A menção ao nome do dono do morro foi o estopim definitivo. A fisionomia do Carvalho desmoronou de vez. Ele perdeu o resto de controle motor que a raiva segurava. O meu irmão urrou feito um animal ferido, puxou o braço esquerdo pra trás com toda a ignorância que tinha no corpo e desceu um tapa de mão aberta, pesado, seco e covarde direto na lateral do meu rosto. O som da estalada de mão aberta ecoou pela calçada deserta feito uma chicotada de ferro. A violência do golpe foi tão cavalar que a minha cabeça virou pro lado com tudo, a minha nuca bateu no travessão de aço do carro e os meus joelhos cederam na mesma hora. O meu salto agulha rasgou a sarjeta e eu desabei de lado na pedra portuguesa da calçada, raspando a coxa e o cotovelo no chão sujo. O meu cabelo caiu inteiro sobre o meu rosto

