Três dias de festa ocorreram em Kels e no último dia os reis das nações vizinhas vieram conhecer o mais novo príncipe de Slat. Todos estavam presentes exceto Zaila, a soberana de Estakhr, ela havia decidido que visitaria o príncipe em uma ocasião menos festiva. Isso por que Zaila estava pretendendo pedir ao conselho das nações do Ocidente, que revogassem o Targol. Ela alegava que devido à família real não possuir um herdeiro, na velhice do rei Angus, um que não tivesse o sangue dos Alderis deveria ser escolhido.
Com tudo a rainha de Estakhr foi pega de surpresa ao saber que o irmão mais moço de Angus estava prestes a ser pai. Ela ficou furiosa e decidiu mudar de estratégia. No entanto os reis de Luma, Kelonnia, Sinéria e Anísia compareceram a Kels. Na sala do trono Lars e Lídia seguravam o pequeno Aklon enquanto os monarcas, um a um iam entregando seus presentes. O primeiro a reverenciar Aklon foi Garsiv o Grande, rei de Sinéria.
— Em nome de todo o povo de Sinéria, eu Garsiv o Grande, presenteio a Aklon, a Luz de Slat, com um filhote do cavalo mais maravilhoso cavalo de toda Sinéria. Askot lhe será além de seu cavalo, um amigo. Trago também joias para adorná-lo ainda mais. — esses foram os presentes do senério.
O segundo foi Nasron, soberano de Anísia. Ele veio acompanhado de seu filho Finard, a quem estava preparando para suceder, pois já estava demasiado velho e devido a sua fraqueza por conta da idade avançada, foi o príncipe Finard quem fez as honras naquele dia.
— Em nome de toda Anísia eu presenteio Aklon, A Luz de Slat, com uma coleção dos mais preciosos livros de história e conhecimento científico de nossa nação. Que esse presente seja proveitoso a seu príncipe, soberano Angus! — disse Finard curvando-se em reverência aos soberanos Slat.
O rei Angus ficou sem palavras diante da declaração de Finard, pois o filho não era do rei e embora todos o soubessem, para muitos Aklon seria o próximo rei de Slat. O terceiro a reverenciar Aklon foi o soberano de Kelonnia, Dubhal, o lança de Prata. Isso porque uma lança prateada fora passada de soberano há soberano desde os primórdios de sua linhagem.
— É com muita honra com que venho cumprimentar o príncipe em nome de toda Kelonnia! Como presente eu também lhe trago livros com grandes conhecimentos sobre toda a sorte de ervas conhecidas para a cura ou para a desgraça. Também lhe trouxe joias e tecidos finos! — esses foram os presentes do soberano kelonnio para a alegria dos sábios daquele país.
O rei de Kelonnia entrega seus presentes e se afasta dando lugar ao último monarca, Khan III, o rei de Luma. Khan reverencia o príncipe e com um gesto ordena a seus servos que traga seus presentes a Aklon. Como vêm de uma cultura oriental eles são muito espiritualistas.
— Reverencio ao mais belo dos príncipes com o ouro trazido do Oriente. Também trago sementes das mais finas hortaliças e frutas orientais, bem como joias e perfumes. Ofereço-lhe também o amuleto de Jin, o deus supremo do sol e protetor do povo de Luma! — com um largo sorriso, Khan entregou seus presentes.
Após todos os presentes recebidos, o rei ofereceu-lhes um grande banquete. Mas a pergunta que não quer calar é a ausência de Zaila, porém todos sabiam das ambições da rainha quanto a tomar Slat para si e seguiram comendo e bebendo sem mais pronunciar o seu nome até que a festa chegasse ao seu final.
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Uma semana se passou e todas as pessoas voltaram a sua rotina de trabalho. O jovem guerreiro, Remo, retornou a Clessis, sua cidade natal onde ele fazia parte da guarda pessoal do prefeito. Assim que chegou o rapaz foi prontamente se apresentar em seu serviço, mas não sabia que uma ótima surpresa o aguardava.
— Remo, meu bom rapaz. Que bom que você chegou, apresente-se em meu gabinete em meia hora, sim. — disse o prefeito com um largo sorriso.
