tudo bem, mas calcinha também... Aquilo já era demais pra mim.
Marcelo - Não, não, não! De jeito nenhum que eu vou usar isso, cal.. calcinha... Não...
Nina - Não começa a dar piti agora. Como você vai usar uma calça jeans justa como essa de cueca? Eu tive muito trabalho pra achar uma calcinha que iria ficar boa e que vai ajudar a esconder o seu amiguinho aí.
Samira - Veste isso de uma vez e não reclama. Anda logo com isso que ainda temos a maquiagem e o cabelo para ajeitar.
Acho que de tudo que me fizeram vestir, o sapato foi o que menos me desagradou. Um sapato com um salto não muito alto, preto e fechado na frente, como elas chamam mesmo, é... Meia pata. É um nome estranho, mas o importante é que era confortável e não apertava os meus dedos.
Depois de uma hora ou um pouco mais elas terminaram e ficaram paradas como duas bobocas admirando a sua obra de arte. Eu levantei para me olhar no espelho, mas fui prontamente impedido.
Samira - Nada disso, você só vai ver como ficou quando a gente chegar à boate.
Marcelo - Eu nem vou questionar isso, só... Tem certeza que essa peruca não vai cair?
Nina - Pode ficar tranquilo, está bem presa, ela não vai cair. O mais importante agora Marcelo é a sua voz, tente não falar muito e quando falar modere o máximo que conseguir, se fizer isso fica perfeito.
Samira - Agora eu acho que falta alguma coisa, um acessório...
Marcelo - Acessório... Acho que tenho um perfeito para uma noite como essa. Achei! Esse colar vai ser perfeito, afinal vou precisar de muita sorte essa noite.
Samira - O que tem de especial nesse colar?
Marcelo - Eu ganhei de uma pessoa que me ajudou muito anos atrás, ela me disse que ele era o seu amuleto da sorte.
Nina - Outro dia você conta essa história direitinho pra gente, mas agora que já está tudo certo, nós temos que ir.
Marcelo - Espera! Vocês não vão se trocar também?
Samira - É uma festa do inverso, mas não é obrigatório ir vestido de acordo. Nós concordamos que vai ser mais fácil pra você se a gente for assim, normal.
Nina - E Marcelo, não se esqueça da sua identidade, você vai precisar dela para poder entrar. Vamos que o carro que eu chamei já está nos esperando, não podemos deixar a nossa obra de arte ser danificada no caminho, né Samira.
Samira - É isso mesmo. Chega de papo, vamos logo que eu estou muito ansiosa para essa noite.
Quando entramos no carro, o motorista ficou encarando e isso me deixou um pouco preocupado. Será que ele percebeu que sou um garoto? Será que eu estou parecendo um travesti? Eu não sei se vou conseguir fazer isso, eu estou muito nervoso, pois se descobrirem que sou eu, vão ficar rindo de mim o resto do ano. Esse é o meu último ano na escola, eu quero que ele seja marcado por coisas boas e não por uma coisa tão vergonhosa como essa.
Muitos dos nossos colegas de aula vão a essa boate também, então nada pode dar errado ou eu vou passar muita vergonha.
Logo que chegamos à boate, já encontramos alguns dos nossos colegas. Liam e Mário estavam vestidos de mulher também e estavam muito ridículos. Os dois estavam usando saia curta, com as pernas peludas à mostra, que visão dos infernos. Eu fiquei apavorado quando o Liam veio falar com a gente, mas logo me tranquilizei, pois ele não me reconheceu e eu logo saberia o porquê.
Acho que nem mesmo os meus pais me reconheceriam assim. Eles entraram na frente e eu fiquei esperando enquanto as meninas compravam as suas entradas. E, como elas haviam previsto, eu fui barrado na entrada.
- Desculpe senhorita, mas essa é a festa do inverso. Como você não está vestida de acordo, vai ter que comprar a entrada lá no caixa.
Nina - Viu... Hahahahaha... Eu falei que ia dar certo.
