4 O preço de um amor proibido

1082 Palavras
Capítulo 4 Heitor Gomes Narrando Meu nome é Heitor, tenho 18 anos, sou alto, moreno e tenho uma tatuagem no braço que todo mundo repara quando passo. Sou o melhor amigo da Gabi — desde moleque, parceiro pra tudo. Ultimamente a gente anda meio afastado, mas sempre que dá eu chamo ela no w******p e ficamos fofocando até tarde, rindo de besteira e relembrando os velhos tempos. Moro sozinho desde os dezesseis. Antes morava com meu tio, mas ele se mudou para São Paulo. Eu preferi ficar. Minha vida tá aqui — os amigos, a escola, a academia onde treino e dou aula. Sinceramente, não vejo motivo pra mudar... a não ser que a melhor amiga da Gabi quisesse algo comigo. Sim, estou falando da Mika. Desde que a conheci, algo mexeu comigo. No começo era só atração, nada sério. Mas o tempo foi passando e, sem eu perceber, comecei a sentir algo diferente. Pedi pra Gabi nos apresentar e, depois disso, tudo mudou. Cada conversa, cada risada... tudo me fazia gostar ainda mais dela. Só que ela não sabe — nem a Gabi sabe. Esse é o meu segredo, e talvez um dia eu tenha coragem de contar. O final de semana foi tranquilo. Saí com os amigos pra uma baladinha e, no domingo, fiquei de boa em casa, pensando nos treinos da semana. Quando dei por mim, já era noite. Deitei e acabei pegando no sono. Na segunda, acordei cedo e vou caminhando pro colégio. O ar está fresco, e o céu meio nublado. De repente, vejo minha melhor amiga andando distraída pela calçada. — Gabi! — grito, e ela leva um susto. Chego perto dela, rindo. — O que foi? Tá com cara de quem tá no mundo da lua. Ela suspira, mexendo no celular. — Estou pensando em mandar uns currículos... saí de casa, sabe? Minha mãe vai casar de novo. Na hora, sinto que tem algo a mais. Melhor amigo sente, é tipo radar. Mas finjo acreditar. Uma hora ela me conta. Caminhamos juntos até a escola. Quando chegamos, as amigas dela estavam esperando — Pri, Vick e... Mika. Meu coração dá um pulo. Ela tá linda. O cabelo solto, o sorriso tímido... tudo nela me atrai. — Oi — digo, meio sem graça, e entro na escola tentando disfarçar o sorriso bobo que escapa. Mika e Vick Assim que a Gabi chega, a gente percebe na hora que tem algo errado. O olhar dela tá distante, como se tivesse deixado a alma em outro lugar. — O que houve, Gabi? — pergunto, tentando parecer casual. Ela responde baixinho: — Depois da aula eu conto. Mas se preparem... vocês vão cair pra trás quando souberem quem é o meu padrasto. — Ah, pronto! — diz a Pri. — Agora eu estou curiosa! Enquanto isso, a Vick me cutuca rindo: — Mika, quase teve um infarto quando o Heitor chegou, né, rapariga? Reviro os olhos, fingindo indignação. — Eu? Tá doida? — Aham... a gente viu o jeito que você olhou pra ele — provoca. — Quando vai se declarar? — Nunca, né! — rio, sem graça. — Até parece. Ele é gato demais pra olhar pra mim. Pri retruca: — Quem disse que você é feia, menina? Somos lindas, bebê! Falamos sobre a balada do fim de semana e Gabi até se anima: — Estou precisando mesmo sair de casa e curtir um pouco. — Então fechou! — digo. — A casa vai estar livre, minhas coroas vão viajar. Nem percebemos o tempo passar, e quando o sinal toca, já é hora de ir embora. No fim, mudamos o plano e vamos pra casa da Ruiva mesmo. Gabi — Ufa, demorou mas chegamos — digo, jogando a mochila no canto. As meninas se sentam na cama e me encaram com expectativa. — Agora fala — diz Vick. — O que aconteceu? Nunca te vimos assim. Respiro fundo. O coração acelera. É como se eu estivesse prestes a abrir uma ferida. — Lembram quando falei que ia ao shopping com minha mãe? — Sim — respondem juntas. — Então... naquele dia eu acordei estranha, até liguei pra vocês. A Pri e a Mika disseram pra eu não ir, mas se eu ficasse em casa, minha mãe ia encher o saco. Então fui. Conto que, quando voltei do banheiro, um cara chegou e falou “oi, amor”. Na hora, gelei. Reconheci a voz, mas preferi fingir que não. Quando olhei pra frente... fiquei paralisada. — Quem era? — pergunta Mika, aflita. — O Isaac — respondo, sentindo a garganta travar. — O homem que minha mãe tá namorando... é o mesmo por quem eu estou apaixonada. Todas ficam em choque. — Meu Deus, Gabi! — diz Pri. — Como isso aconteceu? — Também queria saber... — sussurrou. — Naquele dia eu chorei tanto. Minha mãe percebeu e perguntou se eu estava bem. Eu menti. Depois perguntei se ela gostava dele e ela disse que estava apaixonada. Baixo a cabeça. — Agora não sei o que fazer. Conto a verdade ou escondo isso pra não destruir a felicidade dela? Mika — Amiga, vou ser sincera: você tá frita. — Ela ri sem graça, mas o olhar é de preocupação. — Mas olha, não dá pra chegar na tua mãe e dizer “mãe, estou apaixonada pelo seu namorado”. Segura por enquanto. Evita ficar no mesmo lugar que eles, pensa bem no que sente. Você mesma disse que não quer magoar ela. Pri cruza os braços: — Eu penso diferente. Você devia esquecer ele. O cara te fez esperar e, quando voltou, apareceu com a tua mãe. Isso não é amor, é covardia. Vamos pra balada, conhecer outros gatinhos. Vick suspira: — Eu já vou direto ao ponto. Você tá lascada, mas entendo o que sente. Só que uma hora tua mãe vai ter que saber, ainda mais se ele for morar com vocês. Então... guarda esse segredo por enquanto, até ter certeza. Ela faz uma pausa e encara Gabi com seriedade. — Mas e se ele quiser falar com você sobre isso? Tá preparada pra ouvir o que ele tem a dizer? O silêncio toma conta do quarto. Gabi abaixa os olhos e, por um instante, parece distante — como se já soubesse que esse encontro vai acontecer. Ela pega o celular, desbloqueia a tela e vê uma notificação: Mensagem de Isaac: “Podemos conversar?” E quando essa conversa acontecer... nada mais vai ser igual
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