— Sim senhor! Estarei em seu gabinete no horário marcado! — respondeu Remo um tanto cético.
Meia hora depois o jovem entrou no gabinete do governante e meio desconfiado ele fica de pé perto da porta. O homem olha para Remo e com um sorriso alegre ele pede ao rapaz que se assente na cadeira a sua frente.
— Vamos, Remo! Não se acanhe meu bom rapaz. O que te traz aqui hoje certamente irá deixá-lo muito, mas muito feliz.
— Fico lisonjeado seja lá qual for à surpresa que tenha para mim, senhor — disse Remo meio sem graça.
— Remo, eu não vou enrolar na conversa. Sua família tem sido um exemplo como cidadãos nessa cidade e você tem demonstrado lealdade não só para comigo, mas também para com a família real. Por conta disso eu resolvi promovê-lo. — o homem maior falou levantando-se de sua poltrona.
— Me promover? Como assim? — o jovem pergunta com um brilho no olhar.
— Comunico a você que a partir de hoje não será mais da minha guarda pessoal, mas sim o chefe do exército que protege esta cidade! O que você acha? — o prefeito mais uma vez sorri.
Remo permanece em silêncio por alguns segundos, porém esse foi o tempo para que ele se lembrasse da prece que fizera a Janus, o que o fez pensar que esse poderia ser o primeiro passo para chegar ao seu principal objetivo que era o de servir ao príncipe Aklon como seu guardião.
— Remo? — perguntou o prefeito chamando sua atenção. — Parece que você não gostou da promoção! — comentou franzindo o cenho.
— Claro que sim, senhor! Eu adorei e digo mais, darei o melhor de mim e continuarei a honrar o nome de minha família. Protegerei esta cidade com minha vida. O senhor não vai se arrepender de sua escolha — respondeu o rapaz com firmeza.
— Então se apresente a seu posto imediatamente, capitão Remo! — ordenou o prefeito. Ele sentia em seu coração que aquele era apenas o início da brilhante história daquele rapaz sonhador.
O jovem saiu bastante contente para dar a notícia a seu pai. Ao chegar lá, toda a família ficou bastante feliz e ainda mais pela decisão de Remo.
— E qual decisão você tomou, meu filho? — perguntou seu velho pai.
— Eu decidi que vou me casar. Há bastante tempo que venho conversando com Jensen, filha de Linac e ela é uma boa moça. Com certeza será uma boa esposa e mãe.
— Então assim será — seu pai respondeu com alegria. — Amanhã mesmo irei conversar com Linac e ele certamente irá aprovar essa união.
— E tem mais uma coisa, meu pai!
— Diga meu filho!
— Gostaria muito que meu casamento fosse celebrado em Kels, com a bênção da sacerdotisa de Celestes, a deusa do amor. — comunicou Remo com o coração palpitando de felicidade.
— Celestes, ela é a filha mais nova de Janus e Sarah. E você se casará ali, pois a filha de Nemec, Iliana, é aprendiz de sacerdotisa no templo de Janus. Ela irá providenciar tudo já que Nemec é seu padrinho de nascimento — respondeu o patriarca.
Tudo aconteceu conforme o planejado e em menos de seis meses, Jensen e Remo estavam casados. Remo acompanhava todas as notícias a respeito de Aklon e da família real. Quando ele completou um mês de casado com Jensen, o jovem descobriu que sua esposa estava grávida. Uma grande alegria tomou conta de seu coração.
— Oh poderoso Janus! A luz que me fizeste ver a exatos sete meses atrás em teu templo era sinal de que me abençoaria, mas eu não fazia ideia que seria tão grande à dádiva recebida. Por isso eu prometo aqui entregar essa criança para que seja servo leal de teu escolhido, Aklon. Ele será o guerreiro que o protegerá. Por favor, soberano! Conceda-me mais essa benção se não for pedir demais! Mais uma vez Remos fez sua prece com devoção.
