Era uma manhã ensolarada e a brisa corria de forma suave anunciando boas novas. E não era para menos, as pessoas cantavam e dançava com grande alegria nas ruas de Kels, capital de Slat, o país mais próspero de toda a terra de Vinyah. A festa se dava em comemoração ao nascimento do mais novo integrante da sagrada família real. Mais um Alderis estava nascendo depois de toda nação pensar que havia sido amaldiçoada por Janus, o deus supremo, em não permitir um herdeiro ao trono. No palácio real, o rei Angus aguardava ansioso pela chegada do príncipe ou princesa, porém seu semblante era de angústia e tristeza. Isso por que a criança que estava nascendo não era sua linhagem e sim de seu irmão mais novo o príncipe Lars.
A tristeza de Angus se dava pelo fato de, apesar de estar casado a mais de dez anos com sua bela esposa, a rainha Neres, ele ainda não havia sido agraciado com o dom da paternidade. Seu irmão mais novo, o príncipe Lars que havia se casado recentemente, em pouco mais de um ano tornou-se pai. Mas mesmo assim, no fundo ele estava feliz por seu irmão e pelo fato do trono de Slat não ficar vazio. Enquanto ele estava pensativo em como teria de lhe dar com o fato de ter um sobrinho como seu sucessor, um mensageiro começou a correr e a gritar pelos corredores até chegar à sala do trono.
— Louvado seja Janus! Louvado seja Janus! O príncipe nasceu! Os deuses ouviram nossa petição e nos deu um herdeiro ao trono de Slat! Louvado seja Janus, majestade. — o mensageiro vibrou diante do rei com grande alegria.
O rei fechou os olhos, sua expressão era de desapontamento, mas com um sorriso meio apagado o ele respondeu ao mensageiro — Louvado seja Janus!
Enquanto o mensageiro dava a notícia de que o parto embora tenha sido difícil, a princesa Lídia, esposa de Lars, foi muito forte e o bebê havia nascido sem sofrer nenhum dano. Logo em seguida Lars entra na sala do trono onde está seu irmão e com um sorriso largo diz.
— Irmão, eu sou pai! Sinto uma emoção tão grande que não posso descrever!
— Meus parabéns Lars! Eu fico muito feliz não só por você, mas por toda Slat. Já que Janus e todo panteão decidiu fechar o ciclo de minha linhagem, pelo menos a sua permanece e nosso sangue não se perderá. — disse Angus abraçando o irmão.
— Isso mesmo! O sangue dos Alderis perpetuará. E não fique triste, pois eu sinto que seu dia também irá chegar e, você irá segurar seu filho nos braços! Agora vamos. Venha conhecer seu sobrinho!
Os irmãos deixaram a sala do trono e seguiram rumo aos aposentos da princesa Lídia. Esta era filha de um monarca governante de uma ilha chamada Torgha, um lugar que ficava no extremo Norte de Erdhania e era extremamente frio. Regia havia adorado Slat por seu clima agradável durante a primavera e o verão e seu casamento com Lars selou um acordo muito importante entre os dois reinos. A rainha Neres também seguiu com o marido para conhecer o pequeno príncipe. Ela que teve um casamento arranjado entre seu pai, um príncipe que governava uma ilha chamada Ethyria e o jovem rei Angus. Seu pai selou um acordo comercial com Slat dando sua filha ao rei como cumprimento de um tratado, mas Neres se recusou a princípio, porém quando viu o jovem rei, apaixonou-se perdidamente por ele aceitando assim se casar.
Ao chegar ao quarto, o rei Angus espantou-se com a beleza da criança. Um lindo menino de cabelos escuros e olhos azuis e frios, ele mais parecia alguém gerado pelo próprio Janus e a deusa da fertilidade e da beleza, Sara.
— Não é a criança mais linda que você já viu? — perguntou Lars bastante sorridente.
— Sim — respondeu Angus. — Ele é tão belo que nem parece ser uma criança comum. E olha que eu já vi muitos bebês lindos, mas esse menino possui algo especial. Como você irá chamá-lo?
Lars olha para Angus e temendo uma reação contrária do irmão ele revela o nome que gostaria de dar a seu filho — Eu queria muito, se não for contra sua vontade meu irmão e rei. Que ele se chamasse Timo, assim como nosso pai!
