Sofia
Minha mãe me ajudou a subir na cama, conseguia sentir sua raiva exalando de suas narinas.
— A senhora pode falar o que está sentindo, mamãe.
— Você é uma irresponsável, Sofia. Uma irresponsável. Eu poderia te dar umas palmadas, se você já não estivesse sido castigada o suficiente. — bufei e me ajustei na cama. — Você sabe o que senti ao ver você chegar nos braços de um desconhecido? Você acha isso normal? E você não poderia ligar para nós buscarmos você?
— Perdi meu celular e o meu carro também. Eu preciso de novos, o carro e o celular.
— Você não vai ter nada, nem o carro e nem o celular. Ainda bem que sua avó estava no quarto ou ela iria ficar horrorizada.
— Eu duvido muito. A vovó nunca briga comigo. — minha mãe apertou os olhos. Eu juro que conseguia ver a fumaça sair das suas narinas.
— Você sabe quem vai brigar com você? O seu pai. Eu vou fazer ele brigar com você e não te dar mais nada, nem um celular sequer.
— Isso não é justo, mamãe. Você deveria estar feliz por eu estar viva. — falei, emburrada. — E me empreste o seu celular, porque eu preciso ligar para a Giulia, para avisar que não vou aparecer, ela deve estar preocupada. — minha mãe levantou os braços em rendição.
— Eu não posso com você, Sofia. Você realmente acha que nada do que faz é errado.
— Por que errado? Eu só queria me divertir com os meus amigos.
— Que fizesse isso com os seguranças. Até seus irmãos tem segurança, por que você seria diferente?
— Está bem, mas contrate melhores, porque se eu consegui fugir facilmente, imagine os monstros horríveis que vocês acham que andam atrás de mim.
— Quanto a isso não se preocupe. — meu pai falou, entrando no quarto. — Vou cuidar bem da segurança da minha filha fugitiva.
— Nick, você precisa brigar ela. Não passe a mão na cabeça dela, porque começa assim e só Deus sabe onde vai parar.
— Pode deixar, querida. — meu pai deu um beijo no rosto da minha mãe. Ela sempre ficava toda mole quando ele a tocava e mudava o tom de voz. Eles eram o meu exemplo de casal. — Eu vou cuidar de tudo, você não precisa se preocupar. Você me dá um minuto?
— Aquele homem já foi embora e quem é ele afinal?
— Um soldado fiel, mas conversamos disso depois. Está bem?
— Está bem. — e lá estava a voz doce da minha mãe. Ela saiu do quarto, mas não sem antes me dá uma boa olhada furiosa.
Meu pai se sentou na cama e me olhou chateado.
— Papai, me perdoe. — abracei, deitando a cabeça em seu peito. — Foi tudo um acidente. Eu não vi o carro chegar.
— E os seguranças, foi um acidente também?
— Eles são uns idiotas, não conseguem nem sequer me acompanhar. Você sabe que sou um piloto de provas, você mesmo me ensinou a dirigir.
— Isso era para ser um segredo entre nós, não para você expor para o mundo, que te ensinei manobras ilegais. Se te criei assim, foi para você se defender, não fazer a sua mãe ter um colapso. Você sabe como ela fica nervosa, quando o assunto é os filhos. — a seriedade em sua voz me fez baixar a guarda.
— Desculpe, estou completamente errada.
— Como está o tornozelo, precisa de um médico?
— Não, só gelo está bem. Mas acho que a mamãe foi buscar. Eu a conheço, ela não consegue ficar tanto tempo com raiva assim. Mas me deixe dizer uma coisa, eu perdi meu celular e o carro já era, você sabe que preciso de outro, não é? Já que você não me deixa trabalhar, para ter minhas próprias coisas.
— Você trabalharia, se não fosse filha de quem é. Mas me diga, com um salário de um emprego convencional, você compraria um carro de luxo? — encolhi os ombros. — Pois bem, pare de bater e destruir os seus carros, está bem? E ainda terei que convencer sua mãe sobre isso, por enquanto, você vai para a faculdade com um motorista.
— Papai, você sabe que a mamãe não vai deixar.
— Eu tenho meus modos de convencê-la, querida. Mas se continuar fazendo essas coisas, vai chegar uma hora que será impossível. — ele beijou o topo da minha cabeça. — Eu te amo, minha coelhinha raivosa.
— Eu também te amo, papai. — meu pai saiu, me deixando sozinha.
