Claudia Matolly Narrando
Olá pessoal, me chamo Cláudia e sou mãe da Caroline Matolly, tenho 40 anos. Me casei muito nova com o pai dela, naquela época as coisas aconteciam muito rápido. Você já namorava e depois casava, não tinha essa de tempo para se conhecer. E também isso nunca foi um problema pra mim, já que eu o amava com todo meu coração. Engravidei da Caroline na mesma época em que Antônio fez prova para a polícia e passou, fiquei muito feliz pela conquista dele, já que éramos um casal, a felicidade dele sempre seria a minha.
- Mas conforme foi passando o tempo, tudo mudou. Ela nasceu e eu fiquei sobrecarregada e ele cada vez mais ausente. Tentava entender que era o trabalho dele e por ser novo na área tem que mostrar serviço. Eu sempre tentando entender o lado dele mas ele nunca o meu, era o sonho dele ser pai e quando o sonho foi concretizado ele não se importou muito, o tempo foi passando e ele veio a delegado, aí começou o inferno.
- Ele achava que a autoridade que tinha que ter na rua ou nos casos da delegacia, tinha que ter em casa. Era discussões atrás de discussões. Teve um dia que pedi para ele contratar alguém para me ajudar, já que estava difícil cuidar dela, manter a casa e ainda servi-lo com comida frescas no almoço e janta caso ele tivesse em casa. Ele me simplesmente me humilhou por isso e ainda me agrediu porque debati com ele.
- Aguentei muitas coisas por muito tempo, traições, ligações de mulheres que ele pegava dentro ou fora da delegacia. Depois de muito tempo era muito difícil dele me encostar como mulher, e eu até preferia. Mas tinha vezes quando ele chegava bêbado, me obrigava a ter relações com ele. E no dia seguinte fazia de conta que nada aconteceu ou dizia que não lembrava de nada, aguentei por muito tempo até a Carol completar uma certa idade e entender que eu e o pai dela não éramos mais um casal.
- Conversei com ela depois fui conversar com ele, aproveitei pra ter essa conversa com a Carol em casa, caso ele tentasse me agredir ou algo do tipo ela estaria ali, sim infelizmente usei minha filha para não acontecer o pior comigo. Ele ficou cego de ódio mas não fez nada comigo, depois chamei ela e conversamos nós três e ela optou por morar com ele, graças a Deus. Porque ele já tinha me ameaçado sobre levar ela, se ela quisesse ir comigo não sei o que iria ser.
- Amo minha filha com todas as forças mas eu precisava me libertar disso. Estava fazendo m*l pra mim e iria fazer m*l pra ela também. Para um filho ficar bem, a mãe também tem que estar bem. Não demorei uma semana pra sair de lá e nunca mais voltar, até porque ele poderia muito bem tentar algo que me impedisse de ir. Vim para os EUA e estou aqui até hoje.
- Morro de saudades da minha filha e da minha terra maravilhosa, mas depois de tudo que passei não sei se conseguiria ir, mesmo morrendo de vontade.
- Conheci um cara muito bacana mas infelizmente os vestígios do passado não me permite dar um passo a diante. Nossos traumas do passado se não tratado, nos assombra no presente. E por isso decidi começar minha terapia, não quero mais ter medo de me permitir, nem todo homem é igual e eu mereço ser feliz e ter um recomeço.
- Vivo pintando meus quadros, em modéstia parte sou muito boa no que faço. Quem sabe em um futuro próximo não faço uma exposição no Rio de Janeiro. Uma exposição com quadros retratando a beleza das comunidades, seria um sonho.
- Ligo as vezes para Caroline, não gosto de sufoca-la. Ainda me culpo por ter ido embora, mas era necessário. Sei que está acontecendo alguma coisa, conheço bem minha filha.
- Não sou amiga próxima da mãe da Luana, mas sempre que posso mando mensagem e ela me atualiza de algumas coisas. Luana é uma amiga pra minha filha a qual eu sempre quis ter, Caroline tem sorte de ter ela por perto.
- Fiquei sentada na poltrona, tomando um chá e olhando para o quadro que pintei em homenagem a minha grande amiga que se foi, ela era do Complexo do Alemão, foi morta brutalmente por criminosos. Como eu sofri na época e sofro até hoje. Ela foi e sempre será minha melhor amiga, eu nunca precisei pedir nada, ela sempre estava lá. Aquela mulher me ensinou tantas coisas, ela era feliz no simples, sempre tinha uma palavra amiga e uma solução pra tudo. Ela sempre estará no meu coração e na minha memória para todo sempre, enquanto eu viver.