Lavinia narrando Continuação Saio da delegacia com o meu coração martelando tão alto que parece sirene de caveirão. O mandado tá preso entre meus dedos, e cada passo que dou vira plano, cálculo, risco. Eu sei o horário da transferência, eu sei o trajeto, eu sei quantos agentes vão acompanhar. E sei que, se eu jogar limpo… o Corvo morre. No estacionamento lateral do BOPE, encosto no meu carro, fecho os olhos e puxo o ar devagar, não posso vacilar, não posso hesitar. eu já perdi um pai, não vou perder o outro. Pego o celular, abro a lista de contatos e ligo pro único nome que não deveria aparecer ali, mas que aparece. — Fala — a voz do meu contato surge na linha, rápida, direta. — Preciso de uma distração na entrada principal da delegacia — sussurro, olhando pra todos os lados. — G

