Pré-visualização gratuita Aos Dezessete Anos
- E aí, irmãzinha? O tom veio com maldade, fez-me sentir calafrios. Senti que a voz continha malícia. Soou como um aviso, um alerta de perigo, o olhar que a noite se perdia, o semblante pesado, carregado, desponderado.
- Saia do meu quarto Anselmo! O papai não está aqui e nem a mamãe!
- Eu sei gostosa!
- Tá louco? Se i****a, doente! - Me apavoro com ele se aproximando.
- Você tem uma b*******a linda sabia, maninha.
Meu corpo se arrepia, aquele olhar doente, parecendo que as trevas se duelavam para almejar o que já pretendiam.
- Eu vou te chutar, não se atreva a chegar mais próximo, Anselmo. Eu conto tudo para papai!
- Ele não acredita em você. E eu sou homem, então sua palavra não é nada, minha meia irmã. - Meu corpo grita e as pernas se enraízam.
O i*****l pega pelos cabelos e passa a mão pelo meu corpo, chupando meu pescoço, parecendo um sugador de almas. A dor é insuportável, suas mãos buscam a entrada da minha i********e. Logo penso o que fiz para merecer esse castigo.
Quando tento fugir, ele consegue beijar minha boca e dois dedos penetram com força, a entrada seca, morta, dolorida, eu começo a vomitar. Nesse momento, o demônio se afasta de mim, me xingando de porca imunda. Disse-me que contar ao papai será perda de tempo, pois a palavra do homem é valorosa.
Caio no chão e fico me sentindo suja, fétida, por ter deixado ele me tocar. Sinto vontade de ir embora daqui, mas não consigo me mover… sinto-me enojada pelo que aconteceu, o choro cai sem gritos, gemo de medo; estou trêmula, tudo fica escuro ao meu redor. Sinto meu corpo caindo no mais profundo abismo.
- Cacau, Cacau, minha filha, o que aconteceu?! Que vômito é esse? O que foi isso no seu pescoço?
Não sei quanto tempo fiquei desacordada, mas agradeço que minha mãe esteja aqui.
- Mamãe... - titubeio antes de contar - foi o Anselmo! Ele parecia estar possuído. Tentou me estuprar e fez isso no meu pescoço… Eu fiquei tão apavorada que vomitei e, em seguida, desmaiei.
- Cláudia, eu fico muito decepcionado por estar mentindo com meu nome, mas eu te perdoo, és minha irmã e eu a amo - diz a peste querendo se passar por bom moço.
- Não encosta em mim, seu nojento! Não se atreva... Mamãe, Papai, ele está mentindo! Mamãe, a senhora confia em mim?
- Se ele tentou estuprá-la cadê o sangue entre suas pernas? - Ele respira e passa a mão entre a boca e o queixo - Então, o que eu já havia desconfiado se confirma. Você não é mais virgem - fala meu pai desconfiando de mim e deixando aquele i****a mais fortalecido.
- Eu não sangrei, ele enfiou...
Sinto um “tapão” na face que sinto o gosto de sangue, na boca. Minha cabeça volta a girar.
- Sua libertina, está desonrando seu irmão, para encobrir seus atos pecaminosos! Quem me garante que não esteja drogada e agora, que foi pega em flagrante, culpa um inocente?
- Nãaaaaaaoooooo!!! Eu não me drogo, eu não bebo... Vocês estão cegos? Olhem a cara cínica dele... Mamãe confia em mim, eu não sou mentirosa!!! - grito desesperada esperando que alguém me ouça.
- Você vai sair da minha casa se falar mais alguma coisa, sua prostituta! Quem estava aqui fazendo farra dentro do meu santossacro lar? Bem que o Anselmo já havia me alertado sobre suas amizades, um bando de degenerado igual a você.
- Mãe, mãe... Eu não acredito que a senhora vai deixar seu marido me expor ao ridículo dessa forma...
Sinto um puxão pelo pescoço e sou encostada na parede, meu pai começa a esbravejar, a xingar minha cabeça era balançada como se eu fosse um pé de alface. Os gritos de desespero para proteger seu filho primogênito me deixaram com mais náuseas… e, novamente, vomitei... Fui arremessada em cima da cama e ainda apanhei, como se fosse uma quenga, uma perdida. As cintadas, segundo meu pai, era por ter transando, em casa, como uma drogada, uma bêbada sem eira nem beira.
A minha mãe ficou em choque, porém, não me ajudou; ela ficou calada. Nesse momento, sua face derrama lágrimas e, com o terço em mãos, parecia rezar.
Enquanto o meu algoz manipulava gestos obscenos, ria da minha dor, se divertia com meu desespero, o meu pai não cansava de me xingar. Esbravejava que eu fui completamente errada por tudo que acontece, aconteceu e acontecerá na minha vida. É assim que um presbítero, responsável por distribuir o Corpo Santo de Cristo, se comporta diante da filha que acabara de sofrer uma tentativa de estupro pelo próprio meio irmão? Julgada apenas por ser mulher e não ser mais virgem?
