Angel narrando.
O caminho até aqui é longo. A trilha é estreita, a vegetação se fecha em volta da gente, e o barulho do mundo desaparece devagar, dando espaço só para o som dos nossos passos e do cavalo. Mas eu não reclamo. Não pergunto nada. Porque padrinho não deixa, e porque eu não sei se quero mesmo saber pra onde ele me leva. Só sei que estou com ele. E isso deveria bastar.
Minha vontade era me mover, tentar me ajustar, é tão desconfortável ficar em cima desse bicho enorme, com um homem gigante atrás de mim, mas ele já me mandou ficar quieta algumas vezes, e olha que em uma delas eu só respirei um pouco mais fundo, não sei o que incomoda tanto ele quando estou perto assim, eu gosto tanto de estar ao lado dele.
Meu corpo ainda sente o calor das mãos dele na minha cintura. Ainda sinto a forma como ele me segurou quando me colocou na sela. Firme. Como se eu fosse dele. E eu queria ser. Queria tanto que chega a me deixar confusa, o que só me deixa mais desconfortável.
Mas ele parece distante agora, guiando as rédeas sem falar nada, o chapéu cobrindo parte do rosto que eu queria tanto ver.
Quando o som da água começa a surgir ao longe, eu me endireito um pouco, atenta. Ele não diz nada, só aperta mais as rédeas e me puxa com ele. Logo, saímos da trilha apertada e damos de cara com a visão mais bonita que já vi na vida.
A cachoeira cai do alto, a água clara e brilhante se espalha na pedra antes de descer pro lago pequeno que se forma ali embaixo. Tudo parece calmo, o ar fresco. Por um instante, eu até esqueço de respirar.
Ele desce do cavalo primeiro e então se vira pra mim, sério. Sempre sério, mas tão bonito.
— Desce — manda, sem levantar muito a voz,quando eu tento, me apertando contra ele no processo sou contida.
Ele salta primeiro e quando está no chão me puxa pela cintura.
Eu obedeço. Meus pés tocam o chão e as pernas parecem estranhas, meio bambas, mas não reclamo. Quando olho pra ele de novo, vejo que já prendeu o cavalo a um lugar cheio de grama alta que ele logo começa a comer.
Sem me olhar ele se aproxima de uma pedra grande, seu chapéu foi largado em cima de uma outra pedra. Depois desfaz os botões da camisa devagar, como se isso não fosse nada. Mas é. Pra mim, é tudo.
Observo cada centímetro de pele exposta, sinto meu rosto queimar vendo tudo isso, o padrinho é um homem lindo.
Ele me olha, parado, como se esperasse que eu fizesse o mesmo. Meu coração dispara.
— Tira o vestido. Vamos nadar Angel. — É uma ordem, não um pedido.
Eu fico parada, sem saber pra onde olhar. As mãos meio travadas nos botões do meu vestido simples. Mas eu desabotoo. Devagar. E quando puxo o tecido pelos ombros, sinto o vento gelado tocar a minha pele nua. Fico só com o biquíni que ele comprou pra mim.
Rosa, simples, mas me sinto exposta de um jeito que nunca senti antes.
Nunca estive assim na frente de homem nenhum, e eu não queria revelar iss, mas fico feliz de me mostrar para o padrinho
Ele olha. Rápido. Mas olha. E isso me queima inteira.
Quando volto a erguer os olhos, ele já desabotoa o jeans. Puxa devagar, tirando a calça, até ficar só de cueca escura, colada no corpo.
Eu engulo seco e abaixo o olhar, mas é impossível não notar. O corpo dele é grande, forte, marcado. A pele bronzeada, os músculos que se movem quando ele pisa mais perto da água.
— Vem, Angel — ele chama. E eu vou. Não posso não ir.
Me aproximo, sem saber o que fazer com os braços, com o olhar… comigo. Mas ele não espera. Segura a minha mão e puxa junto. A água parece gelada de primeira, mas ele não me solta.
— Vem mais. — A voz dele é baixa agora, mais perto, percebendo meu receio com a água.
Ele caminha até onde dá pé pra ele, e me leva junto. A água sobe pelo meu corpo, deixando minha pele arrepiada, os pelos dos braços se levantam. E ele percebe. Porque se aproxima mais, até o peito dele quase tocar meu ombro, eu consigo sentir o perfume dele perto assim.
— Respira. Relaxa. — As mãos dele seguram minha cintura de novo. Diferente de antes. Agora é devagar, é com calma. Mas firme.
Ele sabe a força que tem, eu estou encantada com cada parte dele.
Eu respiro. Tento. Mas o ar não entra direito.
— Não sei nadar, só banhar. — digo a ele que olha no fundo dos meus olhos, e apenas assente com a cabeça, seguindo seu olhar até minha boca que me desconcentra.
— Eu vou te ensinar a boiar primeiro — ele diz, como se fosse simples. Como se meu coração não estivesse batendo mais forte do que nunca. — Confia em mim.
