Dante narrando O grito saiu rasgado da minha garganta, mais por raiva do que pela dor. — Cuidado, sua i****a! — rosnei, rangendo os dentes enquanto a médica do postinho do postinho metia o bisturi no meu ombro, procurando a bala que o arrombado do meu irmão enfiou em mim. A mulher nem piscou. Magrinha, cara de cansada, olheira funda. Tinha mais coragem do que muito homem do morro. — Se continuar se mexendo assim, vai perder o braço, bonitão — ela retrucou, firme, o cheiro de álcool inundando o ar. Eu respirei fundo, deixando a raiva se assentar por baixo da pele quente, o meu ombro latejava, mas eu já tinha sentido coisa pior. Muito pior. E ainda assim... não dava pra negar, até que o desgraçado ficou bom de mira, eu ri, baixinho, meio debochado, meio irritado. Mas a verdade é que

