Estacionei o veículo a dois quarteirões da casa de penitência, camuflado nas sombras densas de um beco estreito que cheirava a lixo velho e umidade salgada. Desliguei o motor, mas mantive as janelas abertas para tentar capturar qualquer brisa que viesse do Estreito de Messina. Não havia vento nenhum. O calor de agosto transformava a noite siciliana em um forno abafado. As minhas mãos apertavam o volante de couro com força, a textura grudando no suor das minhas palmas. O relógio digital no painel marcava quinze minutos para a meia-noite. Eu conhecia a rotina dela. Nas noites anteriores em que estivemos juntos, a essa hora, Aurora já teria escorregado pela janela do banheiro. Ela já teria atravessado a calçada em passos rápidos, o vestido escuro se misturando à noite, e entrado no lado

