Capitulo 24

633 Palavras

O motor zumbia suave enquanto a BMW cortava as ruas do Rio de Janeiro, já sob a claridade de um dia que prometia ser tão infernal quanto a madrugada. O silêncio dentro do carro só era quebrado pela respiração ainda trêmula do Lucas no banco do carona. Ele olhava pro painel digital iluminado, pras poltronas de couro claro, como se estivesse pisando em Marte. Pra quem morava na laje com o assoalho de cimento batido, o meu carro parecia a nave de outro mundo. Aproximei da entrada da comunidade onde a mãe dele morava, numa rua escura e íngreme que subia pras franjas do morro. Desliguei o motor. O silêncio pesou entre a gente. Antes de mandar o garoto descer, a curiosidade profissional e o instinto de advogada falaram mais alto. O nome do dono do Cruzeiro tinha feito o meu irmão surtar, vacil

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