Gabriel Eduardo Bellmonte O barulho do elevador parecia o troar distante de um motor que eu não conseguia desligar. Kennedy estava à minha frente na sala do escritório, a luz fria refletindo no vidro da mesa, e eu sentia cada músculo do meu corpo pronto para explodir. O mundo lá fora seguia, impassível, e eu estava aqui, correndo com um medo primitivo nas veias. Um medo que já havia se transformado tantas vezes em fúria e agora aflorava como um instinto de proteção bruto, por Marianna, por nosso filho. — Eles soltaram o Simas. — Kennedy falou sem rodeios, as mãos coladas à caneca de café. Aquelas palavras caíram na sala como gelo líquido. — Saiu ontem. Habeas corpus, tecnicalidade qualquer. A imprensa sabe pouco, está controlado… mas saiu. Meu coração bateu como se quisesse saltar pela

