NARRADO: LÍVIA CARVALHO O metal gelado da pistola ponto quarenta que ele apontava pras minhas amigas brilhava sob a luz baixa do bar, mas o que me dava mais nojo não era o ferro na mão dele, era a fraqueza escancarada naqueles olhos injetados de sangue. Os playboys e as socialites nas mesas ao redor tavam estáticos, com os copos de chopp parados na boca, assistindo o delegado titular da nona DP passar o maior recibo de desespero em plena Zona Sul carioca. — Solta o meu braço agora, seu verme do c*****o! — eu rosnei, enterrando o salto agulha no chão de madeira, tentando puxar o meu pulso da pinça de ferro que os dedos suados dele faziam. A regata de seda rasgou um pouco mais no ombro, mas eu não recuei um milímetro. A minha marra era blindada. O Carvalho não soltou. Pelo contrário, aper

