O contraste entre as folhas de ouro do Palazzo Rossi e as paredes de concreto e vidro do meu apartamento sempre foi o meu único alívio na capital. Aquele espaço, a poucos quarteirões da Piazza Croce dei Vespri, era o meu verdadeiro território. Onde as máscaras da Cosa Nostra caíam. Girei a chave e empurrei a porta. O cheiro de antisséptico barato e sangue seco pairava no ar da sala. Cristiano estava sentado no sofá de couro, inclinando o corpo sobre a mesinha de centro. Ele usava os dentes para rasgar a ponta de um esparadrapo, enrolando a fita ao redor dos nós dos dedos da mão direita, que estavam completamente em carne viva. Fechei a porta com um chute leve e joguei as minhas chaves no balcão da cozinha. — Deixe-me adivinhar — murmurei, afrouxando a gravata de seda e abrindo a gelad

