Eu Sei Que Você Gostou.

1312 Palavras
MATEU Eu não ia embora sem vê-la. Jasmine podia se esconder por um dia, dois, até uma semana se quisesse. Mas cedo ou tarde, ela ia ter que me encarar. E eu estava aqui para garantir que fosse agora. ... Apartamento de Jasmine - 10h30 Bati na porta. Nenhuma resposta. Esperei um segundo antes de bater de novo, mais firme desta vez. Eu sabia que ela estava ali. Finalmente, ouvi o barulho da maçaneta girando. A porta se abriu só o suficiente para que eu visse seu rosto. Seus olhos estavam inchados, o cabelo solto e bagunçado, como se tivesse acabado de acordar de um sono turbulento. — O que você está fazendo aqui? Sua voz saiu hesitante, ela empurrou a porta. Antes que pudesse tentar fechar, eu segurei a lateral e entrei. — Não faz isso, Jasmine. Ela me olhou, surpresa, mas não recuou. Bom sinal. Fechei a porta atrás de mim e ela deu alguns paços pra trás. Ela cruzou os braços, me encarando com uma mistura de irritação e desconforto. — Então é assim? Você invade a casa das mulheres depois de… depois de… Ela não terminou. Porque nem ela sabia como nomear o que aconteceu. Mas eu sabia. Eu a observei em silêncio, esperando. Ela estava prestes a quebrar. E então, aconteceu. — Vocês me induziram. As palavras saíram rápidas. — Eu não sou assim. Nunca fui! Ah. Lá estava, Resistência. A luta interna. O conflito que eu sabia que viria. — Jasmine… Dei um passo à frente, e ela automaticamente deu um para trás. Mas não o suficiente para sair do meu alcance. Agarrei sua cintura e a puxei de volta para mim, sua respiração travou. — Então me diz que não gostou! Ela fechou os olhos. — O quê? Sussurrou em hesitação. Segurei seu rosto entre os dedos, forçando-a a me encarar. — Diz. Diz que não gostou. Ela abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Tentei conter o sorriso. Ela não conseguia mentir para mim. Era uma péssima mentirosa. Sua boca roçando na minha, aquele maldito corpo quente e delicado nas minhas mãos de novo. Caralho! Seus olhos piscaram rápido, ela afastou levemente o rosto, o peito subindo e descendo com a respiração acelerada. — Isso está bagunçando minha cabeça. Passei o polegar pela sua bochecha, suavizando a tensão. — Eu sei. Ela tentou desviar o olhar, mas não deixei, segurando seu rosto com um pouco mais de firmeza. — Você está em aceitação. Isso está batendo contra suas convicções. Vi seu corpo amolecer sutilmente em meus braços. Era isso. Ela estava cedendo. E eu só precisava dar mais um empurrão. Baixei o tom de voz, mudando da firmeza para algo sedutor. — Não precisa ter vergonha comigo. Os olhos dela brilharam, indecisos. Suspirou, e eu vi sua última barreira começar a rachar. — Eu… não deveria ter gostado. A voz saiu em um fio, quase imperceptível. Mas eu ouvi. E, quando ela abriu os olhos de novo, me viu sorrindo, não dava pra conter a satisfação, Eu estava gostando... — Eu não sou assim. Acariciei seu rosto com o polegar, mantendo-a presa na minha órbita. — Eu sei. Ela suspirou, seu olhar lhe traiu, a resistência por um fio. Seus olhos desviaram pra minha boca. Desejo, Era isso. Eu não perdi a oportunidade e então, a beijei. Lento. Profundo. Dessa vez, sem a pressa e o desejo insano da noite que passamos. Dessa vez, era para fazê-la entender que isso não era só um jogo ou um desejo profano. Era muito mais. E Ela se entregou completamente. .... JASMINE O beijo foi diferente. Não tinha a mesma pressa, o mesmo desespero de antes. Tinha algo mais profundo, mais perigoso. E foi por isso que precisei me afastar. Me afastei devaga antes da sanidade me abandonar novamente, tentando recuperar o fôlego. Ele era tão autoritário, tão predador, me sentia pequena diante dele. Mateu me observava, como se pudesse ver dentro da minha alma. Eu não sabia o que fazer com isso, não tinha o controle. E eu não podia permitir que ele continuasse me bagunçando assim. — Você precisa ir. Empurrei levemente seu peito mas ele não se moveu. Apenas me encarou, avaliando cada detalhe do meu rosto. — Por quê? Engoli em seco. — Porque eu preciso colocar a cabeça no lugar. O olhar dele escureceu. — E acha que eu não posso te ajudar com isso? Respirei fundo, tentando me manter firme. — Você não está deixando eu raciocinar, Mateu. Eu não consigo com você aqui. Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos. Por um momento, achei que ele fosse insistir. Mas, então, ele cedeu. — Tudo bem. Alívio e frustração me atingiram ao mesmo tempo. Mas antes que eu pudesse me sentir completamente livre, ele se aproximou mais uma vez. — Mas quero que me prometa uma coisa. Hesitei. — O quê? Ele segurou meu queixo, forçando-me a olhar para ele. — Que você vai voltar para a empresa. O pedido me pegou de surpresa. Mas a verdade? Eu precisava voltar. Não podia me esconder para sempre, eu precisava daquele dinheiro, precisava daquele emprego. — Eu prometo. Ele pareceu satisfeito, mas não disse nada. Seu polegar acariciou meu lábio o olhando com intensidade, e se afastou. Senti falta do seu calor de imediato, aquele seu cheiro tão envolvente. Deu um último olhar ao pequeno apartamento antes de caminhar até a porta. E, então, um último olhar, me deixando embriagada e foi embora. Fui até a porta a trancando e me escorrendo nela, isso tudo era tão intenso, Eu não tinha forças pra suportar ou lutar contra. E, pela primeira vez desde aquela noite, eu pude respirar. Mas porque eu sentia frustração? porque ... desejei que ele resistisse ao meu pedido? ... LORENZO Eu já sabia. Desde o momento em que entrei na empresa e não vi Mateu em lugar nenhum. Ele foi atrás dela. Sozinho. E isso? Isso quebrou as regras. ... Escritório de Mateu - 11h30 Pedi a Luana que me avisasse assim que ele chegasse, horas depois recebi sua ligação. — Lorenzo, ele chegou, foi direto pra sala de reuniões. — Obrigado. Já iria desligar mas a culpa me consumiu — É.. Luana? — Sim? — Jasmine não compareceu ao trabalho hoje, ela deixou algum recado? — Não, nenhuma ligação. passei a mão no rosto soltando um bufar pesado. — Você tem o número pessoal dela? eu preciso dele. — O número pessoal? Sua voz veio cheia de questionamentos e julgamento. — É Luana, espero não ter que repetir. — Desculpa, pode anotar, vou passar agora. Escuto o número ser dito e anoto rapidamente em uma agenda. — Obrigado! desligo a ligação e salvo o número em meu celular. Eu vou tentar falar com ela, mas primeiro... primeiro eu preciso acertar as contas com ele. .... Entrei sem bater. Mateu estava atrás da mesa, na sala de reunião. digitando algo no notebook, mas parou assim que me viu. Nos encaramos por um instante. A tensão no ar era pesada. — Você foi até ela. Minha voz saiu controlada. Mateu não respondeu de imediato. — E se eu fui? Ri, sem humor. — E se foi? Você sabe o que isso significa. Ele cruzou os braços, encostando-se na cadeira. — O que você quer, Lorenzo? A pergunta era simples. Mas a verdade não era. Eu não sabia o que queria. Só sabia que não ia deixar ele tomar controle da situação. — Você está quebrando as regras. Ele riu baixo, sarcástico. — Desde quando nós seguimos regras? Cruzei os braços, irritado. — Desde que essa aposta começou. O olhar de Mateu endureceu. — Isso já deixou de ser uma aposta faz tempo. Eu sabia disso. E foi exatamente isso que me irritou. Porque agora? Agora, Mateu estava jogando para ganhar. E eu não ia permitir isso, eu não iria perder! ...
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