Capítulo 2

3950 Palavras
     Fisto faz cara de preocupado, olhando para o lado. - Então você pode tomar posse da fazenda. Tem aqui um mapinha. Peguem essa grande estrada de terra que vai a Oiapoque, no caminho, uma placa indicando Fazenda Cavendish apontará para uma estradinha que dará direto nela.     Após cumprimentos, os dois pegam o mapa e vão. A estrada é de terra, mas fácil de andar. O céu estava um pouco nublado, mas não havia chovido. Finalmente chegam até a fazenda de onde, ao longe, deparam-se com a mansão Cavendish. - É lindo, diz Elizabeth. - Parece mansão de filme de terror, aquela janela lá em cima que dá para a frente, diz Fisto. - Será que tem alguém? diz Elizabeth batendo palmas.      Quem os atende é o antigo mordomo da casa, Álvaro Lopes. - Bem-vinda herdeira, já esperava a sua visita. - Esse é meu amigo Fisto, diz Elizabeth. - Prazer, diz Fisto (enquanto todos se cumprimentam).      Elizabeth e Fisto retiram a bagagem. Elizabeth pergunta ao mordomo se pode ajudar, carregando para dentro as coisas. O mordomo Álvaro Lopes faz cara f**a. Fisto percebe. - É claro, estou acostumado já, diz o mordomo.      Ele os leva até a escadaria que dá para a entrada. - Aqui acaba o meu trabalho, diz o antigo mordomo, deixo a chave com vocês. Vocês perceberão que essa mansão é realmente bastante incomum, realmente bastante incomum.      Tanto Fisto quando Elizabeth se olham, estranhando tal afirmação, mas entram, enquanto o mordomo pega o seu carro e vai embora. - Realmente grande, esqueci de dizer ao mordomo para nos mostrar a casa, vamos ter que adivinhar sozinhos, diz Elizabeth. - Eu acho que aquele mordomo não foi com a sua cara, diz Fisto. - Por que diz tal coisa? - Bobagem minha, talvez impressão.      Elizabeth sobe a grande escada que fica no centro do salão principal cuja porta Elizabeth e Fisto entraram e que dá para fora. A escada dá em um corredor, relativamente escuro. Elizabeth liga a luz com o interruptor que está do lado direito da porta e passa a observar os quartos. Todos têm uma cama grande no centro, com armários embutidos. Um quarto chama a sua atenção. É o segundo à direita. A porta está aberta. Ela entra. Uma cama grande. Ela passa a mão no lençol macio, branco, sente com a mão o colchão. - Nunca tive uma cama grande assim, pensa ela.       Ela anda um pouco pelo quarto, percebe uma porta com um banheiro. Um lavatório de mármore, única coisa moderna no quarto com aparência rústica. Um grande espelho. Ela olha seu rosto. Depois olha o box, um chuveiro pequeno. Volta ao quarto e resolve ir até e penteadeira. Ela é grande, com três gavetas. Abre a primeira. Não tem nada. A segunda. Não tem nada. A terceira. - Que isso? Diz ela.      Era uma espingarda. Ela se assusta. A porta bate forte. - Saco, porta chata, diz ela mais assustada.     Volta para a a**a. A pega. É uma espingarda antiga, cano longo. Nota que tem munição em uma caixa. Guarda de novo a a**a. - Fisto, grita ela.      Mas ela desiste. Resolve não contar a Fisto sobre a a**a. Ela sai. Fisto estava embaixo da casa olhando uma cozinha cuja entrada fica do lado direito d aporta de entrada. Uma cozinha pequena, com um fogão a lenha e uma mesa de vidro. Elizabeth chega. - Gostou da casa? Diz Fisto. - Sim, já sei onde vou ficar, em um quarto lá em cima, o segundo à direita, quando a gente sobe a escada. Por que você não vai ver onde ficar? Diz Elizabeth. - Depois, para mim tanto faz. - Lugar grande, diz Elizabeth. Deve ser cara a energia, nem sei por onde começar, tudo isso me assusta. - Parece que a energia vem de um gerador lá fora, diz Fisto. Eu se fosse você vendia isso aqui, você não vai saber administrar esse negócio. - Não sei, vou pensar, diz Elizabeth. Já está anoitecendo, está ficando escuro e lá fora está ficando nublado. - Você tem um tutor? Pergunta Fisto. - Que isso? Diz Elizabeth. - Você é de menor, teria que ser alguém que administrasse para você tudo isso aqui, entendeu? - Mas quem seria? Diz Elizabeth. - O testamento elegeria alguém, não tem nome de ninguém no testamento? - Não que eu saiba. - Então o velho que faleceu te deu tudo isso aqui e esqueceu de indicar um tutor, diz Fisto. - E agora? - Pode ser qualquer um então. - Será que tem comida aqui? Pergunta Elizabeth.      