Samira - Nina, nós somos demais. Ele vai ter que apresentar a identidade.
Marcelo - Eu... Errr... Eu estou vestido de acordo sim moço. Eu sou um garoto...
- Tá legal, então eu sou a Cinderela.
Samira - Mostra logo pra ele a sua identidade, eu quero entrar.
Samira me entregou a identidade que estava na sua bolsa e eu entreguei para o segurança que ficou olhando com uma cara de desconfiado pra mim.
- Isso só pode ser falso, não tem como você ser esse cara aqui. Essa identidade é falsa.
Marcelo - Aaaah que chatice cara, eu já me enchi disso. Se você não acredita no que está vendo então que tal isso...
Eu já estava puto da vida por ter que passar por uma situação daquela e aquele cara ainda ficou me enchendo. Eu me aproximei dele, peguei a sua mão e a coloquei sobre o volume que estava escondido entre as minhas pernas e a reação dele foi demais. Ele parecia um pimentão de tão vermelho que ficou e sem mais nenhuma palavra apenas deu passagem para que entrássemos na boate. Depois que entrei foi que eu me dei conta do que havia feito. Eu não sei como tive coragem de fazer uma coisa daquela, minhas mãos não paravam de tremer. Aquilo foi muito ousado, mas ainda bem que é só por uma noite.
Assim que entramos, a primeira coisa que fiz foi ir ao banheiro para ver como fiquei e, à medida que me aproximava ficava mais curioso, afinal vários caras ficaram me encarando.
Nunca pensei que seria tão embaraçoso entrar em um banheiro feminino e, eu fique paralisado quando me vi naquele espelho de corpo inteiro. Aquela garota que estava refletindo ali era eu mesmo? Só podia ser uma alucinação. O segurança tinha razão, não tem como esse reflexo ser o Marcelo sem graça que eu sempre vejo no espelho e, por mais que se olhe não tem como dizer que aquela imagem no espelho não é uma garota.
Samira - E então, o que achou? Ficou perfeito, não é?
Nina - Pensando bem, nem foi tão difícil assim. Você é muito bonito Marcelo, nós só realçamos um pouco mais a sua beleza natural. Ser loiro, alto e ter esse espetacular par de olhos azuis cintilantes, facilita muito também.
Marcelo - Eu ainda não consigo acreditar que aquela ali sou eu, isso é muito surreal. Vocês realmente fizeram um trabalho incrível.
Samira - Por favor, não vai chorar agora e borrar a maquiagem. Vem, vamos aproveitar a festa que a noite está só começando.
Nina - Eu tenho certeza que hoje você vai poder ficar com quantos garotos você quiser.
Marcelo - Eu não posso fazer isso! Mesmo que eu fique com alguém e mesmo que depois eu nem o veja mais, ainda assim, eu não acho isso certo. Não posso ficar com um garoto vestido assim, eu estaria o enganando.
Samira - Deixa disso! Eu sei que não parece certo, mas vai ser só essa noite que você vai estar assim. Só por hoje você vai ser uma garota, então aproveita.
Eu não iria perder a noite toda pensando no que era ou não o certo a se fazer, apenas iria aproveitar e deixar rolar.
Depois de beber um pouco da bebida que as garotas pegaram, eu tomei coragem e fui pra pista dançar. Sentia como se todos estivessem olhando pra mim, isso era tão estranho, eu sentia que poderia fazer qualquer coisa. Naquela noite eu não era o Marcelo, eu era uma garota e poderia fazer o que quisesse, pois no dia seguinte aquela garota deixaria de existir e tudo sobre ela ficaria só na lembrança.
Depois de beber um pouco eu fico muito mais à vontade para conversar e dançar, afinal sou uma pessoa muita tímida normalmente. Já estava cansado de dançar então fui sentar em uma das mesas que ficavam em volta da pista. Não fazia ideia de onde aquelas duas haviam se metido, deviam estar ficando com alguém em algum canto. Que inveja!
