Capítulo 3 - Pesadelos

1560 Palavras
Maria Helena começou a trabalhar na firma Soyer. Ela resolvia vários casos e tinha sempre documentos para analisar  antes de serem levados ao tribunal. Teve algumas reuniões particulares com Éric, mas nunca deixou que ele visse outro lado seu que não fosse o profissional. Éric estava cada vez mais intrigado, mas sabia que se ultrapassasse os limites, poderia ser processado por conduta imoral, e tratando- se de uma advogada, ele próprio não podia arriscar a sua boa reputação. Se realmente desejava conhecer Maria Helena fora do ambiente profissional, teria que deixar as coisas acontecerem com naturalidade. Forçar a barra só a faria afastar - se ainda mais. Todos os anos a mãe de Éric organizava um evento formal para celebrar o sucesso de seu filho. Todos os funcionários deviam estar presentes, e alguns até eram contemplados com menções honrosas e outras surpresas. Éric queria fazer o convite pessoalmente para Maria Helena. Agindo como o profissional que era, Éric foi até à sala dela. Bateu na porta e entrou após a ouvir dar permissão. - Doutora Maria Helena? Está ocupada? - Éric! Só Maria Helena por favor. Entre! Eu estou livre agora. - Obrigado. Eu serei breve. A minha mãe assim como todos os anos, está promovendo um evento para a nossa empresa. É algo bem formal onde todos os funcionários devem estar presentes, e também aparecem vários empresários. - Isso é  óptimo. Mas ainda não entendi porque me contas. - É muito simples. Como você faz parte do pessoal novo e já efectivo da firma, este ano contamos com a sua presença. Mas, se você não puder ir eu vou entender e a minha mãe também vai. - Pois eu terei muito gosto em estar presente. Sendo noiva não ficaria bem recusar um convite tão ilustre. - Eu agradeço. Vou confirmar com a minha mãe a lista de convidados e com certeza o seu nome vai constar dela. Posso mesmo fazer isso? - Claro que sim. - Excelente. Amanhã mesmo vai receber o seu convite. A Lurdes o entregará pessoalmente e pode levar mais duas pessoas. - Eu agradeço. E qual é a data exacta? Eu preciso organizar algumas coisas. - Será daqui a 15 dias. Ainda tem tempo para comprar o que vai precisar. Bem! Vou deixar você trabalhar. Até mais. - Até mais Éric. Ele saiu e Maria Helena sentou -se sentindo - se sufocada e confusa. Éric sendo um homem bonito e atraente, ela não podia evitar sentir - se afectada pela presença dele. Pediu água para a sua secretária e a jovem percebeu o seu nervosismo. - Está tudo bem Doutora Helena? - Sim Marta. Tem mais algum processo para mim? - Apenas 3 Doutora. Mas acredito que os pode levar para casa. - Obrigada. Traga eles por favor. Eu tenho que sair agora para resolver alguns assuntos. - Claro que sim. Após receber as pastas, Maria Helena decidiu ir embora, pois já tinha terminado o seu horário de trabalho. Como precisava de falar com alguém, foi procurar Sara, que além de sua amiga, também era a sua psicóloga. Maria Helena ligou para ela do carro. - Alô Helena. - Olá Sara! Você está no consultório? - Já não querida. Acabei de chegar em casa. Queres conversar? - Sim. Eu preciso muito ou vou explodir. - Não seja por isso. Vem para a minha casa. Assim eu não vou ter que jantar sozinha. - Tudo bem. Chegarei em meia- hora. Beijos. Após passar numa garrafeira para pegar vinho, Maria Helena foi se encontrar com Sara. Assim que Sara abriu a porta, ela entrou e foi sentar- se. - Helena! O que aconteceu? - Eu estou com medo Sara. - Medo!? Mas qual é a razão? - Primeiro são os pesadelos. Eles voltaram e.... - E o que mais? - Eu me sinto afectada pela presença do meu chefe. - O Éric Soyer? - Sim. Ele mesmo. Ele é um homem com tanta presença e isso mexe comigo. Eu estou tão confusa. - Querida! Por favor fica calma está bem? Você não tem o que temer. O que sentes é muito normal querida. - Normal? Você acha mesmo? - Eu não acho.  