Ela vai em um armário próximo e encontra alguma coisa: vários sacos de 5 kg de arroz, de 1kg de feijão, óleos, macarrões, mas nada muito além.  -Sabe cozinhar? Pergunta Fisto. - Mais ou menos, diz Elizabeth, fechando o armário.      Elizabeth percebe que Fisto deixou sua mala de rodinhas no chão. - Não escolheu seu quarto? Diz Elizabeth. - Nem vi ainda, diz Fisto. - Essa mala aí vai dar bode, está perto da porta, vou levar mais para lá.      Quando Elizabeth pega a mala, as coisas nela caem, pois estava aberta e uma vasilha de coquetéis de remédios se espalha, Fisto assusta-se: - Cuidado, diz ele (correndo para pegar os remédios). - Que remédios são esses? Pergunta Elizabeth. - Não é da sua conta, você é muito enxerida, diz com raiva Fisto. - Desculpe, mas foi um acidente. - Tudo bem, peço desculpas. - Está doente? - Já disse um dia conto.      Elizabeth desiste. Fisto, coloca os remédios na mala e a coloca em um canto do salão, os dois ficam na cozinha. A noite vai chegando.  Os dois voltam para a mesa. Elizabeth diz: - Fisto encontrei algo no meu quarto, é uma...      De repente, algo se quebra no salão. - O que foi isso? Diz Fisto. - Parece algo de vidro quebrando. Vou lá ver, diz Elizabeth.      Ela chega no salão. A grande porta que dá para a rua está fechada. É noite já, a luz é fraca, lá fora venta, mas não muito forte, está nublado, querendo chover. Elizabeth procura o que foi quebrado, examina as janelas, olha lá fora e volta para a cozinha e, quando volta... Fisto sumiu. - Fisto, cadê você? assusta-se Elizabeth. Não brinca assim. Foi procurar um quarto para você?      Elizabeth nota que Fisto deixou sua mala no salão. Ela correu, subiu a escada principal, andou pelos quartos pouco iluminados pelo gerador para procurá-lo. Não estava. Foi lá fora. Já estava noite. Silêncio total. A noite já tinha caído. Ao redor do casarão só havia árvores ao longe, a própria floresta. De repente... - Plack!!!      Um galho se quebra, como se alguém tivesse pisado nele. - Fisto é você? Se isso for uma brincadeira não estou achando graça.      Silêncio, ninguém respondia. Estava muito escuro de onde veio o barulho. De repente... um som de porta fechando. -Tem alguém na casa, pensou Elizabeth.      O som veio da cozinha. Ela entrou para dentro pela porta principal. O salão estava m*l iluminado. Elizabeth lembrou da espingarda. Subiu a escada central, correu para o quarto, abriu a terceira gaveta onde estava a a**a e... - Sumiu, mas eu tinha certeza que tinha uma a**a aqui, diz Elizabeth.      Ela procurou mais no fundo da gaveta. A caixa de balas ainda estava lá. Ela abriu, todas estavam lá. De repente... um som de passos em cima do quarto onde estava. Passos como se alguém usasse sapatos. - n******e ser Fisto. Ele estava de tênis que não faz barulhos assim. Mas há quartos lá em cima?      