Nem depois de beber consegui aceitar ficar com os garotos, não me sentia bem sabendo que estaria os enganando. Naquela noite muitos vieram falar comigo e alguns até tentaram me beijar e, agora entendo pelo que as garotas bonitas passam. Esses caras só se interessam se a garota for bonita ou gostosa, nenhum deles tentou, ao menos, estabelecer um diálogo antes de sair passando a mão ou qualquer coisa do tipo.
Eu já havia dado a noite por encerrada, só precisava achar aquelas duas para avisar que estava caindo fora e, mesmo se elas não quisessem ir, eu iria. Quando ia saindo, alguém foi empurrado e acabou caindo por cima de mim. Eu não podia crer naquilo, a Nina iria ficar uma fera comigo. Ela disse para eu ter cuidado com as roupas e o sapato, pois era tudo emprestado e, mesmo assim, eu estraguei o sapato.
Quando ele caiu em cima de mim eu pisei em falso no degrau e o salto do sapato quebrou. Meu pé doía um pouco, mas o que doeria mais seria o meu bolso, pois eu teria que pagar por eles agora.
- Ai... Mas que d***a! Não acredito nisso...
- Me desculpa. Eu sinto muito mesmo. Me deixe ajudá-la a se levantar. Você está machucada?
Ele se levantou e estendeu a mão para mim.
- Eu...
Fiquei sem palavras quando olhei para todo aquele conjunto de beleza que estava estendendo gentilmente sua mão para me ajudar. Lindo, ele era lindo demais. Cabelos e olhos escuros, pele clara e levemente bronzeada e seu rosto tinha um ar muito gentil.
- Eu, não. Eu estou bem, só o meu salto que quebrou. Caramba, eu não acredito nisso, a minha amiga vai ficar uma fera comigo. Ela ainda nem pagou por eles e eu já quebrei.
- Não se preocupe com isso, foi culpa minha então eu faço questão de pagar por essa despesa. É o mínimo que posso fazer.
- Imagina, não precisa. Isso acontece e, eu já estava indo embora mesmo. Obrigada pela ajuda.
- Espera! Deixa eu te pagar uma bebida então, como um pedido de desculpas.
- Talvez em uma próxima vez.
- Não quero parecer chato, mas eu... Algo em você me chamou a atenção. Eu só quero conversar um pouco, o que me diz?
Eu sei que não deveria ter feito isso, não deveria ter aceitado o seu convite, mas quem iria adivinhar no que isso resultaria.
Eu aceitei o seu convite, ele buscou algumas bebidas e nos sentamos para conversar. Foi o primeiro cara da noite que quis conversar comigo, que não foi logo tentando me agarrar. Pelo contrário, ele parecia ser um cara muito sério e certinho, além de ser muito lindo.
Não conseguia tirar os meus olhos dele e, os seus olhos negros pareciam me enfeitiçar. A cada minuto que se passava eu sentia cada vez mais que deveria ir logo embora, não poderia engana-lo, não poderia deixa-lo acreditar que eu era uma garota. Eu sabia que provavelmente nunca mais iríamos nos ver, mas mesmo assim eu não queria fazer qualquer coisa para iludi-lo.
- Desculpe incomodar, mas será que posso tirar uma foto de vocês?
- Foto? Não eu não...
- Por mim tudo bem. Vai ser uma honra ser fotografado ao lado de uma garota tão linda.
- ...Tudo bem, é só uma foto, que m*l há nisso.
Ele se aproximou, sentando-se ao meu lado, e praticamente colou seu rosto com o meu quando a foto foi tirada.
- Obrigado. A foto vai estar no site da boate amanhã. Boa noite.
- Já estou ansioso para ver como ficou.
- É, m*l posso esperar... Eu acho que vou indo agora, ainda tenho que achar as minhas amigas.
- Espera, é... Qual seu nome? Eu me chamo Cristian.
- Mar...
