Milagre da Vida

1997 Palavras
Após a Rainha Zaila ter deixado o palácio, todos pareciam estar respirando mais aliviados, afinal, as pequenas estadias da Rainha de Estakhr na cidade pareceu deixar uma atmosfera pesada no local, mas ao retirar-se, ela a levou consigo. Remo seguiu para seu aposento acompanhado de sua esposa Jensen. Ele havia recebido do rei um dia de folga, pois segundo o monarca, seu guardião havia trabalhado mais do que o normal e que por isso merecia um descanso com sua família. — O rei é uma criatura bondosa — disse Jensen sorrindo. — Concedeu a você um dia de folga para ficar comigo e nossa filha, que os deuses o abençoem e toda a sagrada família real! — O rei possui o mesmo coração que seus antepassados! Ele é um rei justo e bondoso, porém não faltam aqueles que possuem coração ardente de inveja e que torcem para que algo de r**m aconteça. — Remo dizia enquanto tirava suas botas. — Mas marido, o que me deixou intrigada mesmo, foi...! — Já sei — interrompeu o marido sorrindo. — As palavras do príncipe no dia em que a cobra chegou ao palácio! Jensen pensou e respondeu ao marido. — Eu acho que aquilo foi muito mais do que uma simples travessura de criança, como afirmou o rei! Mas o que será que o príncipe quis dizer com “naquela caixa só há tristeza e solidão”? Por que ele disse aquilo? — ela indagou desconfiada. — Eu não sei — respondeu novamente o guardião com aspecto de quem estava bastante preocupado. — Mas de qualquer forma eu pedi aos magos que levassem o objeto para a Torre de Sara, onde deverá ser banhada pela luz constantemente. — Jensen se aproxima do marido dando-lhe um beijo. Eles aproveitam que a pequena Elora dormia e seguiram colocando os assuntos em dias. Nos aposentos reais, Angus e Neres também comentavam a respeito da atitude do príncipe diante da monarca de Estakhr. Os dois davam risadas ao se lembrarem do pânico no rosto da rainha ante as palavras de Aklon dizendo que na caixa de música havia “tristeza e solidão”. — O pior foi ele pedir que ela mesma abrisse a caixa — disse Angus dando gargalhadas. De repente a feição de Neres mudou chamando a atenção do Rei.  — O que houve minha rainha? Por que você mudou seu humor de repente? Algo a perturba? — perguntou o rei preocupado. — Lídia me disse que Remo os aconselhou a manter o objeto afastado de Aklon o máximo que fosse. — a rainha disse essas palavras posicionando-se diante da enorme janela que dava acesso à varanda. — Remo realmente é um homem sábio. Durmo em paz ao saber que ele cuida de nossa segurança! — respondeu o rei dando um beijo no ombro da esposa! — Eu fico impressionada em como Remo se tornou, além de um grande cavaleiro, um sábio que supera muitos dos anciãos do reino. Você não acha meu rei? — perguntou a bela rainha acariciando a mão do marido sobre seu ombro. — Eu sinto uma espécie de vínculo entre nossa família e a família de Remo! É como se os deuses tivessem unido nós a eles, podemos ver isso através da ligação entre Aklon e Elora! Esses dois foram algum tipo de presente dos deuses para Remo e Lars — afirmou olhando o céu estrelado através da janela. — Como eu queria que os deuses também presentassem a mim! Eu não faria nenhum tipo de exigência, tão somente queria! — Neres começa a chorar copiosamente abraçando o marido. Angus consegue sentir a tristeza de sua esposa, mas não pode fazer nada para ajudar já que o desejo dela também era o seu. — Ah, Neres — sussurra o rei segurando suas lágrimas diante de sua amada. Devido à carência, Neres chama seu marido para a cama e os dois se entrega ao imenso amor que existe entre ambos. A alegria de Neres consistia apenas em estar com seu amado, já que seu