Elizabeth criou coragem, foi até o fundo do corredor dos quartos onde tinha uma janela. Olhou pela janela, só escuridão lá fora. Notou uma escada lateral que levava para cima, um outro andar do casarão. Mas não teve coragem de ir sem a a**a. Voltou para o quarto. Deitou-se na cama. Pela primeira vez sentiu seu conforto. O colchão era macio, bem diferente do colchão do orfanato. Sentiu o lençol branco e macio. O travesseiro de penas de ganso era perfeito. Elizabeth fechou os olhos e, de repente, sentiu algo pingando em seu rosto. Chuva? Pensou ela. Limpou o seu rosto com a mão e, ao vê-la, era um liquido vermelho. Assustou-se. Levantou-se da cama. Notou que a torneira do lavatório no banheiro estava aberta. Foi até o banheiro. Lavou a mão e o rosto, mas teve medo de se olhar no espelho. Voltou assustada para o quarto. Tentou ver o teto, para ver de onde vinha a goteira, mas não viu nada. O quarto, assim como o resto do casarão, era m*l iluminado. O gerador não iluminava tão bem assim. Então, ouviu uma voz, estridente. - O QUE VOCÊ PROCURA ESTÁ NA PRIMEIRA GAVETAAAAA!!!!      Elizabeth não entendeu, teve medo, quis sair do quarto, mas a porta estava trancada. Tentou destrancá-la, procurou a chave, estava em cima da penteadeira, tentou abrir a porta, mas esta não abria. Sentiu uma presença no quarto, atrás dela, virou-se rápido e... acordou. - d***a, que sonho r**m, diz ela.      Deitou de novo. Lembrou-se da voz. Primeira gaveta. Elizabeth correu até a primeira gaveta da penteadeira e, achou a espingarda. - Como ela veio parar aqui, estava na terceira gaveta de baixo, eu lembro, ou será que mexi na a**a e coloquei aqui?      Nesse ínterim, ouviu uma batida na porta central. A campainha tocou. - Será que é o Fisto?      Elizabeth correu para a porta, descendo as escadas, abriu a porta e... era o advogado, Adolfo Perez. - Olá menina. - Você? O que deseja? - Desculpe vir a essa hora, Elizabeth, é que você tem que assinar esses papéis. Fazem parte da tramitação do processo de herança. Uma burocracia para que você herde tudo. - Claro, assino, tem uma caneta? - Aqui. Assine em cima da minha pasta.      Quando Elizabeth ia assinar os documentos, sem ler, ouviu uma voz: - NÃO ASSINEEEE!!!!      Elizabeth assustou-se. - Ouviu? Perguntou Elizabeth ao advogado. - Ouvi o que? Diz ele. - Nada, bobagem. - Então pode assinar, diz o advogado.      Elizabeth já ia assinar os papéis quando: - Não posso, agora não, estou um pouco ocupada. - Mas é fácil, é só assinar, diz o advogado. - Eu preciso arrumar algumas coisas aqui, desculpe, depois eu assinarei com mais calma. - Mas eu vim de longe, meu carro está lá fora. - Eu sei, desculpe, não posso agora. - Está certo, diz o advogado Adolfo Perez. Volto depois.      Elizabeth trancou a grande porta, olhou pela janela e viu o advogado ir embora de carro. Passou a trancar as outras portas e janelas do casarão. Voltou ao quarto onde estava, pegou a espingarda, colocou perto dela, trancou a porta e foi deitar. - Onde fui entrar, disse ela.     E adormeceu.     3 da manhã. Acordou. Lá fora estava ventando, o céu um pouco nublado. Olhou a paisagem escura de sua janela, com a floresta ao longe, quando percebeu um movimento, alguém andando ao longe. - Será aquele é o Fisto? disse ela. - FISTO, É VOCÊ? Gritou Elizabeth ao abrir a janela. Mas o passante não respondeu, estava um pouco longe.      Com a espingarda Elizabeth se sentiu mais segura para ir lá fora ver quem era. Mas não sabia se a a**a estava carregada ou não. Sentou-se na beirada da cama. A penteadeira ficava bem em frente. Levantou um pouco, pegou a caixa de balas. Eram 7 balas. Tentou abrir a espingarda, desengatilhou, mas não conseguiu. Estava carregada ou não? Ela não sabia e não ia atirar para ver. Ainda assim resolveu sair do casarão. Guardou as balas, pegou a espingarda e desceu. Abriu a porta, desceu as escadas de fora. Estava escuro, um breu. - FISTO, VOCÊ ESTÁ AÍ? gritou de novo.      De repente, sentiu algo em suas costas. Uma pedrada. Foi forte. Suas costas começaram a arder. Seu vestido era de pano fino, não protegia muito. Olhou para trás para ver quem tinha atirado a pedra. Não viu ninguém. - Quem está aí, eu vou atirar, disse Elizabeth pegando com mais firmeza na espingarda.      