Capítulo 2

2046 Palavras
Assim que o carro para na frente do castelo principal, já reviro os olhos. Vendo que tenho uma d***a de comissão de boas-vindas. Sorridentes demais. Espero o motorista dar a volta e abrir a porta para mim, estendendo a mão educadamente para me ajudar a descer do carro. A sua mão está tão gelada que fico preocupada por dentro, mas não demonstro nada e nem tenho tempo, pois uma senhora radiante com mais três pessoas igualmente sorridentes atrás dela, já se pronuncia. - Olá Cristal! É tão bom tê-la aqui em Auradon! Seja muitíssimo bem-vinda a nossa humilde ilha. - Humilde? – Não consigo me segurar e franzo o cenho dando uma inclinada para o lado, olhando para tudo. – Tem literalmente uma estátua do que me parece ouro maciço da Bela e do Adam, bem na frente de um castelo gigante de quatro andares. - Cinco. – Um garoto loiro, lindo e fofo, fala, o que me faz virar para ele. - Como? - O castelo principal, tem cinco andares e conta com duas torres ao fundo. – A voz dele foi diminuindo conforme completava a frase, provavelmente intimidado pelo meu olhar frio. - Como disse, humilde. – Volto o meu olhar para a mulher radiante, que olha com um sorriso um pouco menor. – Certo. - Enfim! Por que não nos apresentamos? E então vamos levá-la para a diretoria cumprimentar o rei e rainha e pegar a chave do seu quarto. – Quando só fico olhando para ela com desinteresse, ela bate palmas uma fez fazendo fagulhas coloridas voarem. – Já deve ter ouvido falar de mim. Sou a Fada Madrinha! – Ela faz um floreado com as mão e a sua varinha aparece. Quando não reajo, ela só limpa a garganta e se vira para a outra mulher vestida toda de rosa. – Essa é Flora. - Prazer! Gostei da sua sapatilha! – A voz esganiçada me surpreende, mas o elogio me pega desprevenida e olho para baixo, vendo que escolhi o meu sapato rosa. Dou um sorriso sem graça e volto a minha atenção para Fada Madrinha. - E bom, esse é meu filho, Jimin. Ele é o presidente estudantil desse ano, então qualquer coisa que precisar, é só falar com o meu filhote. – A fada fala orgulhosa e se vira para apertar a bochecha fofa do rapaz, que cora de fora adorável e sorri, deixando os seus olhos quase se fecharem em meia-lua. - Mamãe! – Ele fala sem graça, mas não chega realmente a ser uma reclamação. - Bom e essa aqui é a neta de Cruella, Ella. – Pisco confusa por um momento. - Eu sei o que vai dizer, meus pais foram muito criativos no meu nome. – A menina com cabelos, metade branco, metade preto toma a frente e me cumprimenta com um firme apertar de mãos. - Hum... gostei do cabelo. – Na verdade, eu fui pega desprevenida de novo. Me esqueci completamente da oportunidade que o Rei dali abriu. Filhos de vilões que gostariam de ter uma chance, poderiam se candidatar a uma vaga ali. Parece que a geração passada se deu bem mesmo. - E eu do seu. – Ela dá mais um passo e pega uma mexa, analisando. – É natural? Dou um passo para trás pela proximidade repentina. O que a faz sorrir e só dar de ombros, voltando para onde estava antes. Não conhece espaço pessoal, anotado. Para ser justa, o lugar é lindo e arejado. Tem bastante espaço de lazer para os alunos que ficam no dormitório que tem ali. A biblioteca é gigante e pelo que entendi é cuidada pelos filhos de alguns dos sete anões. Passamos por algumas salas de aula que tem naquele castelo, e mais salas de descanso onde já tem alguns estudantes conversando. Enquanto fada madrinha me explica alguns horários de aula e como posso pegar o mapa para não me perder, eu divago um pouco. Já tinha me esquecido da sensação de estar envolta em magia e contos de fadas. É estranho e fico me sentindo de alguma forma deslocada, mesmo que ali seja de certo modo o meu lugar. - E espero mesmo que entenda que as regras são fundamentais para a paz e um bom convívio. – Perdi metade do que Fada Madrinha disse e só percebi quando paramos em uma porta grande no fundo de um corredor gigante. - Sobre as regras... – Ela suspirou exasperada, tentando manter a calma, entendendo que eu não estava prestando atenção. - Basicamente, sem reuniões barulhentas, ou seja, festas, os dormitórios são separados por gênero, então não passar essa regra, sem bebida, sem substâncias ilegais e o horário de recolher é as nove e nos finais de semana as onze. – Quem me responde com simpatia é Jimin, mas só estalo a língua e concordo, o fazendo murchar um pouco. - Ok, então. – Fada Madrinha parece finalmente perceber que eu não estou ali de bom grado, mas só suspira e bate na porta, logo recebendo uma autorização para entrar, e ela abre as portas gigantes com um toque da varinha. Assim que entro e vejo o casal sorridente no meio da sala gigante, eu paraliso por um momento. Acho que fiquei tanto tempo sem querer saber do que estava acontecendo dentro da barreira, só tendo informações sobre meu reino, que simplesmente perdi coisas importantes demais para se perder. Minha risada primeiro é contida, mas logo depois, eu acabo gargalhando, deixando todos confusos pela minha reação, mas aquilo me pegou mesmo. - Acho que fiquei fora tempo demais. – Falo entre risos e dou passos para o centro onde o casal ainda me olha confuso. Na verdade ele me olha confuso, ela está séria e talvez um pouco na defensiva. – Eu definitivamente não esperava isso. Quem diria que agora até mesmo vilões podem ter finais felizes, não é mesmo? Estou frente a frente com m*l. A filha de Malévola e pela coroa em sua cabeça, digo com toda a certeza, que ela é a nova rainha de