Luisa narrando Quase dois dias trancada nesse quarto. Duas noites olhando pro teto, contando cada segundo como se o tempo tivesse virado meu maior inimigo. O juiz Humberto… meu “pai”. Ele não pode fazer isso comigo. Não pode me enfiar aqui como se eu fosse propriedade dele. Eu tenho que sair desse lugar, nem que seja engatinhando. O quarto tá silencioso, aquele silêncio pesado que parece que te sufoca junto. Levanto da cama com o corpo mole, mas a cabeça girando numa mistura de raiva e medo. Vou direto pro closet. As luzes acendem automáticas quando eu puxo a porta, revelando minhas roupas alinhadas como se eu fosse uma boneca que alguém decidiu controlar até no jeito de dobrar as blusas. Pego uma bolsa grande na prateleira de cima. Tô tremendo, mas continuo. Começo a enfiar as coisas

