Sophomore | Revelação na comemoração

2028 Palavras
Não tinha tanta gente assim no pequeno apartamento dos irmãos Ângelo – até porque ele era realmente pequeno, não cabia tanta gente assim –, então eles chamaram apenas os mais íntimos do rapaz, seus colegas de turma, como Haru e um rapaz chamado Gabriel, que costumava trocar HQs com Ethan, e os secundaristas mais próximos do rapaz, Lin-Lin, Cam e Thony. Eles também levaram em consideração o fato de que Ethan realmente não gostava de multidões e preferiam fazer tudo a gosto dele: bolo de chocolate com recheio de baunilha e cerejas no topo. Na verdade, Ethan era fácil de agradar. Marco chegou com o bolo um pouco antes do combinado, ele já tinha a chave da casa, então ele tinha ido mais cedo, arrumado toda a decoração – cafona, por sinal – que Phillip tinha comprado e seguiu seu caminho para a clínica, onde Ethan terminava mais uma sessão. — Foi tudo bem? — Indagou Marco ao garoto, que apenas balançou a cabeça positivamente. — Por que pegou o carro da Nora emprestado? — O rapaz quis saber, enquanto botava o cinto. Ele sabia que Marco não curtia dirigir e só tinha tirado a carteira pra usar em emergências. A emergência da vez era que ele não queria andar de metrô lotado com um bolo. — Nada demais. Só quis deixar sua ida pra casa mais confortável — Marco deu um selinho rápido no namorado, sorrindo. — E eu fui buscar o bolo também. Não era uma festa surpresa, então tudo ali tinha feito com autorização do próprio Ethan. Marco tinha medo de como ele poderia reagir caso uma multidão gritasse surpresa em cima dele, na verdade, ele tinha medo de qualquer coisa que pudesse assustar a Ethan e o deixar nervoso, a ponto de perder novamente o controle. Ele dirigiu em silêncio enquanto Ethan apenas aproveitava a música que tocava na rádio de olhos fechados. O rapaz andava cansado. Os remédios eram fortes e as aulas longas demais, então ele dormia com facilidade no momento em que se encostava em qualquer lugar, como tinha sido o caso ali. Ele queria muito poder ouvir a psiquiatra dizer que já estava na hora de diminuir a medicação, então ele fazia de tudo pra seguir todo o tratamento a risca apenas por esse dia. Ethan não era um rapaz teimoso, tudo que lhe era dito, ele acatava, desde que não o impedisse de fazer as coisa que ele gostava do jeito que ele gostava. — Seus pais vão vir também? — Sim, o vovô também. Mas a Nora tá em aula extra, ela não quer perder uma cadeira de novo. Ela mandou um beijo e quer uma cópia autografada. — Ah, não entendo tanto alarde — Ethan bocejou. — É só um conto de dez páginas. — Catorze e não é só isso. É o começo da sua carreira como escritor. Não está feliz? — Ah, claro que estou. Mas uma festa? — É só uma reunião, Ethan. Se não quer, posso despachar todo mundo. Ethan olhou para o namorado, observando-o enquanto dirigia. Era uma oferta encantadora demais pra se negar, mas ele logo se lembrou do esforço que Marco e Phillip colocaram nessa reunião e o seu irmão tinha até mesmo consertado a maçaneta do banheiro – que estava quebrada desde que Phillip se mudou – só pra que ninguém tivesse nenhum constrangimento caso alguém decidisse usar o banheiro. Marco percebeu que o rapaz estava nervoso, mas logo o tranquilizou. Estacionou, eles entraram no prédio e logo em seguida dentro do apartamento, onde seus convidados já estavam a sua espera. — O escritor chegou! — Exclamou George, avó de Marco, que fez questão de estar presente. Ele era grande e barrigudo, e Ethan sempre se sentia um tanto sufocado com seus abraços, porque eles eram fortes demais pra um rapaz pequeno e magro como Ethan. Mesmo assim, ele gostava. George Penderghast tinha sido o primeiro da família a abraçar