— Timo? Mas eu sempre quis dar esse nome a meu filho quando o tivesse. Por favor, irmão, eu ainda tenho esperanças. — respondeu o rei com tristeza.
As mulheres nada diziam. Neres apenas observava e Regia seguia mimando seu pequeno príncipe. Foi quando Lars pôs a mão direita sobre os ombros de seu irmão.
— Eu entendo você meu irmão. Por isso irei respeitar seu desejo e darei a meu filho o nome de nosso avô, Aklon! — disse ele com um largo sorriso, tal ação fez com que um brilho pairasse no rosto de Angus.
— Um bom nome e uma homenagem justa! Nosso avô Aklon foi o rei mais poderoso e forte que Slat já teve. E com certeza, caso eu não venha a ter filhos, Aklon, seu filho governará esta terra com a mesma força e justiça que nosso avô a governou. — disse Angus abraçando o irmão.
O rei então tomou a criança em seus braços e ao olhar no fundo dos olhos de Aklon, Angus vê um brilho como o brilho do Sol em seu ápice. Ele sorriu e segurou a pequena mão do príncipe, que aperta seu dedo mindinho com força.
— Nossa! Como ele é forte! Certamente dono de um vigor invejável. Slat estará em boas mãos caso um herdeiro não nasça de mim. — mais uma vez o rei repetiu suas intenções, olhando para Aklon e sorrindo.
Apesar de se esforçar para não deixar transparecer seus sentimentos, Neres não estava contente com o fato de um rei não nascer dela e ver que Angus já estava mais feliz. A criança havia dado ao rei uma alegria que ele não sentia desde seus tempos de menino. Ele devolve o bebê para sua mãe e a adverte que ela deveria cuidar até que estivesse pronto, pois depois de crescido, Lars e ele se encarregariam de torná-lo o rei que Slat merecia.
Lídia tomou de volta seu filho e continuou com seus cuidados. As aias cuidavam para que tudo ocorresse o mais perfeito possível, pois logo o príncipe seria apresentado ao povo.
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Uma semana depois, um aglomerado gigantesco de pessoas vindas de todas as partes de Slat estava em frente ao palácio real para a apresentação do jovem príncipe. Entre a multidão estava um guerreiro chamado Remo. Este fazia parte da guarda pessoal do governante de Clessis, uma das muitas cidades daquele país. Remo tinha um sonho, o de servir no sagrado exército real de Slat e ele sabia que um dia o mesmo seria realizado.
De repente as cortinas do Capitólio se abrem. Surge a família real com a princesa Lídia segurando seu filho. Um brado estrondoso se fez ouvir da multidão que aclamava dizendo — BENDITO SEJA JANUS E O PANTEÃO! BENDITA SEJA A SAGRADA FAMÍLIA REAL!
— Povo de Slat — exclamou o rei — por muito tempo nós sofremos a angústia de não termos um herdeiro para o trono de nosso país. Mas Janus olhou para nós com benevolência e nos deu esse presente. Eu lhes apresento… Aklon Frederich Alderis, A luz de Salt.
— Bendito seja Aklon! Bendito seja Aklon — a cidade gritava com alegria.
O rei então ordenou que todos festejassem a chegada de Aklon e que três dias de festa pelo seu nascimento estariam registrados na história daquele país. Remo se contorcia entre a multidão para chegar mais perto do Capitólio e assim poder ver o príncipe, mas não foi possível. Porém ele não se abateu e seu grito sobressai aos dos demais. — BENDITO SEJA AKLON! BENDITO SEJA NOSSO FUTURO REI!
No momento em que a família real se retirava o rei Angus não deixou de ouvir o brado de Remo. Ele rei olhou para trás, mas fez de contas não ter levado em consideração a manifestação do jovem guerreiro.
As cortinas do Capitólio se fecharam e a festa continuou na cidade. Remo olha sorridente para o palácio e com muita fé ele virou-se na direção onde ficava o templo dos doze deuses e esta foi sua prece.
— Oh grande Janus que tudo sabe e tudo vê! Eu sei que o senhor é comigo e que a criança recém-nascida veio por teu intermédio, por isso, que eu ache graça diante de ti e faça com que eu me torne um de seus guardiões! —Remo fez a prece de olhos fechados e quando os abriu ele viu uma luz brilhar no alto da torre do templo. — Obrigada, grande Janus — disse ele. — Eu vou servir ao meu príncipe! Eu e minha família seremos os seus guardiões!