MARIANNA THOMÁZ Eu respirei fundo, observando meu reflexo no espelho, minhas mãos tremiam enquanto ajeitava a gola da blusa social azul-clara, mais uma audiência, mais uma vez, colocando minha vida nas mãos de um juiz ou pior, nas mãos de Simas. Gabriel estava atrás de mim, calmo, sereno, como se toda essa tempestade que eu vivia não o afetasse, suas mãos grandes pousaram nos meus ombros, transmitindo um calor reconfortante. — Vai ficar tudo bem, amor. — sua voz soou baixa, quase um sussurro, mas cheia de convicção. Eu fechei os olhos, lutando contra as lágrimas que insistiam em aparecer antes mesmo da batalha começar, nada disso importa. — Gabriel, eu não quero dinheiro, não quero casa, não quero carro, só quero o meu bistrô. É só isso. Só isso. Ele se virou, me puxando para encar

