— O que acha Amélia? — Pietra segurava um mini casaquinho de couro legítimo. Tommy Hilfiger era uma entre outras lojas infantis ao qual fui praticamente arrastada.
— Fofo. — respondo entediada, fazer compras do enxoval deveria ser apenas para os pais da criança.
— Disse a mesma coisa nas duas peças anteriores, Amélia! — ela se senta emburrada no puff e a barriga dela pula. — Poxa, poderia pelo menos ser mais atenciosa.
"Ah droga! Ela está prestes a chorar?" — pensei.
— Algum problema senhora? — uma das atendentes aparece com aquele sofisticado sorriso falso de doer às bochechas. — Deseja alguma coisa?
— Sim, uma companhia menos insensível e se tiver frango a bolonhesa com calda de framboesa e um suco natural eu aceito.
Ok, isso foi nojento.
— Tudo bem... Vou ver o que consigo. Com licença! — a atendente sorri torto e faz gestos nervosos com as mão, depois dando um tapa nas coxas e saindo de perto.
"Talvez ela nunca volte." — pensei segurando o riso.
— O que Você...? — Pietra estreitou os olhos em ameaça enquanto tentei segurar a crise de risos.
— Esta rindo de mim sua imprestável! — ela endireitou o corpo colocando as mãos na cintura evidenciando mais a bolota.
— Você quase avançou na pobre coitada, ela nunca mais vai querer topar com uma melancia. — joguei a piada a qual fez efeito, nós duas rimos como condenadas.
— Ok, vou pedir algo para nós comermos. — peguei meu celular da bolsa. — E a propósito, esse casaquinho vai ficar charmoso no pequeno Hugo.
— Valeu amiga! — a bolotinha pulou quando escutou a fofoca sobre ele com a mãe dele.
— Bom, espero que goste de pizza pequeno encrenca, porque o bolo de leite de Pássaro já está garantido! — a barriga dela fez quatro quinas e rebolou.
"m*l nasceu e essa coisinha já sabe o que é bom! Incrível." — faço notas mentais.
— Realmente, você sabe muito bem do que eu gosto! — passamos a tarde inteira comendo iguarias e buscando por roupinhas, fraldas, brinquedos, entre outros acessórios.
— Certeza que não falta nada? — digo já exausta de caminhar no centro quase cheio de neve nas ruas.
— Sim, santo Deus! Espera! Falta o carrinho!!! — o carro freia de forma seca fazendo meus cabelos voarem para frente bagunçados.
— Droga Pietra! Você não tinha feito à lista? — retiro todos os fios do meu rosto e de dentro da boca.
— É... Foi m*l. — ela disse rindo me deixando mais nervosa.
— Por favor, não me chame como madrinha desse gulosinho não! Eu não tenho um coração bom para emoções fortes. — finjo estar sentindo dor no peito colocando a mão no local da cicatriz. Pietra dá de ombros indiferente e acaricia a barriga.
— Celsius, vamos pra casa. — ela grita para o motorista em russo que começa a correr com o carro. Suspirei de alívio ao poder ver novamente a mansão. Foram dois meses cansáveis de correria com médicos e exames para mim e compras com Pietra.
Mas eu tinha tudo que agradecer a Ricardo e ao pai de Pietra por estarem me ajudando na fase mais difícil da minha vida.
— Graças a Deus! — digo já me jogando no tapete felpudo da sala de estar enquanto Pietra arrasta seu carrinho de Yacut até o sofá também se jogando.
— Rick! Traz pra mim a rosquinha? — Ricardo estava nos esperando na sala e após ouvir a voz manhosa de sua noiva bufa subindo as escadas para buscar a tal almofada com um buraco no meio.
— Vem cá, que dia vão vim às visitas do seu pai mesmo? — pergunto mudando de posição e retirando meus saltos.
— Huuum... Isto é glamuroso! — gemo ao sentir a maciez sobre meus pés doloridos.
— Daqui três dias. — Ricardo aparece com a "Rosca" e ajuda Pietra a se deitar de bruços.
— Santa Rosquinha! Agora faz massagens pra mim? Minhas pernas estão me matando! — Ricardo suspira sentando ao lado dela e começando a fazer círculos nas pernas dela.
— Está bom assim amor? — ele beija a bundão dela e me viro de bruços querendo não ver os depravados.
— Bom, acho que vou à cozinha procurar algo quente pra comer, esse frio é de matar qualquer um! — levanto deixando os dois na privacidade merecida. Adentro a cozinha me separando com o dono da mansão tomando café e lendo jornal.
— Oi. — ele se pronuncia enquanto procurava um lugar a mesa pra esperar o jantar sair.
— Oi, senhor... — ele abaixa o jornal irritado, engoli seco.
— Pode me chamar de Ivan se preferir. — seu sotaque saiu carregado. Impressiona-me ele saber mais de duas línguas.
— Ha, é claro Ivan. — abaixei meus olhos não conseguindo sustentar os dele. Escuto ele soltar um riso nasal se divertindo comigo acanhada.
— Se divertiu com minha filha? — ouço sua voz sair um tanto suave.
— Não, quer dizer.... Correr pra lá e pra cá se tornou uma tarefa difícil, mais agora que Pietra está com os hormônios à flor da pele... — Droga Amélia! Cale a boca!!
— Ah, é? — Ivan responde ríspido erguendo uma das sobrancelhas. Talvez duvidando de que eu esteja satisfeita em ser aceita aqui.
— Ah, quero dizer... Bom, eu sou grata por ter sido recebida entre vocês, mas...
— Mas? — ele fica encurvado na mesa me encarando engolir as palavras.
— Desculpe, estou falando besteiras, não é? — engoli a pouca saliva e senti minhas mãos suadas.
— Sim, está. Sabe Amélia, você está aqui porque eu quis assim. Não quero que seja grata por isso, apenas aceite ficar conosco. — ele lança seu charme ao recostar na cadeira, juntar as sobrancelhas e tomar um gole de seu café. Simplesmente representando um chefe de família. Apertei meu cu em suas palavras e apenas concordei balançando a cabeça, porque se abrisse a boca poderia falar o que não deveria.
Após o jantar conturbado com os olhares de Ivan sobre mim, subi para meu quarto para tomar um banho e descansar.