Capítulo 22: Mattia

1396 Palavras

O quarto cheirava a mofo envelhecido, poeira e madeira podre. O calor abafado da noite de julho transformava o cômodo pequeno em um forno. Mas para mim, aquele lugar era o maior dos troféus. Era o altar onde eu profanaria a filha de Alessio Marino bem debaixo do nariz dele. Eu já estava lá dentro há duas horas. Subornei o proprietário do prédio, arrombei a fechadura barata dos fundos e esperei no escuro, encostado na parede ao lado da janela, fumando em silêncio. Pela fresta da cortina encardida, vi os faróis do Lancia cortarem a rua de terra batida. O carro parou. Carmine e Salvatore desceram primeiro, os olhos varrendo as vielas escuras com as mãos nos paletós, tensos como cães de guarda em território inimigo. E então, Aurora saiu. Ela usava um vestido longo e recatado, o cabelo loiro

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