Era fim de tarde e Betinho soluçava solitário encostado à porta da capela, a b***a magra torturada pelo frio da calçada. A palma da mão aberta mostrava uma moeda antiga deixada pelo pai em seu leito de morte, mas era antiga demais para comprar um presente para a mãe, outro para a irmã pequenina e doente, e outro para o irmão mais velho. Betinho odiava o Natal. Betinho odiava o Vigário. Há dias sua mãe não trabalhava mais para ele; não lavava o chão da igreja, nem ajeitava as velas do altar, nem tirava o ** das imagens... O vigário dizia que as beatas podiam fazer aquilo sem cobrar um centavo sequer, por quê pagaria a uma mulher preguiçosa e pouco religiosa como ela? Quando despediu a mãe do Betinho, o fez na sua frente, ignorando a existência do menino. Pensava que Betinh