Ethan como um filho e ele devia muito a ele por isso. — Obrigado, Sr. E vocês vieram também! — Parabéns, Ethan! Quase todos estavam lá: Haru, Thony, Cam. Phillip serviu a todos bebidas e petiscos, e logo o apartamento ficou barulhento com conversas paralelas. Pouco mais de meia hora depois, a campainha tocou e Phillip foi em direção a porta. Nanami se revelou com um sorriso no rosto e abraçou o guitarrista da banda. Já tinha algum tempo que eles não se apresentavam juntos, visto que Phillip raramente podia ir aos ensaios por causa dos diversos serviços que ele vinha fazendo pra conseguir dar conta de todas as contas. — Que bom que veio, entra aí. — Ah, certo. Esse é o Gary, espero que não se importe. A gente tava numa aula de piano e ele me trouxe. Você se importa? — Não, claro que não, fique a vontade — disse o rapaz, estendendo a mão para Gary, que a apertou. — Eu sou Phillip. — Gary, obrigado por me receber. Nanami entrou e logo foi cumprimentar Ethan, apresentou Gary a quem não conhecia e se sentou no sofá, próximo de Cameron, que observava a intromissão desnecessária do universitário. — O que esse cara tá fazendo aqui mesmo? — Anthony disse, forçando um sorriso para que não percebessem o desgosto que ele sentia pela presença de Gary. — Eu não sei. Não acredito que ela troixe ele. Ah, meu Deus — Cameron acompanhava o rapaz com o olhar e percebeu que ele se aproximava para se sentar ao lado de Nanami. — Não deixa, não deixa! Anthony rapidamente se sentou ao lado de Nanami, impedindo o rapaz de se sentar ali, e Cameron fez exatamente o mesmo do outro lado, não antes de tirar o casaco e o colocar em cima das pernas nuas da garota, que ainda usava o uniforme. Gary notou a movimentação dos melhores amigos de Nanami e se limitou a sorrir, se sentando em uma cadeira vazia do outro lado da sala, aceitando uma bebida oferecida pelo George, que tinha feito questão de levar um champanhe. — Bom, já que todos estão aqui, é hora de nós fazermos um brinde ao grande escritor que temos aqui hoje? — Foi a vez do pai de Marco falar, se levantando e distribuindo as taças para todo mundo ali, abrindo até mesmo exceção para os menores de idade, desde que tomassem apenas um gole. — Ethan, sei que não bebe, mas não quer fazer uma exceção dessa vez? Vamos brindar juntos! Phillip falava com alguma empolgação, oferecendo a taça de champanhe para o irmão mais novo; Ethan pensou rápido em aceitar e tomar apenas um gole, mas o avô de George logo se levantou: — Não, claro que não. Isso não pode. Mesmo que seja um gole, pode afetar o efeito da medicação. Ethan apertou os olhos, se arrependendo no mesmo instante de ele mesmo não ter rejeitado a bebida. As coisas teriam ido pra um rumo diferente. — Me… medicação? Como assim medicação? — Phillip olhou para o irmão. — Que medicação, Ethan? Você tá doente? — Ah, vovô… — Lamentou Marco, massageando a têmpora, completamente perdido. — Como assim medicação? Alguém pode me explicar? Phillip já estava alterado, embora permanecesse parado com as taças em mãos; de repente ele as colocou em cima da mesa de centro e gritou novamente: — Ethan! — Ok, ok, é a nossa deixa. Acho melhor a gente ir e deixar apenas a família lidar com isso — Anthony cochichou com Nanami, que acenou positivamente com a cabeça. Phillip sinceramente não notou quando os outros deixaram a sala e fecharam a porta, deixando apenas a família dentro do apartamento, contanto os pais e o avô de Marco. — Ethan — Phillip se sentou ao lado do irmão, dando de ombros e completamente perdido. — Phil, calma. Eu tô bem, de verdade — o garoto tentou acalmar o irmão. — É só uma condição médica. — Que condição, meu Deus? Então você realmente tá doente? — É uma condição