Lavinia narrando A porta da minha sala rangeu antes mesmo de eu tocar na maçaneta. Por um segundo desejei que fosse mais um policial vindo despejar burocracia na minha mesa…, mas não, meu coração congelou no peito quando vi aquele homem a minha frente. O Juiz Humberto, meu avô o homem que eu tinha como meu exemplo. Meu ídolo e hoje meu pesadelo. Eu parei no limiar da porta, sem conseguir entrar de imediato. Ele ergueu os olhos devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo, como se não tivesse sido o pivô da maior reviravolta da minha vida. — Finalmente, Lavínia… — ele disse, a voz profunda, abafada pelo silêncio pesado da sala. Respiro fundo e entro a sala parece menor com ele ali, ocupando o espaço que por tanto tempo eu quis que fosse meu: o da justiça, do orgulho. Coisas que hoje

