Maite narrando Continuação O escuro me engoliu de um jeito estranho, não parecia só um desmaio. Parecia um buraco… um túnel… uma porta antiga sendo arrombada dentro da minha cabeça. E então tudo voltou, de uma vez. Sem dó. Eu tinha dezoito anos de novo. Eu tava na sala da casa dos meus pais, com o meu coração batendo rápido demais, as minhas mãos tremendo, e o teste de gravidez escondido debaixo da blusa. Mas eles já sabiam. Eles descobriram antes mesmo de eu conseguir fugir com o Augusto. Meu pai Humberto estava vermelho de raiva, os olhos saltados, o peito arfando como um touro prestes a avançar. — Você é uma vergonha! — ele gritou. — GRÁVIDA daquele marginal! Daquele lixo do Vidigal! Você destruiu sua vida, Maitê! Minha mãe não ficou atrás: — Eu te criei pra isso? Pra ser uma