Não viu nada. Voltou correndo para dentro, trancou a porta, subiu as escadas, mas escorregou, sua canela pegou na quina da escada e a espingarda caiu. - d***a, machuquei, disse ela.      Ela voltou manquitolando para baixo, pegou a espingarda e subiu mancando para cima. Foi ao quarto onde estava, foi até a janela, não viu nada, voltou, sentou-se na beira da cama, levantou um pouco a saia, esfregou onde se machucou com a mão para que a dor diminuísse. - Já sei, disse ela. Talvez o celular de Fisto funcione.      Ela pegou seu celular, ligou para o número de Fisto e... alguém atendeu. - Fisto, você está bem? Disse Elizabeth.      Ninguém respondia, mas Elizabeth notou que tinha alguém do outro lado, pois ouvia uns sons imperceptíveis ao fundo. - Responde, alguém aí?      O fone desligou. Elizabeth tentou de novo, mas dessa vez ninguém atendia. Desligou o fone. Ela saiu do quarto, mancando um pouco, embora menos que antes, mas foi. Foi ver todas as portas e janelas, certificando-se de que estavam bem trancadas, entrou no quarto de novo, resolveu trancar a porta do quarto, deixou a luz ligada, estava fraca, e foi dormir com a espingarda do lado da grande cama.      Acordou. Algo rolava em cima da casa, um som de pedras rolando. Levantou, pegou a espingarda e foi ver lá fora pela janela do quarto, mas, com medo, ficou no canto da janela. Tudo escuro, um breu. Tentou ver algo, chegou o rosto mais para perto do vidro e... crash... uma pedra atingiu o vidro, mas por reflexo ela desviou o rosto, caindo de costas, mas não largando a espingarda. Enfurecida gritou: - CHEGAAAA!!!!      Pegou a espingarda, colocou no lugar onde o vidro quebrou e... bum... atirou, caindo para trás, deixando a espingarda cair de lado. Levantou-se e foi ver lá fora. Nada. Foi para a penteadeira, buscar mais balas, abriu a terceira gaveta e... - Cadê a caixa de balas? Perguntou ela.      Revistou a gaveta nervosa. Nada. Lembrou da voz no sonho que lhe indicara a espingarda na primeira gaveta. Foi nela, abriu, procurou as balas e nada. Abriu a segunda gaveta, olhou tudo. - Não é possível, só pode ser brincadeira. Será que tem mais balas nessa espingarda? Nem sei como isso funciona.      Resolveu não mais atirar à toa, só se tivesse certeza. Assustada, foi até a janela, mas dessa vez de forma cuidadosa, observando lá fora. Difícil ver algo, muito escuro, a noite assustava. Temeu levar outra pedrada. O céu estava relativamente limpo. Dava para ver as estrelas. Elizabeth ficou observando-as. Na floresta eram mais brilhantes. Essa visão a relaxava. - Vou dormir, quem sabe tenho outro sonho que me diga onde estão a caixa com as balas para essa espingarda, disse para si própria.      Elizabeth deitou-se e dormiu rápido, mas nada de sonho. Acordou, o quarto brilhava como sol, olhou no celular. - Nossa, já são 1 da tarde.      Levantou-se, tinha dormido de roupa, sua mala estava no chão perto da cama, abriu, pegou uma saia preta e um camisa de tecido fino, branco, mangas longas, com um bolso na frente e dois de lado, trocou de roupa ali, sem banho, calçou um tênis preto com meias brancas, foi direto ao banheiro, lavou o rosto, olhou seu rosto no espelho, assustou-se, olhou a janela do quarto e... - Ué, não está mais quebrada, mas ela quebrou quase na minha cara, uma pedrada.      Chegou perto, tocou a parte da janela que devia estar quebrada com a mão direita. Estava firme. Procurou a pedra no quarto, não achou. - Será que sonhei com isso?     