EDUARDO GABRIEL BELLMONTE O céu já tingia tons de laranja e dourado quando encontrei Marianna nos fundos do sítio, à beira do lago, a brisa leve mexia os fios do seu cabelo e fazia a água refletir pequenos brilhos dourados em sua pele, mas o que prendeu meu olhar, o que fez meu peito doer de novo, foi o roxo ainda visível próximo ao seu olho, mesmo à distância, aquele hematoma parecia gritar por justiça. Ela estava sentada na grama, abraçando os joelhos, os olhos perdidos no reflexo da água, me aproximei devagar, sentindo cada passo como se pisasse em estilhaços, quando ela me ouviu, virou o rosto, mas não disse nada. — Você não deveria estar aqui. — murmurou, a voz baixa, cansada. — E você não deveria estar com ele. — Me sentei ao seu lado, não muito perto, dei espaço. — Você tá bem?