psicológica, Phillip — disse George, disposto a explicar tudo. — É depressão? Você tá com algum problema? — É um transtorno, Phil. Transtorno explosivo intermitente. — C-como assim, o que é isso? – O garoto já estava deixando as lágrimas de preocupação escaparem pelos olhos, desesperado, ele não entendia o que era aquilo e também porque passou tanto tempo no escuro. — São episódios de agressão que eu tenho, Phil. Eu descobri já tem alguns anos, mas agora tá tudo bem. Eu consigo me controlar, tô fazendo o tratamento com remédios e terapia. — E por que não me contou? Ei sou seu irmão! — Eu não podia, ok? — Ethan gritou de repente, se levantando. — Eu não podia! Eu não confiava em você pra contar ter isso! Eu não sei se você lembra, mas você me socou porque eu beijei um cara e depois foi a favor de me expulsar de casa! Você me abandonou sem nem mesmo tentar me conhecer antes! Como eu poderia simplesmente contar a você?! Phillip engoliu em seco. Ethan tinha razão. Ethan tinha total razão, estava certo em tudo; Phillip o tinha abandonado e cooperado com a expulsão dele da casa dos seus tios, em seu lugar, também demoraria a criar um laço de confiança forte. Phil se levantou: — Eu sinto muito — ele disse, finalmente chorando. — Me desculpa. Você tem razão. — É, eu sei. — Mas eu quero fazer o possível e o impossível pra conseguir a sua confiança, Ethan. Você é meu irmão e tudo o que eu conseguir fazer pra te ajudar, eu vou. Me deixa ficar ao seu lado, eu quero ser um bom irmão pra você. Ethan descansou os ombros, olhando para os próprios sapatos enquanto andava na direção de Phillip e se acomodava em um abraço. — Você já é, ok? Eu sei que deveria ter te contado antes, mas eu não sabia. Mas eu tô bem, ok? Eu só preciso continuar com tudo que tô fazendo. — Tem certeza? — Tenho. E pra provar, você pode ir comigo na semana que vem, o que acha? A minha médica queria saber de você mesmo. — Sério? Eu posso? — Claro que pode. ✧✧✧ Cameron se sentou na calçada, enquanto comida alguns petiscos que tinha guardado no bolso da calça antes de sair. — Então quer dizer que o garoto introvertido e calmo guarda um leão raivoso dentro dele? — Começou Cam, até receber um t**a na cabeça por Thony. — Aí! O que eu disse de errado? — Tudo, né? — Anthony se abaixou ao lado do amigo — Você é muito b****a. — Você é muito chato. O celular de Anthony vibrou no momento em que ele estava prestes a xingar Cam, mas logo ele sorriu com a mensagem e se levantou, não sem antes dar mais um t**a na cabeça de Cam. — Vê se cria juízo. — Vai se ferrar, i****a! — Vociferou Cam, massageandk a cabeça mais uma vez enquanto via Anthony se afastar. — Ei, onde vai? Vamos ao cybercafé! — Não, vão vocês. O garoto disse, continuando seu caminho e deixando seus amigos para trás. Cameron o xingou e o olhou enquanto ele se afastava, posteriormente voltando sua atenção para os outros — Vamos ao cybercafé? — Vamos comer antes? — Indagou Haru, massageando a barriga. — Eu tô com fome e nem comemos bolo. — É, tudo bem. Eu vou também — Gabriel anunciou. — Vamos, Lin-Lin. — Não, eu vou pra casa — ela disse, negando o convite. — Eu te levo então — ofereceu Gary. Cameron se levantou, arregalando os olhos e não acreditando na audácia daquele b****a em continuar se aproximando de Nanami depois de ter agido feito um b****a com ela. Sinceramente, o que ela via nele? — Nanami, para de dar bola pra esse i****a! — Tchau, Cameron — Gary sussurrou e acenou em deboche para o garoto, que apenas mostrou o dedo do meio em resposta. Deus, por que universitários eram tão exibidos? — Não reclama depois que ele te dizer de otária de novo, eu te avisei, mocinha!
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