A Villa Marino se transformou em um forno de pedra com a chegada de agosto. O ar denso e úmido que soprava do Estreito de Messina parecia carregar o peso das semanas que se arrastavam sem que nada mudasse. De pé diante do espelho do banheiro compartilhado no corredor, terminei de escovar os meus cabelos loiros. O reflexo que me encarava de volta era a imagem perfeita da filha intocável que o meu pai tanto adorava. Deslizei os dedos pelo meu pescoço nu. A pele clara estava impecável. Os roxos desapareceram, as marcas de mordidas sararam e qualquer vestígio físico das noites que passei com Mattia havia sido apagado pelo tempo. A ausência de marcas me dava uma sensação doentia de irrealidade. Às vezes, no silêncio sufocante da madrugada, eu quase me convencia de que a capela em ruínas, o