Eu confio. Não sei como, mas confio. Então me deixo ir um pouco pra trás, sentindo as mãos dele me segurarem. Uma na base das minhas costas, outra sob minha cabeça. Me sustenta, e eu tento seguir o que ele diz.
— Fecha os olhos. Escuta a água. — Ele fala devagar, e eu obedeço.
Meus cabelos se espalham na superfície, e a corrente me balança de leve. Mas ele tá lá. Segurando. Forte. Seguro.
Fico assim um tempo. Não sei quanto. E quando abro os olhos de novo, vejo o rosto dele tão perto que sinto a respiração quente na minha boca.
— Padrinho… — sussurro. Minha voz falha. Não sei o que quero dizer. Ou sei.
Ele afasta um pouco, a mandíbula travada. Mas não me solta.
— Está boiando sozinha. — ele diz e quando percebo a verdade eu afundo.
— Agora tenta nadar até mim. Devagar. Eu tô aqui.
Ele se afasta, andando para trás, mais fundo, em um momento meus dedos do pé não encostam em mais nada, e eu me sinto igual um cachorro, mas vou até ele, eu quero ele.
Eu tento. Movendo os braços, como ele ensinou, respirando como ele mandou. E chego perto de novo. Perto demais. Ele me segura pelos quadris quando eu quase afundo, e nossos corpos se encostam. Não há mais nada entre nós.
Eu o abraço com meu corpo, sentindo uma rígidez contra o meu biquíni, dou uma leve risada por isso e o abraço, deito meu rosto em seu ombro, ele fica um tempo paralisado, sem saber o que fazer.
E então sinto sua palma em minhas costas, acariciando minha pele lisa, e é tão bom, eu ficaria o dia todo assim.
— Angel, você não é a p***a de um anjo, você é o fruto da tentação, o maldito conhecimento do pecado. — ele desabafa e não entendo, ele está me comparando ao fruto do paraíso?
— Porque padrinho? — questiono trilhando meus dedos por sua pele, tão firme.
— Não se faça de inocente. — ele acusa e rio baixo, ele sabe que eu o desejo?
— Eu o quero padrinho. Quero tanto que nem penso direto. — afirmo e um suspiro pesado sai de seu peito.
Eu ergo minha cabeça, o olhando ansiosa por uma resposta, ele me olha paralisado, sério, quase como se estivesse se preparando para algo.
— Você me quer também? — pergunto o que tanto anseio saber, mas ele não responde, apenas me olha, isso é um sim?
Minha mão sobe pela pele do peito dele, quente, molhado, até tocar o ombro largo. Eu chego mais perto. Meus lábios quase tocam os dele. Quase.
Mas ele se afasta de repente. Como se algo o queimasse.
— Chega Angelina. — A voz dele é dura. Rápida.
Ele anda um pedaço comigo e me larga onde consigo me manter em pé, saindo apressado, quase que com raiva de mim, eu fui uma tola mesmo.
— Veste sua roupa. Vamos embora.
Eu fico parada, sem entender. O peito dói. Mas obedeço. Subo pela margem, pego o vestido e visto com pressa, ainda sentindo o corpo molhado, pesado de desejo. Ele não olha pra mim enquanto se veste. Só pega as coisas e caminha até o cavalo.
Ele sobe primeiro e corro até ele com medo de ficar, apenas estendendo o braço ele me ajuda a montar em suas costas, seguro em sua cintura e seu corpo enrigece com o contato, poxa Angelina, você errou feio.
E ele me chamou de Angelina, eu serei punida?
[...]
Durante todo o caminho de volta, o silêncio é espesso. Eu seguro nele, como antes, mas ele parece feito de pedra agora.
Quando a casa aparece no horizonte, tomo coragem. Minha voz sai baixa, preciso pedir desculpas, fui oferecida, o padrinho não me quer de verdade.
— Padrinho… eu…
— Não fale, Angel. — Ele explode, a voz dele é um trovão, mas ele não me chama mais de Angelina, ele está menos bravo?. — Você é nova demais pra isso, para me querer de verdade, está confundindo as coisas, não sou como você me vê.
As palavras batem forte no meu peito, como um tapa. Eu me calo. E não digo mais nada, é errado eu querer alguém mais velho?
Antes de chegar perto do lugar dos cavalos ele solta minhas mãos do corpo dele com certa grosseria e indica que eu desça, segurando em minha mão e ignorando o medo eu desço, mordendo minha língua para não gritar, mas logo alcanço o chão novamente.
— Vá fazer suas coisas, não me espere para nada hoje, não comerei em casa, não sei que horas volto ou se volto hoje.
Uma chave é jogada para mim e assim ele anula minha função saindo com seu cavalo que agora corre mais rápido do que tudo, meu objetivo aqui é basicamente cuidar dele e da casa, o que irei fazer nesse tempo? Eu nunca fiquei sozinha aqui.
Quando ele some na minha visão eu corro para dentro de casa, tranco a porta por dentro e respiro fundo, perdida por onde começar e o que posso fazer.
Se ele não vai retornar hoje eu não preciso cozinhar, tudo está limpo... eu não sei o que faço agora, sem o padrinho não sei.