desejo de ser mãe não havia sido realizado. ♥♥♥ No dia seguinte toda a cidade desperta em um belo dia de primavera. Aklon corre através dos corredores e em um descuido, ele e Elora se chocam fazendo com que os dois caiam cada um para um lado diferente. Aklon faz cara de choro, mas para não assustar Elora, ele se levanta e estende a mão para a pequenina, agora com cinco anos de idade. — Não precisa chorar minha Estrela. Doeu, mas logo vai passar! — ele disse com uma voz suave. Elora não resiste ao brilho no olhar do príncipe e abre um largo sorriso. Lídia e Jensen ficam admiradas com o cavalheirismo do príncipe e as duas sorriem. — Meu principezinho me surpreende a cada dia! Como pode com apenas sete aninhos ter uma postura como esta? — disse Lídia expressando admiração. — E minha Elora se sentiu segura diante dele. — proferiu Jensen. Aklon pediu a Jensen que deixasse Elora passear com ele pelos jardins, a jovem mãe permitiu desde que ela e a duquesa os acompanhassem. O príncipe dessa vez se comporta como uma criança normal, e puxou Elora pela mão levando-a até os jardins. — Eu adoro estar com minha Estrela, mamãe — disse garoto sorrindo e depositando uma linda flor nos cabelos negros e ondulados de Elora. ♥♥♥ Uma semana depois a rainha Zaila estava de volta ao seu suntuoso palácio na capital de Estakhr, Askhalon, também conhecida como a toca do escorpião. A rainha não falou com ninguém desde que havia chegado e como sempre, resolveu passar o resto daquela tarde em seus aposentos. Enquanto mudava de roupa, Zaila foi surpreendida por Frei, que mais uma vez entrou sem que os guardas percebessem. — Sabia que eu já estou ficando cansada dessa sua mania de entrar em meus aposentos sem que meus guardas percebam. Como é que você consegue fazer essas coisas, seu bruxo? — perguntou a rainha em voz baixa para que os guardas não ouvissem. — Sinto muito, mas não poderei revelar meus segredos nem mesmo a você, poderosa rainha. Mas me diga como foi sua estadia em Slat? — perguntou Frei tomando em suas mãos uma suculenta maçã. Zaila olhou para Frei expressando um gesto de quem não ficou contente com a pergunta. — Não foi de tudo r**m — respondeu a rainha. — Não fosse por aquele pivete atrevido que mais parecia um filhote gárgula sem asas! Frei sorriu da forma com que Zaila se referiu a Aklon e corrigiu a monarca com respeito à aparência do garoto. — Creio que você deve estar equivocada, Zaila. Todos sabem que o jovem príncipe de Slat é dono de uma beleza invejável, até mesmo para uma criança! — respondeu ele de modo zombeteiro. — Beleza invejável? É um monstrinho em miniatura, isso sim! A propósito — disse Zaila voltando-se a Frei bastante irritada — foi por causa da sua ideia que eu passei o maior vexame naquele lugar! — concluiu a rainha dando tapas nas pernas de Frei. — Eu por quê? O presente que te dei não agradou ao príncipe? — perguntou o acompanhante misterioso da rainha. — Acontece que quando eu o entreguei a caixinha de música, ele disse que naquele objeto havia tristeza e solidão! O que aquele pivete quis dizer com isso, Frei? Vamos, me diga! — esbravejou a rainha. — Onde você conseguiu aquela coisa, pois todos pensaram que eu havia posto algum tipo de feitiço naquilo! E todos sabem que nós de Estakhr, acreditamos na força e não nessa balela de magia. — Você me pediu um presente que fosse capaz de prender a atenção de uma criança e eu arranjei um para você. — ele conclui com as mãos na nuca. Frei levantou-se da cama e caminhou até a janela. Ele olhou para a rainha e conta a verdadeira história daquela caixa de música. — Antes de começar a responder, você tem magos aqui no seu reino. Eles são apenas para