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Nove meses se passaram e em fim chegou o grande dia. Remo estava com o exército quando um mensageiro chegou aos gritos dizendo que Jensen estava prestes a dar à luz. Imediatamente o capitão da guarda montou em seu cavalo e rumou para sua casa. Ao chegar encontra sua esposa em dores de parto. Ele e seu pai aguardaram na sala e de repente todos escutaram o choro de criança.
— Nasceu, meu pai! Meu filho nasceu!
Remo correu para o quarto e encontra sua esposa um tanto apreensiva.
— O que foi meu amor? Onde está nosso filho? — perguntou o capitão muito estar nervoso.
— Está aqui, marido! Mas não é filho e sim… filha — disse Jensen ainda cansada.
Remo não pôde esconder a decepção que sentira, pois pensava que fosse ter um varão para torná-lo um guerreiro da família real. Ele sai do quarto sem nada dizer e vai até o jardim. Lá ele olha para o céu e novamente fez uma prece.
— Oh grande Janus que tudo vê e tudo sabe! Embora eu esteja decepcionado por não poder realizar meu desejo, eu sei que tudo o que fazes é para o nosso bem. Ou talvez eu não tenha feito por merecer e o senhor me puniu. Mas seja feita a sua vontade. — ele concluiu abaixando a cabeça e lágrimas rolaram de seus olhos.
O jovem terminou sua prece e decidiu retornar para sua família. De repente ele ouve um trovão, mas ao olhar para o céu não havia uma nuvem sequer. Remo estranhou e decidiu ignorar o que ouviu, mas quando dá meia volta para retornar, tropeça em uma manta feita de couro. Ao abrir o embrulho, Remo encontra dentro do mesmo uma espada e um par de brincos.
Provavelmente ele havia encontrado uma relíquia, uma arma que pertencera a uma guerreira ou rainha antiga, “mas como isso veio parar aqui?” Ele pensou. Isso fez com que Remo mudasse seus planos, mas sem revelar a ninguém quais seriam eles. Remo retornou mudado, tomou a filha em seus braços e a abençoou. Nesse momento ao olhar nos olhos da pequenina ele sentiu como se a própria deusa Kayra o encarasse. Então ele proferiu as seguintes palavras…
— Bendita seja filha minha! Você será grande e seu nome será reconhecido em toda Slat, pois você se tornará uma grande guerreira. Você se chamará Elora, a invencível! — assim ele falou e ergueu a pequena para o alto e não houve quem estivesse ali, que não se entregasse à emoção. E ao olhar da janela, mesmo o dia estando claro uma estrela brilhou intensamente, mas apenas Remo pôde vê-la e ele então agradeceu ao deus dos deuses.
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Pouco tempo depois foi celebrado o aniversário de dois anos de Aklon. Todos do país foram convidados e muitos deixavam presentes maravilhosos para o pequeno príncipe que ficava a cada dia mais belo.
Como ocupava um posto alto na cidade em que morava, Remo e sua família foram convidados a participar da festa e Remo fez questão de entregar seu presente pessoalmente nas mãos do próprio príncipe. Agora como capitão da guarda de sua cidade ele poderia ter acesso à família real e foi exatamente o que aconteceu. Remo aproximou-se do príncipe segurando um embrulho. Ele reverencia os monarcas, o duque e a duquesa.
— Quanta honra estar diante de vossa, majestades. Procurei entre as joias mais valiosas de minha família e não encontrei algo que fosse capaz de ser o presente ideal para vossa alteza. Por isso decidi dar-lhe meu tesouro mais valioso. Elora, minha filha!
Lars ficou espantado, assim como todos ali, pois nunca havia visto um gesto de fidelidade à família real tão grande quanto o daquele jovem capitão. Mas o que mais chamou a atenção de todos foi à reação do pequeno Aklon ao estender as mãos na direção do único presente que mais lhe agradou. Aklon olhou para Elora e com a pronúncia de qualquer criança de sua ele disse — Minha! Minha Estrela!
O rei Angus ficou pasmo com a reação do sobrinho, mas quem ficou ainda mais espantada foi Jensen, já que ela não fazia ideia de quais eram as verdadeiras intenções do marido.
— Remo! O que você fez?!