Pré-visualização gratuita As três letais
🖤 TEU TOQUE, MINHA RUÍNA
Capítulo 1 — As Três LETAIS
Aquela noite não tinha nada de normal.
Em algum lugar longe dos olhos da sociedade, existia uma parte da cidade onde as regras simplesmente deixavam de existir.
O submundo.
Um território dominado por criminosos, mercenários, organizações e homens que jamais apareciam oficialmente em lugar nenhum.
E naquela noite, três mulheres haviam decidido entrar nele.
Não porque tinham sido convidadas.
Não porque queriam negociar.
Mas porque queriam roubar.
— Só para confirmar — disse Elara, olhando para o mapa digital no pequeno dispositivo em sua mão. — Entramos, pegamos o objeto e saímos.
Lira ajustou as luvas pretas.
— Sim.
Kara sorriu.
— E se alguém tentar impedir?
Elara olhou para ela.
— Evitamos chamar atenção.
Kara continuou sorrindo.
— Claro.
Lira conhecia aquele sorriso.
— Kara.
— O quê?
— Não começa.
— Eu nem fiz nada.
— Ainda.
Kara deu de ombros.
As três estavam diante de um enorme complexo pertencente a uma das organizações mais perigosas daquele submundo.
O lugar parecia uma fortaleza.
Muros altos.
Seguranças por toda parte.
Câmeras.
Portões reforçados.
Homens armados patrulhando cada entrada.
Para qualquer pessoa normal, seria impossível entrar.
Para elas?
Era apenas mais uma noite de trabalho.
Elara tocou na tela.
As câmeras começaram a apagar-se uma após outra.
— Trinta segundos.
Lira sorriu.
— É suficiente.
As três avançaram.
Em poucos segundos, já estavam dentro.
Elara seguia na frente, identificando os corredores.
Lira observava os guardas.
Kara caminhava atrás delas, praticamente saltitando.
— Estou entediada.
— Estamos aqui há dois minutos — respondeu Elara.
— Exatamente.
Lira soltou um suspiro.
— Tenta ficar quieta.
— Não prometo.
Elara parou diante de uma porta.
— É aqui.
Lira aproximou-se.
— O objeto?
— Cofre atrás dessa parede.
Kara sorriu.
— Então finalmente chegamos à parte interessante.
— Para ti, tudo é interessante quando envolve confusão — disse Elara.
— Exatamente.
Elara começou a trabalhar no sistema de segurança.
Enquanto isso, Lira percebeu movimento no corredor.
— Temos companhia.
Passos aproximavam-se.
Vários.
Kara abriu um sorriso.
— Finalmente.
Lira segurou o braço dela antes que avançasse.
— Sem exageros.
— Eu sei.
A porta do corredor abriu.
Os homens entraram.
Por alguns segundos, ninguém se mexeu.
Então Kara desapareceu do lado das amigas.
— Kara! — chamou Elara.
Tarde demais.
Ela já estava correndo pelo corredor.
— Vou subir!
Lira fechou os olhos por um instante.
— Ela vai causar um desastre.
Elara continuou trabalhando.
— Pelo menos está levando os problemas para longe de nós.
Do andar superior veio o primeiro estrondo.
Depois outro.
E outro.
Kara gargalhou.
— MAIS UM!
Lira olhou para o teto.
— Ela está se divertindo.
Elara respondeu:
— Muito.
No andar de cima, Kara enfrentava os homens que tinham corrido atrás dela.
Ela se movia rapidamente, desviando dos ataques e derrubando os adversários sem hesitar.
Para Kara, aquilo parecia quase uma brincadeira.
— Vocês são sempre assim tão lentos?
Um deles tentou cercá-la.
Ela escapou.
Outro veio pela lateral.
Ela o fez perder o equilíbrio.
— Melhoraram!
Kara ria enquanto continuava avançando pelo corredor.
Ela não tinha medo.
Nunca teve.
