MARIANNA THOMÁZ Tento ignorar o homem lindo que me olhava sem desviar os olhos, nem por um segundo, me deixando constrangida, que quero sumir, quero mesmo. Me concentro em deixar a mesa linda, dobro guardanapos, enfileiro os talheres, com precisão cirúrgica, mesmo que meus dedos tremam,pelo nervoso da situação. O maldito ainda teve a audácia de se aproximar de mim com aquele sorriso de canto que, se eu não estivesse tão magoada, ainda consideraria ridiculamente irresistível. Era como se ele achasse graça do meu constrangimento, como se soubesse exatamente o caos que estava causando dentro de mim, e o pior? Sabia mesmo. — Você sempre tem esse efeito desastroso com pratos ou fui premiado? — ele sussurrou com sarcasmo, abaixando-se para pegar os cacos do chão ao meu lado, o pouco que a

