Capitulo 23

1771 Palavras

Cheguei na frente da cela três. O buraco era tenebroso, um breu total, as paredes suando água podre, cheirando a sangue pisado e mofo de cadeia velha. No canto mais escuro, encolhido no chão de cimento gelado, abraçado nas próprias pernas e tremendo igual vara verde em ventania, tava o Lucas. Dezoito anos cravados na identidade, mas com carinha de criança assustada. O corpo do moleque era só o osso. E a equipe covarde do meu irmão tinha feito a festa, amassado o garoto na pura maldade. O supercílio dele tava estourado, vazando um sangue grosso que secava no rosto, a boca tava um balão roxo e rasgado, e o braço esquerdo tava inchado, preto de porrada de cassetete. Bateram num garoto que pesa sessenta quilos molhado como se fosse o frente do morro. Enfiei a chave grande na fechadura grossa

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