Destrancou a porta, foi embaixo até a cozinha, com a espingarda em punho. Abriu o armário, ainda estavam lá a comida, colocou a espingarda na mesa, pegou um saco de arroz, o tradicional de 5 kg, abriu o saco de arroz, pegou uma panela que estava embaixo da pia, uma xicara que estava em outro armário, esse embutido, onde ficavam os pratos e copos. Colocou um pouco de óleo na panela, ascendeu o fogo do fogão (era elétrico), colocou a panela no fogo, tentou achar alho para temperar o arroz, mas não achou nada, colocou o arroz em uma vasilha de plástico que achou embaixo da pia, lavou o arroz e com uma colher grande, colocou um pouco de arroz dentro da panela cujo óleo já fervia. Depois colocou água na vasilha de plástico, um pouco e colocou na panela. Esperou um pouco, foi até o saldo e ficou andando por lá, quando se lembrou que deixou a espingarda na mesa. - Não é possível que vai sumir.      Correu para a cozinha e... a espingarda estava lá, normal. Pegou ela. Foi olhar o arroz, tentou achar sal para temperar o arroz, mas não tinha. Ficou olhando pela janela da pia, uma janela um pouco grande, lá fora árvores ao fundo. Disse: - Fisto, onde você está?      Lembrou-se que vieram de carro. Foi correndo lá fora, com a espingarda na mão, abriu a porta do salão que dava para as escadas lá fora e viu de longe o carro. - Ainda está ali, então ele está por aqui, não poderia ir para a cidade de a pé.      Voltou para a cozinha, o arroz estava quase pronto, colocou mais um pouco de água, deixou ferver mais um pouco e notou que o arroz estava já pronto. Apagou o fogo, com a colher grande tirou um pouco de arroz e colocou em um prato de porcelana com enfeites de folhas verdes de árvore. Ao tentar comer notou que não tinha colher, nem garfo em lugar nenhum. Comeu com a colher grande. Era o que tinha. Imaginou que Fisto estivesse sem comida. Pensou na mala de Fisto. - Espera a mala dele está aqui no salão.      Deixou a comida na mesa e correu, achou a mala. Abriu, eram roupas comuns, viu os remédios em uma canto da mala, mas não quis mexer, lembrou que ele tinha ficado com raiva e imaginou que se voltasse e notasse o remédio mexido acharia r**m. Deixou para lá. Encontrou alguns textos. Falava que Calçoene é conhecida pelo seu antigo observatório megalítico, muitas vezes referida como a "Stonehenge Amazônica". Leu no folheto:      Calçoene é limitado a norte e leste pelo Oceano Atlântico, a sul pelos municípios de Amapá e Pracuuba, e a oeste pelos municípios de Oiapoque e Serra do Navio. Calçoene está a 272 km da capital do estado do Amapá, Macapá. O município contém 23% dos 2.369.400 hectares da Floresta Estadual do Amapá, uma unidade de uso sustentável de conservação estabelecida em 2006. - Deve ser a floresta que está lá fora, pensou Elizabeth.      Continuou lendo:       Um grande círculo de pedra megalítico conhecido como a Stonehenge Amazônica, ou Parque Arqueológico do Solstício, está localizado no estado do Amapá, Brasil, perto da cidade de Calçoene. É composto por 127 blocos de granito, cada um com até 4 metros de altura, de pé em um círculo medindo mais de 30 metros de diâmetro em um morro. Os arqueólogos acreditam que este sitio foi construído por povos indígenas para fins astronômicos ou cerimoniais, provavelmente uma combinação. A função deste sítio megalítico é desconhecida, bem como outros sítios, como Stonehenge, um local muito mais antigo localizado em Wiltshire, Inglaterra. - Se Fisto trouxe esses textos deve ser por que queria visitar esse local, será que ele está lá, mas onde é?      