Pré-visualização gratuita Prólogo
Em um universo paralelo, onde todos os contos de fadas são reais, onde a magia existe, onde lendas e mitos são parte das história antiga da Terra de Potentia. Depois de todas as lutas contra vilões e os mocinhos terem se juntado com a intenção de dar fim as maldições e vilania, separaram uma ilha para colocar todos os ditos vilões, dando fim a uma época de sofrimento e escuridão. Em uma reunião com todos os grandes príncipes e princesas, foi decidido que um deles deveriam governar e manter a paz. Com toda a benevolência, escolheram os mais antigos, Cinderela e Henry, ou príncipe encantado e depois de muito tempo, as coisas se acertaram, e até mesmo os vilões que foram banidos para uma ilha sem magia. E todos tem vivido felizes a todo sempre...
- p***a nenhuma. – Solto sem querer em voz alta, chamando a atenção de todos a minha volta. Não ligo muito para os olhares de julgamento e alguns surpresos, mas não posso simplesmente conter.
A verdade é que misturar o que as pessoas chamam de “os encantados” com o mundo “normal”, onde tudo o que as histórias são o que são, histórias, nunca me deixou animada como certas pessoas acham. O tal do juntar o real e o mundo magico é só mais um jeito de esfregar na cara de uns que nunca poderão ser normais e na cara de outros que aquelas realidade nunca será a sua, independente do quanto se esforce e do que faça.
Tudo uma d***a de ilusão e isso já me deu no saco. Para ser justa, eu tentei, de verdade, no começo, quando minha mãe, decidiu que o reino de Arendelle estava muito bem com o reinado de minha tia Ana e do tio Kris, e quis vir para a parte humana, cara, eu estava animada e até feliz, mas eu percebi que isso não era o que eu esperava e isso meio que tirou toda a magia que eu tinha do lugar do meu coração e instalou o frio que sempre esperavam de mim. E se queriam o frio, eu daria, nunca me incomodou de qualquer forma. Eu não estava feliz, as pessoas não aceitam tão bem assim o diferente e isso mexeu comigo de uma forma que eu mudei e mesmo depois de tanto falar com mamãe e ela me dizer para continuar tentando, que aquele era nosso lar agora, que eu precisava me adaptar, bom, não foi o que fiz. E quando me dei por mim, eu já era considerada perigosa, fria e considerada uma adolescente problemática. A verdade, é que eu só queria voltar a época que era feliz, mas como não era ouvida... me fiz ser, só que da minha maneira.
- Quer dizer alguma coisa senhorita Colddark? – O professor que mais parece ter saído de um sarcófagos pergunta, tirando os óculos e me encarando com uma expressão fechada. - Tem algo para compartilhar com o resto da turma?
Solto um suspiro e reviro os olhos, minha paciência com aquela escola já estava no limite, consegue ser pior do que a última que fui expulsa.
- Vocês falam sobre essas histórias de contos de fadas com tanta admiração e lá não passa de um lugar sem sinal de celular que ainda usa pombos correio para se comunicarem. – Tiro as minhas pernas de cima da mesa, sem ligar que o movimento fez a saia do uniforme subir, deixando minhas coxas grossas a mostra. Pisco para alguns dos garotos que focaram no pedaço de pele exposta, sem fazer questão de ajeitar.
- Você fala como se já tivesse estado lá. Todos sabemos que só conseguimos entrar por convite do Rei e...
- Blá, blá, blá! Sim, já sei disso tudo. Esqueçam, só continuem com essa ilusão de mundo ideal do outro lado da barreira.
Todos os alunos começam a falar ao mesmo tempo e o professor meio perdido por ter parecido explodir a bomba da discórdia na sala. A culpa não é minha se muitos ainda tem esse sonho de conhecer as fronteiras e quem sabe até mesmo conhecer algumas das personalidades famosas que habitam o outro lado. É ridículo! E sim, fui proibida de usar meus poderes, de falar de onde venho, quem são meus pais e tudo o que inclui chamar atenção. O que é obvio que não dura, já que não tenho paciência e assim que algo acontece, eu simplesmente arrumo um jeito de sair.
O professor ainda está tentando controlar o debate acalorado que incitei de algum modo, e eu estou sorrindo, as vezes, o caos me encanta, mais do que deveria, mas mamãe depois da minha terceira expulsão me levou em uma fada, para ter certeza de que estava tudo bem comigo e descobriu que minha tendencia de me tornar uma vilã é quase zero. Quase. Não entenderam do porquê do meu comportamento rebelde e chamaram de fase.
Bom, já que sou uma rebelde, vou fazer por onde, certo? Já cansei dessa escola, desses professores, dessas matérias e dessas pessoas. Me levanto, quando o professor está ameaçando tirar nota de quem não ficar quieto.
- Onde pensa que vai Cristal? A aula ainda não acabou! – O professor praticamente grita, provavelmente me culpando indiretamente pela zona que a sala ficou depois dos meus comentários.
Giro no lugar, com um sorriso pequeno e falso.
- Sabe o que é? Eu cresci ouvindo tudo isso e já estou de saco cheio de ouvir, então vou dar no pé.
- Eu... como? – Adoro que o faço ficar confuso o bastante para demorar a chegar ao pensamento de que deve me parar, me castigar ou até mesmo me tirar pontos. Depois de risadas ecoarem na sala, ele pisca duas vezes antes de ficar com o pescoço e as orelhas vermelhas. – Volte para seu lugar senão vou ser obrigado...
- A que? Me castigar? Me dar detenção? – Reviro os olhos mais uma vez e dessa vez, sei que a cor de mel de meus olhos, mudaram para o branco brilhante, porque os que estão mais perto exclamam e o professor que é o alvo de meu olhar frio, tropeça na cadeira quando dá passos para trás assustados. – Eu não estou mais aguentando essa tortura! Já disse e vou dizer de novo, a vida não é um conto de fadas, acha que a magia resolve tudo? – Minhas palavras saem pesadas e roucas conforme solto minha verdadeira eu, depois de tanto tempo, o gelo nas minhas veias quase me congela de felicidade. Aponto para o teto e uma nuvem começa a se formar rápido, até que eu abra a mão e comece a nevar, gerando um burburinho assustado ou gritinhos. Me viro de novo para o professor que olha a cena com olhos arregalados por trás daquela armação de óculos redonda. – Não existe felizes para sempre, já que o sempre nunca chegou.
Sei que estou soltando fumaças gélidas. Para finalizar, dou um sorriso cheio de dentes reúno um pouco de poder apontando para as janelas, fazendo elas congelarem e se partirem em vários pedaços. Antes que possam sair correndo, já do lado de fora da porta, subo uma parte grossa de gelo e por pensamento, faço uma nevasca se formar dentro da sala.
Enquanto ando para fora da escola tranquilamente, cumprimento o zelador que só me olha passando, vendo que onde eu toco se congela. Dou um tchauzinho antes de abrir as portas da saída, e não olhar para trás.