Caveira narrando A visão do Dante na Barreira tinha virado meu mundo do avesso. Era como se um fantasma que eu mesmo enterrei tivesse ressurgido pra arrancar meu ar com as próprias mãos. O desgraçado apareceu ali, vivo, respirando, me encarando como se não tivesse deixado rastro de sangue e ruína atrás de mim. Eu descia os becos olhando cada rosto, cada sombra, cada canto escuro. O morro respirava estranho. Quieto demais. Atento demais. Como bicho farejando tempestade antes dela cair. Meu coração martelava no meu peito, o meu rosto quente de ódio, e dentro de mim só uma certeza ardendo feito ferro em brasa: Se Dante voltou, ele trouxe o inferno junto, mas agora o inferno tem dono. E sou eu. Quando virei a curva e avistei a boca, os vapores se endireitaram na hora. Os moleque me viram