Elizabeth continuou lendo:      Embora as pedras em si não tenham sido submetidas a técnicas de datação de carbono 14, cacos de cerâmica encontrado no local, e que passaram por datação, indicam que o local já era usado entre 500 a 2000 anos atrás. A origem destes blocos de granito é incerta. Em certos sítios megalíticos, como Stonehenge em Wiltshire, Inglaterra, os blocos foram movidos para o sitio a partir de uma certa distância. Os arqueólogos ainda não têm certeza se a Stonehenge Amazônica segue esse padrão. No solstício de verão (verão no hemisfério sul, inverno no hemisfério norte) de 21 de Dezembro, o dia mais curto do ano no hemisfério norte, a sombra de um dos blocos desaparece quando o sol está diretamente acima dela. A pedra parece ter sido colocada no ângulo exato de modo que a sombra é possivelmente pequena durante todo o dia. É o alinhamento deste bloco com o solstício de dezembro que leva os arqueólogos a acreditarem que o local era um tipo de observatório astronômico. Arqueólogos acreditam que o sitio foi feito por uma cultura indígena sofisticada. Uma das pedras tem um buraco circular esculpido nela. Durante o solstício, em dezembro, o sol brilha diretamente nesse buraco para outra rocha por um longo período de tempo apoiando a ideia de que a Stonehenge Amazônica foi utilizada como um local astronômico. As pedras de granito que compõe a formação são ásperas e brutas, ou seja, não foram esculpidas. - Ele deve estar lá, disse Elizabeth.      Ao procurar mais ela notou um mapa no meio dos textos que leva ao local. No mapa constava o nome Fazenda Cavendish. - É esse lugar aqui, diz Elizabeth, com voz irônica.      Pelo mapa ela notou que a fazenda não fica tão longe. A estrada que passa perto de lá é a que passa na frente da fazenda. Pensou em ir de carro, mas não sabia dirigir, procurou as chaves na mala, mas não achou imaginando que talvez estivesse com Fisto. - Se ele foi nesse lugar por que não usou o carro e por que não me disse nada, será que era por que estava com raiva de mim por ter mexido nos remédios dele e resolveu ir a pé? Só tenho essa pista, vou lá, longe ou não, ainda é de tarde, talvez eu volte antes de cair a noite, disse ela.      Elizabeth foi, com a espingarda na mão, deixando o restante do arroz ainda no prato, na cozinha. Pegou o texto, aberto no mapa, abriu a porta principal que dava para a rua, levou também o celular, trancou a porta, desceu as escadas e foi.      A estrada é de terra, quanto mais Elizabeth andava mais se embrenhava na floresta. As margens da estrada de terra tinham árvores, mato alto, o que lhe dava certo receio. O céu estava limpo, havia algumas nuvens, mas fazia calor. As árvores na estrada lhe davam sombra o que possibilitava ela andar mais. Elizabeth pegou o mapa, mas não conseguia lê-lo bem. O mapa mostrava o sitio arqueológico perto da estrada, mas ela já havia andado alguns quilômetros e nada. Ela estava com uma saia preta grande, que começava a sujar na barra. Estava de tênis o que a ajudava a andar mais. O calor a fazia suar. - Preciso de um banho, desde que cheguei aqui nada, disse ela consigo própria.      Continuava a andar, até que percebeu que o sol estava se pondo. - Nossa, está chegando a noite e vou ficar aqui sozinha.      Deu meia volta, mas quando fez isso deu de cara com um índio na beira da estrada. Assustou-se, pegou mais firme na espingarda, mas não apontou para o índio. Era um típico índio amazônico, apenas de tanga, mas sem penas na cabeça, estava também com uma espingarda. Ele ficou parado olhando-a. Com voz firme disse: - Está perdida?      Meio assustada, Elizabeth respondeu: - Não, estava querendo ir a um sitio arqueológico, mas estou voltando. - Você é da Fazenda Cavendish, não é? Perguntou o índio. - Sim, como sabe? - É o único lugar aqui perto com gente. Deve estar agitado, acharam ouro lá. - Como é? Perguntou Elizabeth. - Sim, depois que o dono faleceu, acharam uma mina. Bom já vou indo, cuidado com as onças, elas caçam a noite, disse o índio.
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