Quando ele terminou de me bater, disse que eu tinha que arrumar a bagunça que eu fiz. Obrigou-me a pedir perdão ao meu irmão, a confessar-me ao Padre. Disse-me que meu corpo fede a imundice.
Saíram todos do quarto e eu não tinha mais nada pra chorar. Meu corpo exaurido, ainda sentia os dedos daquele i*****l me tocando. Sinto arrepios e calafrios ao lembrar-me das vozes me culpando.
Com muita tristeza descobri hoje o que é uma mulher submissa ao marido e não ter voz, ao menos em uma única defesa… dizia tanto me amar... Por que ela não me defendeu? O que foi que eu fiz, Senhor? Por que está me castigando??
Ouvi alguém batendo na porta... era o Padre Odilon. Pediu licença para entrar, e com os olhos marejados, abrindo os braços, tentou me abraçar. Mas desvencilho, acuada e melindrosa de tudo que aconteceu.
- Minha filha, quer se abrir comigo?
- O meu pai já deu a versão dele.
- Eu quero ouvir a sua.
- Eu nunca bebi, nunca me droguei... Anselmo enfiou dois dedos dentro de mim! Ele me chamou de gostosa, e eu sinto asco, nojo… me sinto podre.
- A verdade só Deus sabe. No entanto, não fica brigando com seu irmão e não deixa seu pai triste.
Olho incrédula para o padre que também não confia em mim, sinto meu corpo fraquejar, a vontade de chorar volta.
Ele acaba concluindo: - Se tivesse ido à missa com seu Pai, nada disso estava acontecendo.
Como pode existir Deus na vida desse homem? Ele realmente está me culpando pelo que aconteceu aqui?! Eu sou uma desfrutável, uma pecadora aos olhos do Pai Celestial, por não ir a uma missa???
Saio do quarto com a cabeça cabisbaixa, não pretendo levantar tão cedo, finjo um arrependimento e peço perdão ao meu irmão.
Pergunto ao meu Pai se posso me retirar, e, antes dele falar algo, minha mãe fala:
- Querido, deixa que Cacau ficar no quarto. O momento não está agradável para exigências.
- Uma mulher sábia edifica sua casa, seu Emanoel. Ouça sua esposa. - O padre quer agradar quem mesmo?
Volto para o quarto, que já estava limpo, deito de bruços na minha cama e sinto minha mãe me tocando e chorando. Não olhei pra ela, mas, eu queria seu apoio, sua voz de mãe. Porém, naquele momento, havia uma mulher fraca, que permitiu que meu corpo fosse massacrado, sinto como se dois caminhões me atropelaram.
Caio no sono. Nesse momento, minha mãe ainda estava no quarto, não sei a hora que ela saiu. Concluo que não quero ficar debaixo do mesmo teto que Anselmo.
Acordo sentindo uma mão no meu pescoço, era a treva com um olhar sem direção, com uma faca apontada pra mim e disse:
- Não fiz o que deveria fazer, irmãzinha. Eu disse que Papai não ia acreditar em suas palavras... Eu sou o homem e um homem nunca dúvida da palavra do outro, as mulheres que ficam nesse pé de guerra.
Ele passa a língua na minha boca e aperta meu pescoço, fala um monte de p*****a no meu ouvido. Faço como se fosse vomitar, ele se afasta dizendo que vai se divertir muito comigo.
Meu corpo estremece, minhas mãos ficam frias... Eu preciso ir embora daqui! Mas em que confiar, se minha palavra não vale para meus pais? Ah! Tanta gente falando de toxicidade familiar e eu tinha orgulho em dizer que nunca tinha problemas dentro da minha família, até o dia de hoje, com dezessete anos, sendo molestada pelo meio irmão e desprotegida pelas pessoas que eu mais amava.
Pai Celestial, por que aconteceu isso comigo? Por que? Será que o Padre Odilon está certo quando ele disse que coisas ruins vão acontecer comigo apenas pelo fato de eu não ir à missa? Me ajuda, Deus! Me ajuda! Agora eu estou sozinha...
Passaram quinze dias daquele episódio, meu pai finge que nada aconteceu, me forçou ir pra missa. O Padre Odilon pregou sobre os jovens com bebedeiras e drogas, deu vontade de levantar e sair.
Minha mãe até hoje, nunca me perguntou nada e nem sei qual o posicionamento dela sobre o quê ocorreu.
Estamos indo buscar Anselmo na rodoviária porquê dois dias após a da tentativa de estupro, ele mentiu pro pai, dizendo que a mãe dele estava doente. Lógico que agora eu sei que é mentira e antes eu, i****a, ficava abraçando, fazendo carinho nesse neandertal, enquanto o desejo dele era me f***r.
Chegamos em casa e eu tinha que fingir que nada tinha acontecido, a louca sou eu e por ciúmes do Anselmo, eu inventei tudo. Mas Deus até me perdoou, é assim que meu pai quer que seja.