Enquanto isso, no andar inferior, Elara finalmente conseguiu abrir o sistema do cofre.
— Abriu.
Lira aproximou-se.
Dentro havia uma pequena caixa preta.
Elara pegou-a.
— É isso.
Lira observou o objeto.
— Então vamos embora.
— Finalmente — disse Elara.
As duas começaram a sair.
Até ouvirem uma explosão de barulho no andar superior.
Elara olhou para cima.
— Kara.
Lira suspirou.
— Vou buscá-la.
— Não.
— O quê?
Elara apontou para a escada.
Kara apareceu no topo.
Cabelo bagunçado.
Sorriso enorme.
E completamente satisfeita.
— Acabei.
Lira cruzou os braços.
— Demoraste.
— Eu estava me divertindo.
— Percebemos.
Kara desceu as escadas.
— Então pegamos o que viemos buscar?
Elara levantou a caixa.
— Sim.
Kara abriu um sorriso.
— Perfeito.
As três caminharam juntas pelo corredor.
Nenhuma delas percebeu que, naquele momento, havia olhos observando-as de uma sala distante.
Três homens.
Três nomes conhecidos naquele mesmo submundo.
Kael.
Rian.
Dante.
Rian observava as imagens das câmeras que haviam voltado a funcionar.
— Elas entraram sem autorização.
Dante permaneceu em silêncio.
Kael olhava fixamente para a tela.
Na imagem, Lira caminhava ao lado de Elara e Kara.
Os olhos verdes dela passaram rapidamente pela câmera.
Kael estreitou os olhos.
Ela tinha percebido.
— Interessante.
Rian olhou para ele.
— O quê?
Kael continuou observando.
— Elas não estavam aqui por acaso.
Dante levantou-se.
— E agora estão saindo com alguma coisa que pertence a outra organização.
Kael sorriu.
— Deixem-nas sair.
Rian franziu a testa.
— Não vamos atrás delas?
— Ainda não.
Na tela, Lira parou por um instante.
Virou ligeiramente o rosto.
Como se tivesse sentido que alguém estava observando.
Então continuou andando.
Kael manteve os olhos nela.
— Quero descobrir quem são.
Dante continuava olhando para a imagem de Kara.
Ela estava andando tranquilamente atrás das outras duas, como se não tivesse acabado de transformar o andar superior numa confusão.
Por alguns segundos, ele ficou em silêncio.
Então comentou, com a mesma calma de sempre:
— Aquela é perigosa.
Rian olhou para ele.
— A de cabelo castanho?
Dante assentiu.
— Ela.
Kael ergueu uma sobrancelha.
— Por quê?
Dante cruzou os braços.
— Porque ela se diverte quando deveria estar preocupada.
Rian soltou uma pequena risada.
— Isso é o que te preocupa?
Dante continuou observando Kara desaparecer pelo corredor.
— Não.
Fez uma pausa.
— O que me preocupa é que ela não parece saber quando parar.
Kael sorriu.
— Talvez seja exatamente isso que a torna interessante.
Enquanto isso, as três mulheres atravessavam a saída do complexo.
Kara colocou as mãos atrás da cabeça.
— Foi divertido.
Elara guardou a caixa.
— Tu quase arruinaste tudo.
— Mas não arruinei.
Lira caminhava entre as duas.
— Da próxima vez, tenta não transformar uma missão de roubo numa competição.
Kara soltou uma gargalhada.
— Da próxima vez? Eu achei que vocês já tinham percebido que eu não sei fazer missões sem me divertir.
As três desapareceram na noite.
Sem saber que aquela missão havia chamado a atenção dos três homens mais perigosos daquele submundo.
E, principalmente, sem saber que Kael já tinha gravado na memória aqueles olhos verdes.
Nem que Dante já havia percebido a coisa mais importante sobre Kara.
Ela não era apenas perigosa.
Ela gostava de ser.
A primeira noite tinha terminado.
Mas a verdadeira história estava apenas começando.