Maria Helena começou a trabalhar na firma Soyer. Ela resolvia vários casos e tinha sempre documentos para analisar antes de serem levados ao tribunal. Teve algumas reuniões particulares com Éric, mas nunca deixou que ele visse outro lado seu que não fosse o profissional.
Éric estava cada vez mais intrigado, mas sabia que se ultrapassasse os limites, poderia ser processado por conduta imoral, e tratando- se de uma advogada, ele próprio não podia arriscar a sua boa reputação.
Se realmente desejava conhecer Maria Helena fora do ambiente profissional, teria que deixar as coisas acontecerem com naturalidade. Forçar a barra só a faria afastar - se ainda mais.
Todos os anos a mãe de Éric organizava um evento formal para celebrar o sucesso de seu filho. Todos os funcionários deviam estar presentes, e alguns até eram contemplados com menções honrosas e outras surpresas.
Éric queria fazer o convite pessoalmente para Maria Helena.
Agindo como o profissional que era, Éric foi até à sala dela. Bateu na porta e entrou após a ouvir dar permissão.
- Doutora Maria Helena? Está ocupada?
- Éric! Só Maria Helena por favor.
Entre! Eu estou livre agora.
- Obrigado. Eu serei breve. A minha mãe assim como todos os anos, está promovendo um evento para a nossa empresa. É algo bem formal onde todos os funcionários devem estar presentes, e também aparecem vários empresários.
- Isso é óptimo. Mas ainda não entendi porque me contas.
- É muito simples. Como você faz parte do pessoal novo e já efectivo da firma, este ano contamos com a sua presença. Mas, se você não puder ir eu vou entender e a minha mãe também vai.
- Pois eu terei muito gosto em estar presente. Sendo noiva não ficaria bem recusar um convite tão ilustre.
- Eu agradeço. Vou confirmar com a minha mãe a lista de convidados e com certeza o seu nome vai constar dela. Posso mesmo fazer isso?
- Claro que sim.
- Excelente. Amanhã mesmo vai receber o seu convite. A Lurdes o entregará pessoalmente e pode levar mais duas pessoas.
- Eu agradeço. E qual é a data exacta? Eu preciso organizar algumas coisas.
- Será daqui a 15 dias. Ainda tem tempo para comprar o que vai precisar. Bem! Vou deixar você trabalhar. Até mais.
- Até mais Éric.
Ele saiu e Maria Helena sentou -se sentindo - se sufocada e confusa.
Éric sendo um homem bonito e atraente, ela não podia evitar sentir - se afectada pela presença dele.
Pediu água para a sua secretária e a jovem percebeu o seu nervosismo.
- Está tudo bem Doutora Helena?
- Sim Marta. Tem mais algum processo para mim?
- Apenas 3 Doutora. Mas acredito que os pode levar para casa.
- Obrigada. Traga eles por favor.
Eu tenho que sair agora para resolver alguns assuntos.
- Claro que sim.
Após receber as pastas, Maria Helena decidiu ir embora, pois já tinha terminado o seu horário de trabalho.
Como precisava de falar com alguém, foi procurar Sara, que além de sua amiga, também era a sua psicóloga. Maria Helena ligou para ela do carro.
- Alô Helena.
- Olá Sara! Você está no consultório?
- Já não querida. Acabei de chegar em casa. Queres conversar?
- Sim. Eu preciso muito ou vou explodir.
- Não seja por isso. Vem para a minha casa. Assim eu não vou ter que jantar sozinha.
- Tudo bem. Chegarei em meia- hora. Beijos.
Após passar numa garrafeira para pegar vinho, Maria Helena foi se encontrar com Sara.
Assim que Sara abriu a porta, ela entrou e foi sentar- se.
- Helena! O que aconteceu?
- Eu estou com medo Sara.
- Medo!? Mas qual é a razão?
- Primeiro são os pesadelos. Eles voltaram e....
- E o que mais?
- Eu me sinto afectada pela presença do meu chefe.
- O Éric Soyer?
- Sim. Ele mesmo. Ele é um homem com tanta presença e isso mexe comigo. Eu estou tão confusa.
- Querida! Por favor fica calma está bem? Você não tem o que temer. O que sentes é muito normal querida.
- Normal? Você acha mesmo?
- Eu não acho. Tenho a certeza.
- Eu ainda não entendi.
- Tudo bem. Vamos jantar e depois conversamos mais.
Após o jantar as duas foram sentar na varanda para conversar. Sara serviu duas taças de vinho e sentou - se ao lado de Maria Helena.
- Querida! Está tudo bem agora.
Você não está sentindo nada estranho. Pelo contrário. Tudo o que estás a sentir é muito normal.
- Mesmo Sara? Tens um nome para o que sinto?