Eu não podia falar o meu nome verdadeiro pra ele, o que eu faria. Olhei em volta e então vi uma garrafa de bebida muito conveniente.
- Martina, meu nome é Martina.
- Martina. Eu te acompanho, afinal por minha culpa você está com o salto quebrado. Vamos fazer assim...
Ele se abaixou e tirou o salto bom do meu pé e o quebrou.
- Pronto, agora os dois estão iguais, você vai conseguir andar melhor assim.
- Você é doido! Por que quebrou o outro também?
- Assim eu fico te devendo uma e então podemos sair amanhã e eu te compro um sapato novo. O que acha?
- Eu acho que está na minha hora.
- Espera!
Ele segurou o meu braço me impedindo de continuar.
- Só uma dança então. Eu vou falar com o DJ e vou pedir uma música pra gente, espera aqui.
- Só uma dança...
Ele falou com o DJ e logo voltou com um lindo e enorme sorriso estampado em sua bela face, pegou minha mão e me puxou para a pista assim que a música começou. Uma música lenta, daquelas que se dança bem coladinho. Isso não faria bem para o meu pobre coração.
Dançar assim tão perto de um garoto não era nada bom. Eu podia sentir o calor do seu corpo, o seu perfume suave e gostoso e a sua respiração próxima do meu rosto. Toda aquela junção de fatores estava me fazendo perder a razão e isso não poderia acabar bem.
Eu aguentei até onde deu, mas quando ele sussurrou algo no meu ouvido, que eu nem lembro o que foi, senti meu corpo todo se arrepiar, a minha respiração ficou mais pesada e senti que a temperatura do meu corpo aumentou.
Não sei como começou, só sei que quando dei por mim já estava entregue, me deliciando com o sabor daqueles lábios maravilhosos que haviam me provocado por todo aquele tempo. Quando ele desceu sua mão até a minha cintura e aproximou mais os nossos corpos, foi que eu me dei conta do que estava fazendo. Eu estava beijando ele, beijando um garoto, eu não podia fazer aquilo. Aquilo era errado, pois eu também era um garoto e estava o enganando. Eu o empurrei meio sem jeito e saí de lá apressado.
- Desculpa... Me desculpa. Eu não posso fazer isso. Sinto muito...
- Espera! Por que está... Se desculpando...
Graças aos céus a Samira e a Nina estavam perto da saída. Elas perceberam o meu desespero e nem questionaram nada. Fomos embora e eu não disse uma palavra se quer o caminho todo de volta. Elas me conheciam bem o suficiente para saber que não era hora para perguntas, por isso não questionaram nada, mas eu sabia que na manhã seguinte elas iriam me bombardear com milhões de perguntas querendo saber tudo que aconteceu.
Dormir já não seria uma tarefa muito fácil para mim naquele dia, não depois de tudo que havia acontecido, e ainda mais quando se tem duas intrusas na sua cama. Ainda bem que eu tenho uma cama de casal no quarto. Eu só comprei essa cama por causa delas que vivem se enfiando na minha casa para passar a noite. Já estou mais do que acostumado a dormir espremido entre elas e, pra ser sincero, até que eu acho isso confortável.
Eu moro sozinho há dois anos, desde que meu pai foi promovido na empresa em que trabalha e teve que mudar de cidade e a minha mãe, claro, foi junto. Eu fiz o maior drama e me neguei a mudar de cidade alegando que aqueles seriam os meus últimos anos na escola e eu queria encerrar ali, junto com os meus amigos. Eles concordaram desde que eu fosse bem nas aulas e sempre mandasse notícias, e a cidade que eles foram morar não ficava muito distante também.
Sempre fui um garoto muito comportado e responsável e por isso eles confiam muito em mim e me deixaram morar sozinho e, é por isso que essas duas malucas não saem da minha casa.
Analisando aquela noite e como tudo aconteceu, acho que aquele colar da sorte realmente funciona, afinal ninguém me reconheceu, eu não passei vergonha e ainda beijei um garoto muito lindo e gentil.