decoração? E quanto à caixa de música. Aquela caixinha pertenceu à minha mãe. Meu pai a maltratava bastante e sempre que acontecia algo, ela abraçava aquela caixa e chorava, enquanto ouvia o som que ela emitia! Mas como o garoto sabia que aquela caixa pertencia a alguém triste? — indagou Frei coçando a nuca. — Não interessa como ele sabe — Zaila respondeu mais uma vez dando tapas em Frei. — O que importa é que você me fez passar um vexame daqueles diante daquela família ridícula! — ela conclui afastando-se dele. — E não é da sua conta o que os meus magos fazem ou deixam de fazer. — Mas eu ia lá saber que o garoto é um bruxo em miniatura? Eu fiz o que você pediu e aquele objeto vale uma fortuna. — disse Frei caminhando em direção à porta. Zaila se joga de bruços sobre a cama bastante indignada. Ao perceber que Frei estava saindo de seus aposentos, ela se levanta imediatamente. — Espera! Aonde você pensa que vai? — Vou embora — Frei respondeu. — Já que fui uma decepção para você, nada mais justo do que minha partida, você não acha? — Não! — exclamou Zaila agarrando-o pela cintura. — Eu quero que fique comigo! Os dois retornaram ao interior do quarto e mais uma vez se entregaram às suas paixões. Dessa vez os guardas conseguiram ouvir uma movimentação estranha vinda do interior do quarto, mas ao perguntarem à monarca se tudo estava bem, ela respondeu que sim e ordenou que os guardas se retirassem dos corredores próximos. ♥♥♥ Um mês se passou e todos no palácio de Kels estavam em perfeita harmonia. Parecia que o muno finalmente havia encontrado a paz que todos tanto desejavam, quando de repente o rei foi chamado às pressas a comparecer aos aposentos particulares de sua esposa. Angus não perdeu tempo e correu, deixando a reunião com seus ministros para depois. Ao chegar ao seu destino, Angus ver sua esposa Neres deitada aparentando cansaço e imediatamente senta-se ao lado de sua amada e segura sua mão, dando-lhe um beijo. — Como você está amor da minha vida? — perguntou Angus com o coração acelerado e acariciando os longos cachos dourados de Neres. — Não foi nada, meu rei! Eu apenas senti um m*l-estar e leve tontura, mas já estou bem melhor — respondeu a rainha tentando acalmar o coração de seu amado. Enquanto os dois conversavam e Neres contava que a sacerdotisa Iliana estava consultando os deuses a respeito de sua saúde, a mesma sacerdotisa entrou na presença dos monarcas e dá aos dois uma notícia tão esperada, mas já desacreditada. — Torne-se esse dia bendito, pois vossas petições foram atendidas, oh rei — exclamou a sacerdotisa com alegria. — Do que você está falando, Iliana? Por que eu deveria estar feliz? — o rei perguntou trêmulo de tanta ansiedade. — Bendito seja Janus e o panteão, pois a rainha carrega uma criança em seu ventre — respondeu Iliana com brilho no olhar. Ao ouvirem a notícia, todos no quarto ajoelharam-se e glorificaram a Janus e os demais deuses pela graça alcançada. O rei Angus ficou parado por alguns instantes sem saber o que dizer, ele na verdade não sabia o que dizer de tão abalado que ficou com a notícia de que iria se pai. A rainha então segurou sua mão e aos poucos ele foi voltando a si. — Um filho! Os deuses finalmente me concederam um filho de mim mesmo — dizia o rei não conseguindo segurar as lágrimas que rolaram feito cachoeiras de seus olhos. Vários pensamentos passavam na mente de Angus, que daquele dia em diante sabia que seu legado permaneceria naquela terra para governar com justiça. — É um milagre! É UM MILAGRE! — exclamou o rei em alta voz, sendo ouvido até mesmo pelos que estavam do lado de fora do palácio.  
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