Tinha alguma coisa errada no ar. Eu sentia. Não era paranoia. Era intuição. Marcelo andava estranho. Escondendo o celular, demorando pra responder, chegando mais tarde. O olhar estava distante. O beijo, mecânico. O toque… rareando. Ele achava que eu não percebia? Logo eu? Ouvi tanto sobre a fama de policial mulherengo. Que era pior que bandido. Que tinha sempre um “plantão extra” por fora. Nunca quis acreditar. Marcelo era diferente… ou eu queria acreditar que fosse. Mas estava entalado. E quando ele entrou pela porta naquele dia, largando as chaves em cima da bancada, camisa amarrotada e cheiro de rua, eu não aguentei mais. - Você tá me traindo, Marcelo? Falei direto. Sem curva. Ele parou no meio da sala. Olhou pra mim como se não tivesse entendido. - Oi? Tá falando o quê? - ele r

