Caveira narrando Lisandra finalmente tinha pegado no sono. O quarto estava silencioso, só o barulho fraco da respiração dela enchendo o espaço, como se fosse a única coisa mantendo tudo em pé. Eu estava sentado na beira da cama, observando cada detalhe do rosto dela, tentando engolir o peso do dia. Mas, atrás de mim, eu sentia a energia da Maitê girando, tensa, quase tremendo. Quando virei, ela estava com as mãos juntas, apertando uma na outra, olhos arregalados. Algo nela gritava desespero mesmo sem ela soltar um som. — Fala logo… o que tá pegando? — eu murmurei. Ela respirou fundo, ajeitou o cabelo desarrumado e me encarou com aquele olhar que cortava mais que faca. — Caveira… o Corvo sumiu. — A voz dela saiu fraca, trêmula. — Ele não tá no postinho, não tá atendendo o celular… eu

