Ívyna Laurent
A pequena fresta entre as cortinas possibilitavam o raio de sol entrar, me atravessava, pegando em uma parte do meus rosto. Não esquentava, estávamos no inverno, mas a pequena claridade incomodava meus olhos. Os cocei, e aos poucos enquanto meu espírito se conectava ao meu corpo, fui sentando na cama. Já tinha todo o intinerário montado na mente, ia levantar, escovar os dentes, tomar um banho e depois um café bem quente com algumas torradas e ir para a faculdade. Dançaria e seria cobrada pela professora por ter feito algum passo m*l feito. Porém, a porta do meu quarto se abre e toda a minha esperança de um dia programado morre quando meu pai, acompanhado de minha mãe diz:
—Se veste de pressa, precisamos conversar!
❃❃❃❃❃
Desci as escadas e passei pelo corredor extenso, fui até o escritório do meus pai, entro pela porta, mamãe estava sentada na poltrona com uma postura tensa, meu pai andava de um lado a outro quase furando o chão por impregar tanta força nos passos.
—Olha, se foi por causa de ontem a noite, eu sinto muito, mas eu precisava mesmo ouvir uma música e dançar.
Meu pai para no mesmo instante me olhando um tanto confuso, e o olhar da minha mãe trocou de preocupado para bravo.
—Sinto que o assunto não é esse —dou um sorriso meio amarelado e meu pai volta a andar de um lado a outro.
—Sente-se, por favor, filha.
Caminho até a poltrona ao lado da Senhora Laurent e me sento, masntendo a postura reta para não ouvir reclamações.
—Ser ilegal na política não é questão de escolha —começa falando, e eu sinto um bolo no estômago se formar — É uma obrigação! É sobre dançar conforme a música dos mais antigos, eles te dão fim se não fizer, se for contra.
—Ok...? E aonde quer chegar com isso, papai?
Ele levanta a mão num sinal claro para eu me calar, a lareira atrás dele com as chamas dançando e o crepitar das madeiras começando a me incomodar um pouco.
—Por anos lidamos com jogo de cintura com algumas situações criminosas, grandes, e que envolvem muitos dos que trabalham comigo.
Ele para de falar e caminha até a bancada de madeira, abre uma caixa de charutos, pega um e o acende. Olho para o lado, o rosto de minha mãe vermelho como uma pimenta, preferi nem perguntar nada, nem ao menos comentar alguma coisa, o ambiente estava pesado, a energia estava esquisita por aqui.
—Como um Diplomata tive que me submeter a situações para hoje termos o que temos, uma casa confortável, empregados... Mas existem os que sugam isso tudo, oferecendo troca de favores, e no final a gente se afunda por não querer que o padrão de vida caia.
Quando meu pai finalmente olha para mim, vejo os olhos marejados, sentia o coração apertar, embora não entendesse nada do que estava acontecendo, sentia que tínhamos algum problema.
—Sinto muito, minha filha, mas foi a nossa única opção... Não querem pagamento da dívida em dinheiro... Eles querem você, pois sabem que és meu bem mais precioso.
Me levanto tão rápido da poltrona que meu espírito não acompanha, levo uns segundos para me equilibrar.
—Quem, papai? Tem como explicar isso um pouco melhor? Eu, estou confusa, e o senhor está me assustando! —olho para trás, buscava algum apoio da senhora Laurent, mas nada veio dela, além de um olhar distante —Pai... O quue está acontecendo?!
—Tenho dívidas altas com a Máfia Russa! E eles me deram duas opções para pagar. Ou minha cabeça, ou um casamento, um casamento entre você e o chefe deles.
Meu coração acelerou, bateu tão forte que parecia que iria quebrar minha caixa torácica... Levei as mãos até os cabelos, tentando controlar o nervosismo, mas não funcionava.
—Eu vou entender se não aceitar, ívyna! Afinal, esse problema é todo meu.
Então era isso?
Um casamento...
Ou a morte do meu pai...
O único que sempre me acolheu nessa casa, que sempre me entendeu e nunca me julgou, era óbvio que escolheria a primeira opção. O problema era meu também, graças a essas ações ilegais estudei na melhor escola, estudo na melhor Universidade, sempre comi e vesti o bom e o melhor... Na verdade, queria que fosse mentira! Minhas mãos tremiam, era como se estivesse dentro de um filme de terror, a garganta arranhava, o estômago gelava..