- Claro que sim. São as tuas emoções e sentimentos que estão a se manifestar. O que sentes na presença do Éric chama - se atração física.
- Como? Atração física?
- Sim. É isso mesmo.
Pode parecer estranho para você, mas é a primeira vez que o teu corpo reage deste jeito à presença de um homem. Estou certa?
- Sim. Com os outros não sinto nada. Mas com o Éric é diferente.
Ele ne deixa nervosa e com frio na barriga. Eu me controlo para respirar normalmente. E quando ele olha para mim, eu me sinto especial.
- Vês querida? É muito normal.
Você é uma mulher. Estás viva e o teu corpo está a te enviar sinais claros.
Maria Helena levantou. Tinha entendido perfeitamente as palavras de Sara, mas o seu coração se recusava a aceitar.
- Você entendeu agora o que eu disse?
- Sim. Eu entendi perfeitamente, mas não posso aceitar. Não posso porque para mim é impossível.
- Não é verdade. Helena! Não te deixes afectar pelo passado.
Não deixes que ele te impeça de dar um novo passo.
- Sara! Eu não posso me apaixonar. Não posso amar ninguém.
- Porque não? Isso não é possível para você?
- Claro que é. Mas, mesmo que eu me apaixone e assuma este sentimento, eu não vou ser capaz de ir além.
- Falas do contacto íntimo?
- Sim Sara. Eu não poderia me entregar ao homem amado sem pensar em tudo o que passei.
Não vou conseguir.
- Tudo bem. Se acalme. Não podes pensar nisso agora. É necessário dar um passo de cada vez. Você ainda não tem certeza do que sente por ele. Tens?
- Não. Eu não sei o que sinto.
Ainda é muito cedo para dar nome ao que sinto.
- Então não faça isso querida.
Apenas viva. Abaixe um pouco a guarda para ver o que vai acontecer. Não dês muita a******a, mas também não te feches demais.
- Obrigada amiga. Agora que falei com você eu me sinto muito melhor. Eu adoro a Isabella e confio nela implicitamente. Mas, algumas coisas eu preciso apenas de contar para você.
- E ela sabe disso?
- Claro que sim. Vocês são as minhas melhores amigas. Adoro as duas. Mas, assim como ela me revela algumas coisas, ela entende que não o podes revelar por ética.
- Eu jamais faria isso. E esta foi uma conversa com a tua psicóloga.
- Obrigada. Agora falando com a minha amiga. Eu preciso de ir às compras na semana que vem.
- É mesmo? Qual é a ocasião?
- Um evento da empresa. O traje é black tie e não tenho nada assim.
Será a minha primeira participação.
- E com certeza não será a última.
Eu ajudo sim. E se prepara. Vamos comprar muitas, muitas coisas.
- Obrigada. Eu seguirei o teu conselho. Serei menos dura comigo mesma. Mas sem dar a******a demais.
- Isso mesmo. E verás que no final vai dar tudo certo.
- Também sinto e acredito nisso.
Bem! Vou para casa. Amanhã será um outro dia. Mais uma vez obrigada por tudo.
- Não tens que me agradecer.
Somos amigas. Se cuida está bem?
- Está bem. Nos falamos em breve.
Beijos amiga.
Maria Helena foi para casa sentindo - se mais leve. Ao entrar viu Isabella na sala e ela parecia ainda mais feliz que o habitual.
- Boa noite Dita.
Oi Isabella.
- Boa noite Helena.
Vai jantar?
- Não. Mas quero uma sandes por favor. Isabella! O que você tem?
- Oi amiga. Estou tão feliz que nem te ouvi. Tenho excelentes notícias.
- É mesmo? Me conte por favor.
- Eu consegui. Vou poder trabalhar no Departamento de Relações Públicas das empresas Soyer.
- Oh amiga. Que notícia maravilhosa. Estaremos sempre juntas.
- Isso mesmo. E tem mais.
Eu vou poder participar no evento deste ano.
- Eu também vou. E na semana que vem faremos uma maratona de compras.
- Combinado. Estás tão bem - disposta Helena. O que foi?
- Estive com a Sara. Jantamos e conversamos muito.
- Entendo. Eu adoro te ver assim.
Ela vai connosco às compras?
- Vai sim. Será um dia só nosso.
Mal posso esperar. Me sinto realmente feliz.
- Você merece ser feliz amiga.
E isto vai acontecer. Não duvides.
- Não o farei. Mas vou com calma.
Dita entregou as sandes e ouviu as boas notícias. Isabella começaria no dia seguinte, e tinha sido escalada para fazer parte da comissão do evento.
Maria Helena estava disposta a seguir os conselhos de Sara. Dizia a si mesma que correria tudo bem. Mas será que vai conseguir enfrentar o medo que ainda cerca o seu coração?