Minha mãe fez fricassê de frango, com farofa de azeitonas e arroz à grega. Meu pai permitiu comprar refrigerante e uma cerveja pra comemorar a paz dentro de casa. Meu estômago embrulhou de tanto nojo e decepção.
Chega o dia da minha formatura do ensino médio e eu já havia passado com notas boas pelo ENEM, para o curso de Direito que, Graças a Deus, era em outra cidade. Agora, eu vou ficar longe dessa família que não confia em mim.
Enquanto, eu estava me arrumando, o Anselmo entrou no meu quarto, sem eu perceber, meteu as mãos nos meus s***s e disse:
- É hoje, gostosa, que te lasco toda! Vou f***r essa b*******a dos meus sonhos e nunca mais terá outro homem na sua vida!
Olho assustada, mas preciso entender o que ele vai fazer. Será que vai matar Papai e Mamãe? Peço a Deus que me dê um sinal do que ele planeja.
- Está acontecendo alguma coisa aqui? - Aparece meu Pai, do nada.
- Não, Papai. O senhor sabe que amo minha irmãzinha e já perdoei o que aconteceu… agora vim desejar sucesso e uma carreira brilhante. Ela é merecedora.
Enquanto ele proferia aquelas palavras, meu estômago revirou milhões de vezes. Eu forcei um sorriso para meu pai, manipulando a raiva e a angústia que cresciam no peito.
- Eu sei que é um homem honrado meu filho, por isso vai levar sua irmã na comemoração, eu e sua mãe - ele olha pra mim - vamos visitar uma irmã da igreja. E, você sabe, essas visitam tendem a demoram, então, mais tarde chegamos.
- Papai, as meninas vão descer pra ir comigo.
- Sem problema. Seu irmão as leva também.
Papai sai do quarto e o perdido, mete a mão no pênis e me mostra. Ainda tem a pachorra de dizer que, se minhas amigas quiserem, tem "Anselminho" pra todo mundo. Ele tenta colocar minha mão naquela imundície.
O cínico foi gentil com minhas amigas e nos conduziu até a quadra do colégio.
Para piorar, a Rebeca, que conheço há anos, confessou que dava pra ele "porquê é um gato". Tive nojo e senti vontade de pôr tudo pra fora.
Vi meus pais chegando, senti um pouco de alívio, se realmente posso pensar assim.
A solenidade foi rápida e nos direcionamos para o local da festa, ficamos quase no meio do salão. Todos estavam se divertindo e eu, com medo, receosa com o que o Anselmo pudesse fazer.
Sinto uma mão me arrastando... Atrás de um palco, o i*****l apertava meus s***s, me chamando de gostosa... Meteu a língua na minha boca; as lágrimas caíam e meu corpo parado, senti ele suspendendo meu vestido. Nesse instante, Rebeca se depara com a cena e não entende nada. No entanto, ela percebe o que está acontecendo ali. Olha enojada, enrugando a testa e, surpreendentemente, me arrasta pra longe dele.
- Você não deveria denunciar aquele i*****l? - Diz Rebeca assustada.
- Ninguém confia em mim.
As minhas lágrimas descem copiosamente. A minha mãe apareceu, ao nosso lado. Rebeca fala algo no ouvido de minha mãe e a mesma sai comigo.
- Emanoel, vamos pra casa.
- Agora não. Anselmo foi levar a irmã Clotilde e temos que esperá-lo.
O cínico apronta e volta pra perto de Papai, se passando de bom samaritano. Na primeira vez qe me atacou e só parou porque comecei a passar a m*l, ele foi correndo ficar próxima à Igreja, para dar a impressão que estava longe de casa, afirmando que visitava alguns amigos.
A Rebeca se aproxima, junto com papai e mamãe, e não fala nada. Quando ela viu o Anselmo se aproximando, a mesma deu um "tapão" na cara dele e papai a chamou de louca.
- Louco é o senhor, que não ver que esse pervertido tocar na sua filha, um depravado, louco! A sua filha está sendo molestada, seu doente.
As pessoas começaram a olhar e papai me puxou pelos cabelos desmanchando o penteado, dizendo que sou a suja da família, junto com a amiguinha drogada que desonrava o filho primogênito, dando espaço de gente sem escrúpulos e sem princípios da vida a falarem do homem que ele cria a imagem e semelhança dele.
A Rebeca tentou puxar papai, mas ela não aguentaria arrastar um homem de um metro e noventa, enraivado por desfazerem do filho amado.
A família de Rebeca, mesmo sem saber de nada, foi a favor dela e ameaçou meu pai, caso encostasse um dedo nela. Mesmo com os erros, a família dela era unida.
Entretanto, a minha só proferia palavras de ódio. Fui jogada dentro do carro do lado de mamãe que só sabia chorar. A treva ficava fingindo que estava tudo tranquilo, falava que mulheres que se ajudam é quando tem interesse em alguma coisa, insinuando que eu sabia algo da Rebeca e a Rebeca de mim. Meu ódio só aumentava e, no impulso, abri porta do carro e me joguei.
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