EDUARDO GABRIEL BELLMONTE O caminho até o apartamento de Marianna foi longo, dirigi por horas, e o silêncio dentro do carro parecia mais denso que o próprio ar, Marianna estava ao meu lado, com os olhos perdidos na paisagem da estrada, os dedos entrelaçados no colo, como se apertasse a si mesma pra não desabar, e no banco de trás, Camila tagarelava sem parar. Ela falava das árvores que via pela janela, dos animais imaginários que criava em sua mente fértil, dos doces que queria comer, dos desenhos que gostava de assistir. Cada frase dela era um contraste violento com o clima de tensão que pairava no carro, mas ela não percebia, Camila era uma adulta de vinte e dois anos com alma de criança, não por escolha, mas por consequência. Simas tinha feito isso com ela, não diretamente, mas in