Eu amava meus pais na mesma moeda, mas minha relação com meu pai era especial. Ele sempre me ensinou a me defender e ser uma garota forte. Minha mãe era mais emocional e emotiva, sempre a parte que brigava e dava sermão, mas sabia que era porque me amava demais.
Relaxei na cama e pensei no acontecido, no acidente, no Damon me resgatando e eu pensando que ele era um sequestrador. Ele me pegando nos braços, seu sorriso sarcástico, que aliados a dentes perfeitos, deixavam o seu rosto mais bonito. Ele era um homem bonito, que acendia um grande alerta de perigo na minha mente. Com certeza era mais velho e amigo do meu pai, mas não podia deixar de me sentir atraída.
— Por que está sorrindo, sardenta? — o meu irmão Mikhail entrou no quarto, trazendo uma bolsa de gelo. — A mamãe mandou, você deixou ela furiosa e agora ela vai descontar em todo mundo. É verdade que você explodiu o carro de milhões que o papai te deu? Por que você só faz merd@, sardenta? — Meus irmãos adoraram zoar comigo, porque eu tinha várias pintinhas na minha pele branca.
— Me dê. — tirei a bolsa de gelo da mão dele e coloquei no pé. — Agora vaza daqui, não quero conversar com você.
— Se eu quiser, eu não saio, sardenta. E por que você estava sorrindo? Pensando naquele orelhudo idiiota?
— O nome dele é Alef. E ele é meu amigo.
— Isso é o que você diz, mas se eu souber de alguma coisa, se prepare. - ele me ameaçou.
— Ei! Eu tenho dezenove anos, entendeu? Dezenove! — o Mikhail sorriu, ele adorava destruir minha sanidade. Ele se virou para sair, mas depois voltou.
— Precisa da minha ajuda? Quero dizer, com o pé? — ele às vezes conseguia ser gentil.
— Você poderia deitar aqui comigo? Só até eu dormir.
— Eca! Não, sardenta! — o Mikhail saiu, batendo a porta. Ele adorava implicar comigo e demonstrar zero afeto. O Alec era mais maleável, ele sim deitaria comigo.
Me deitei e voltei a pensar no desastre que foi o meu dia e os olhos negros do Damon, voltaram aos meus pensamentos, mesmo eu tentando espantar.
Damon
— Damon? — O Liam me tirou do meu devaneio.
— Oi?
— Você está me ouvindo, cara? Parece que está no mundo da lua.
— Estou, o que estava falando mesmo?
— Como foi o na mansão Greco? Como foi esse lance de salvar a filha deles? Como ela é? Quero saber tudo.
— Ela é… normal.
— Normal? — ela me olhou, confuso.
A verdade a Sofia era tudo menos normal, era linda, feroz, determinada. Mexeu comigo de um jeito que não deveria. Meio que não conseguia tirá-la dos meus pensamentos.
— Ela é chata e não para de falar. Vai ser um suplício aturá-la. Acho até que deveríamos mudar essa ideia de fazê-la pagar por algo que a família ela fez.
— Você está de brincadeira, só pode. — o Liam sorriu. — Tome, fume um. — ele me ofereceu a erva.
— Eu não quero. — o Liam me olhou, confuso.
Estava falando sério, não sentia a mínimo vontade de me encher de entorpecentes, mas não via a hora de me banhar de Sofia.
Mas que merd@! Vamos lá, Damon. Não comece, não deixe sua mente ir para esse lado.
Aquela missão não era me apaixonar, era apenas vingança. Eu só precisava fazê-la sofrer e destruir a família dela no processo, se envolvesse sentimentos, tudo ficaria complicado e eu seria incapaz de continuar.
Me levantei e fui para varanda do hotel, minha camisa ainda cheirava a Sofia, o perfume dela era amadeirado e forte, mas muito agradável e com um toque de flores. Ainda queria sentir o perfume em sua pele e conferi cada sardinha, que consegui ver sair do seu vestido. Uma pele tão limpa, mas aquelas sardinhas davam o toque especial.
Confesso que me atraia por loiras a um nível enlouquecedor, e ela não tinha medo, não conseguir ver medo em seus olhos, exceto quando nos aproximamos de sua casa. Sua honra era algo importante e com certeza ela virgem. Eu poderia pensar em várias formas de me aproveitar da nossa proximidade forçada e tê-la de alguma forma.
— Não faça isso. — o Liam falou atrás de mim.
— O quê?
— Não faça isso cara, não se apaixone por aquela garota, ou você vai matar você e ela.