Auradon ao lado de Ben, filho da Bela e da Fera. _____________________________________________________________________________ Anos. Vão fazer, para ser mais exata, dezenove anos, antes mesmo que eu nascesse, que o príncipe Ben, na minha idade, resolveu dar essa chance para os filhos dos vilões, escolhendo alguns para poder saírem da ilha e estudarem em Auradon. Quem diria que daria tão certo que ele até mesmo foi conquistado de alguma forma pela filha da Malévola, aquela que amaldiçoou um bebe. Então sim, para mim é engraçado pensar que tudo o que aconteceu aqui, resultou em uma rainha filha de uma vilã. Sei que minha reação não deve ter sido bem-vista, mas para ser sincera, eu não estou nem aí. m*l é a primeira que sai do transe confuso e tenta dar um sorriso. - Cristal. Princesa de Arendelle. Seja bem-vinda a nossa escola. Espero que possa aprender e fazer amizades que provavelmente durarão a vida toda. Meu sorriso falso é claramente visto pelos monarcas que se olham e se voltam para mim. - Estamos avisados de que talvez você não se esforce para se adaptar aqui. – O rei começa, mas eu só reviro os olhos e fito a janela, enquanto ele continua a falar. – Mas tenho certeza de que se você der uma chance... - Olha, majestade, com todo respeito – Eu o interrompo, fazendo os que estão atrás de mim, prenderem a respiração audivelmente. – eu não queria estar aqui. Isso é mais como um castigo de minha mãe. Não acho que vou gostar daqui, e nem estou interessada em nada que tenham para me oferecer, então por que não cortamos o papo furado? Eu vou ficar aqui, como se fosse invisível. Vocês não me enchem e eu não causo problemas. Parece bom? Ótimo! Que bom que nos entendemos. Agora se puder me dar a chave de meu quarto... - Não é assim que nossa escola funciona, Cristal. – Dessa vez é m*l que fala e ela dá um passo para frente, me fitando com atenção. – Nós presamos por educação e aprendizado, sim, mas queremos que nossos alunos estejam felizes, fazendo amizades, tendo uma visão de futuro. Não queremos que você seja um fantasma, queremos que queira aprender e que queira viver. Quem sabe seu felizes para sempre não está por aqui? - Não vem com essa m***a para cima de mim não, m*l. – Sei que estou passando dos limites quando ouço a reclamação das fadas atrás de mim e do som das surpresas em voz alta dos outros na sala, mas não paro. – Eu não acredito em finais felizes e não tem nada que uma vilã possa fazer quanto a isso. - Não sou uma vilã. - Não sei não, querida, ouvi algumas coisas que... – Dou de ombros com um sorriso provocador, e sei que funciona quando vejo os olhos verdes brilhando perigosamente, onde até mesmo o rei fala o nome de m*l. – Para mim, uma vez vilã, sempre vilã. As janelas se quebram, alguns gritos surpresos e pisco uma vez para poder me defender, mas quando o ataque direto não vem, eu decido atacar. Dou um passo para frente onde m*l está respirando devagar e quando abre os olhos de novo, eu sorrio e libero o frio. Formo uma barreiro de gelo grosso o bastante para nos separar dos que estão do lado de fora e uso magia para que não nos ouçam. - O que está fazendo, Cristal? Não seja assim. Eu sinto que você não é assim. – m*l tenta argumentar e vejo que ela usa magia para se aquecer de dentro para fora. - Eu não sou assim? Você não me conhece... - Eu não conheço, mas sua mãe já me falou muito sobre você e tudo isso que você está passando é só medo. Aqui, nós podemos te ajudar, só basta você deixar! - Medo? – Ela realmente não sabe do que está falando. Julgando que minha mãe fez o trabalho completo de falar sobre mim, ela deveria saber que não é um bom tópico para me trazer. – Você achar que eu tenho medo? Você não sabe o que é medo, m*l! – Ela dá um passo para trás, mas a barreira a impede. Sei que por fora, fada madrinha está tentando pensar em uma maneira de entrar, sem quebrar tudo, porque pode nos machucar, mas decido que tenho tempo. Talvez o meu plano dê certo mais cedo do que eu pensava. – Vou te mostrar o que é medo. Dou passos rápidos para perto dela e ela se arma, mas só dou uma risada e devagar, toco em seu pulso. Vejo o arrepio que passa pelo seu corpo e só o que faço é deixar a outra parte de mim sair. Um ** preto surge e nos rodeia. Me viro e dou a volta por ela, vendo o que está se formando. Fico surpresa quando a areia do medo forma um berço. Na nossa frente, o pior pesadelo de m*l começa a se formar. Um berço, ela, o Ben e mais uma pessoa, parece um garoto, ficam ao redor, mas de repente os dois a abandonam, e uma névoa sobrevoa a criança dentro do berço e algo acontece... Uma maldição o atinge. Não posso deixar de soltar uma risada curta sem realmente achar graça. m*l cai de joelhos no chão, na mesma hora que ouço gritos preocupados do lado de fora da barreira de gelo. - Tem medo de que a abandonem ao perceber quem você é de verdade? – m*l está chorando, abraçando o próprio corpo enquanto eu me sento da cadeira que tem ali, analisando o que vi. – Ah não! É ainda pior! Tem tanto medo de que uma maldição atinja o bebê, com a ironia c***l do destino? – Dou mais um pausa quando sinto a barreira começar a derreter e a quebrar. Me viro para m*l que ainda olha para onde o berço está. Vejo seus olhos piscarem e me levanto de supetão derrubando a cadeira para trás e tapando a boca com a mão ao perceber a verdade. Ela não está abraçando o corpo pelo medo, ela está abraçando a barriga para p******o. - Você está grávida?!
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