Toquei a marca no pescoço com a ponta dos dedos. Latejava numa dor ritmada. Mas por baixo daquela dor física, não tinha um pingo de pena de mim mesma. Tinha um ódio puro, cristalino, refinado pela inteligência. — Tu cometeu o pior erro da tua vida, Carvalho... — murmurei pro espelho, a voz fria. — Tu achou que me bater ia me fazer ter medo. Tu só me deu a certeza de que eu preciso te destruir sem dó. Tirei a roupa rasgada, joguei o pano no lixo e entrei no box do chuveiro. Abri o registro no talo do lado frio. A água congelante desabou no meu corpo de uma vez, arrancando um suspiro involuntário. Deixei o jorro gelado bater na minha cabeça, lavar o sangue seco do rosto, limpar o cheiro de tequila e o bafo azedo do meu irmão. Fechei os olhos debaixo da ducha, sentindo o choque térmico acal