Tenho a certeza. - Eu ainda não entendi. - Tudo bem. Vamos jantar e depois  conversamos mais. Após o jantar as duas foram sentar na varanda para conversar. Sara serviu duas taças de vinho e sentou - se ao lado de Maria Helena. - Querida! Está tudo bem agora. Você não está sentindo nada estranho. Pelo contrário. Tudo o que estás a sentir é muito normal. - Mesmo Sara? Tens um nome para o que sinto? - Claro que sim. São as tuas emoções e sentimentos que estão a se manifestar. O que sentes na presença do Éric chama - se atração física. - Como? Atração física? - Sim. É isso mesmo. Pode parecer estranho para você, mas é a primeira vez que o teu corpo reage deste jeito à presença de um homem. Estou certa? - Sim. Com os outros não sinto nada. Mas com o Éric é diferente. Ele ne deixa nervosa e com frio na barriga. Eu me controlo para respirar normalmente. E quando ele olha para mim, eu me sinto especial. - Vês querida? É muito normal. Você é uma mulher. Estás viva e o teu corpo está a te enviar sinais claros. Maria Helena levantou. Tinha entendido perfeitamente as palavras de Sara, mas o seu coração se recusava a aceitar. - Você entendeu agora o que eu disse? - Sim. Eu entendi perfeitamente, mas não posso aceitar. Não posso porque para mim é impossível. - Não é verdade. Helena! Não te deixes afectar pelo passado. Não deixes que ele te impeça de dar um novo passo. - Sara! Eu não posso me apaixonar. Não posso amar ninguém. - Porque não? Isso não é possível para você? - Claro que é. Mas, mesmo que eu me apaixone e assuma este sentimento, eu não vou ser capaz de ir além. - Falas do contacto íntimo? - Sim Sara. Eu não poderia me entregar ao homem amado sem pensar em tudo o que passei. Não vou conseguir. - Tudo bem. Se acalme. Não podes pensar nisso agora. É necessário dar um passo de cada vez. Você ainda não tem certeza do que sente por ele. Tens? - Não. Eu não sei o que sinto. Ainda é muito cedo para dar nome ao que sinto. - Então não faça isso querida. Apenas viva. Abaixe um pouco a guarda para ver o que vai acontecer. Não dês muita a******a, mas também não te feches demais. - Obrigada amiga. Agora que falei com você eu me sinto muito melhor. Eu adoro a Isabella e confio nela implicitamente. Mas, algumas coisas eu preciso apenas de contar para você. - E ela sabe disso? - Claro que sim. Vocês são as minhas melhores amigas. Adoro as duas. Mas, assim como ela me revela algumas coisas, ela entende que não o podes revelar por ética. - Eu jamais faria isso. E esta foi uma conversa com a tua psicóloga. - Obrigada. Agora falando com a minha amiga. Eu preciso de ir às compras na semana que vem. - É mesmo? Qual é a ocasião? - Um evento da empresa. O traje é black tie e não tenho nada assim. Será a minha primeira participação. - E com certeza não será a última. Eu ajudo sim. E se prepara. Vamos comprar muitas, muitas coisas. - Obrigada. Eu seguirei o teu conselho. Serei menos dura comigo mesma. Mas sem dar a******a demais. - Isso mesmo. E verás que no final vai dar tudo certo. - Também sinto e acredito nisso. Bem! Vou para casa. Amanhã será um outro dia. Mais uma vez obrigada por tudo. - Não tens que me agradecer. Somos amigas. Se cuida está bem? - Está bem. Nos falamos em breve. Beijos amiga. Maria Helena foi para casa sentindo - se mais leve. Ao entrar viu Isabella na sala e ela parecia ainda mais feliz que o habitual. - Boa noite Dita. Oi Isabella. - Boa noite Helena. Vai jantar? - Não. Mas quero uma sandes por favor. Isabella! O que você tem? - Oi amiga. Estou tão feliz que nem te ouvi. Tenho excelentes notícias. - É mesmo? Me conte por favor. - Eu consegui. Vou poder trabalhar no Departamento de Relações Públicas das empresas Soyer. - Oh amiga. Que notícia maravilhosa. Estaremos sempre juntas. - Isso mesmo. E tem mais. Eu vou poder participar no evento deste ano. - Eu também vou. E na semana que vem faremos uma maratona de compras. - Combinado. Estás tão bem - disposta Helena. O que foi? - Estive com a Sara. Jantamos e conversamos muito. - Entendo. Eu adoro te ver assim. Ela vai connosco às compras? - Vai sim. Será um dia só nosso. Mal posso esperar. Me sinto realmente feliz. - Você merece ser feliz amiga. E isto vai acontecer. Não duvides. - Não o farei. Mas vou com calma. Dita entregou as sandes e ouviu as boas notícias.  Isabella começaria no dia seguinte, e tinha sido escalada para fazer parte da comissão do evento. Maria Helena estava disposta a seguir os conselhos de Sara. Dizia a si mesma que correria tudo bem.  Mas será que vai conseguir enfrentar o medo que ainda cerca o seu coração? 
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