—Tudo bem... É isso, ou sua morte, não é? —respirei fundo —a ligação de ontem, eu ouvi o senhor conversando com desespero ao telefone essa noite... Era sobre isso, não é?
Ele não responde, apenas anda até mim e me puxa para um abraço, daqueles bem apertados.
—Me perdoa, filha, juro que nunca fiz nada disso com más intenções.
—Eu sei, papai...
Escuto o som do salto de minha mãe bater contra o chão, esperava que fosse me abraçar, mas ela apenas saiu pela porta, indo embora... Nem em momentos assim ela era capaz de me amar? Não via que precisava dela? Do afago? Da proteção? Ela apenas se foi...
—Não ligue para ela, sua mãe não sabe lidar com o choque.
—Tudo bem , já estou acostumada —suspiro me libertando do abraço, levanto o queixo e olho com firmeza nos olhos dele —quanto tempo tenho em liberdade?
Antes que ele pudesse responder, minha mãe volta a sala, estava com o rosto avermelhado, e a ponta do nariz também.
—O Senhor Baranov vem lhe conhecer no almoço, esteja pronta e muito bem afeiçoada, o casamento será na semana que vem, seja educada.
Diz apenas isso e sai novamente.
Deixando a filha segurar o peso do mundo sozinha nas costas.
❃❃❃❃❃
Estava de frente para o espelho do quarto, olhava tudo ao redor, ainda não tinha caído a ficha.
Como se dorme depois de uma noite tão maravilhosa, e se acorda no inferno? Assim do nada? Quando foi que a vida decidiu que seria o certo meter reviravoltas repentinas?
Meus fios ruivos e longos estavam soltos, apenas com um laço verde musgo, da cor do vestido de inverno que usava, prendendo um pouco dos cabelos atrás. Não usava maquiagem forte, nunca gostei, por mais que minha mãe insistisse, as vezes usava um baton vermelho nos lábios, o que era o caso hoje. As bochechas estavam rosadas naturalmente, queimavam na verdade por ansiedade e medo...
Espirrei o perfume suave no pescoço e coloquei um colar fino de pérolas pequenas, apenas para dar uma enfeitada, não era como se estivesse indo para um encontro, não era como sentir o frio na barriga enquanto imagino beijando pela primeira vez, estava me arrumando para o abatedouro, talvez, sabe se lá o que esse cara vai fazer comigo...
—Senhorita Laurent, sua presença está sendo convocada na sala de estar —a empregada dizia de forma mecânica.
—Já desço, obrigada por avisar...
Me olho mais uma vez no espelho e solto aquele sorriso melancólico, o que antecede uma tragédia.
Desci os degraus com calma, com elegância, e mesmo sem olhar para qualquer lugar que não fosse o mármore brilhoso dos degraus, percebia todos se levantando, o frio alcançava meu estômago com força, e meus dedos tremiam me obrigando a segurar firme no corrimão, quando chego no último degrau, levanto os olhos devagar e aí, meu peito queima.
Dmitri estava ali...
O homem que esbarrei ontem cedo...
Desviei meus olhos rapidamente, se ele fosse o cara com quem iria casar, pelo menos eu estaria mais tranquila.
—Senhor Baranov... Essa é munha filha, Ívyna Laurent.
Levanto os olhos e quem caminha até mim é outro homem de mais ou menos um metro e setenta de altura, quase a mesma minha, seus cabelos tinham um corte que eu conhecia como undercut por estar na moda, repartido ao meio e com fios platinados, os olhos eram negros como a noite, o andar elegante interrompeu quando chegou de frente para mim. Tinha uma feição fina, também elegante, e o cheior do perfume era cítrico, não era r**m. Ele pega minha mão e leva até os lábios beijando o dorso como um carinho, e isso arrepiou meu corpo. Não o achei feio, mas não era bonito como Dmitri que mais parecia um príncipe de conto de fadas.
—Estou encantado com a beleza de minha noiva, é um prazer lhe conhecer, futura Senhorita Baranov... Você ppode me chamar de Viktor.
—Viktor... —repito o nome bem baixo, testando ele no meu tom de voz. —é um prazer, conhcer... você.
Ele sorriu e se afastou, deu as costas e puxou meu pai para conversar. Meus olhos se grudaram em Dmitri, e vi quando ele deu um leve sorriso, o suficiente para fazer meu coração bater forte.
Pecar não é uma consequência...
Sempre será uma maldi.ta escolha!