— Esta tudo bem? — balanço a cabeça confirmando, Ricardo
estava sentado a minha frente e mais ao fundo, uma pequena equipe de médicos para caso eu passe m*l no jato.
Olho para a janela apreciando os grandes prédios de Brooklyn sumir aos poucos, em seu lugar um céu nublado que refletia o nascer do sol em seu espetáculo. Meus pensamentos estavam carregados desde o dia em que acordei no hospital.
— Senhor, logo entregaremos o café da manhã. — ouço uma das comissárias dizer e em seguida seus passos sumirem.
— Ok. — Ricardo diz num tom mais grave, sinto seus olhos sobre mim.
— Quer comer alguma coisa? — ele estava elegante com uma camisa social branca, os botões um pouco abertos revelavam algumas tatuagens em seu peito. Suspirei com a visão magnífica. Ricardo era a combinação perfeita de um homem fortemente atraente, mas com aquele toque de perigoso.
— N-não. — ele sorriu gentilmente, a mesma moça retorna com o carrinho repleto de pães tanto doces como salgados, café e leite desnatado.
— Com licença senhor. — ela começa a colocar o conteúdo sobre a mesa entre a gente e eu me perguntando o quanto de dinheiro Ricardo teria.
— Jato particular, uma equipe de médicos... Tudo isto me parece tão exagerado. — Ricardo parecia estar se divertindo com meus comentários, seu sorriso juntamente das sobrancelhas curvas, denunciava isso.
— Posso comprar até os Estados Unidos inteiro se desejar. — certo, Ricardo e absurdamente rico. Torno olhar para a janela, para apenas conseguir ver o céu e nuvens carregadas.
— Se quiser descansar Amélia, tem um quarto no final do corredor. Iremos ficar no ar pelo menos oito a nove horas. — sua voz saiu grossa e autoritária. Decidi ir ao banheiro, assim que levanto sinto sua mão pegar a minha.
— Esta tudo bem com você? — notei que ele estava preocupado e que minha respiração estava pesada em relação ao seu toque.
— Sim, só preciso lavar o rosto. — senti uma pontada no corte da cirurgia, o local ainda estava dormente, o que me incomodava o bastante.
— Aproveite para descansar. — confirmei balançando a cabeça e o deixei.
Fui para o suposto quarto, tinha uma cama grande e a minha esquerda uma porta, fui ate ela podendo ver um banheiro aconchegante. Banheira, um lavatório e o vaso sanitário. Simples, mas não deixava de exibir luxo nos detalhes. Decido tomar um banho, então procuro pelas minhas malas. Ricardo havia forçado a situação de ter que comprar algo para eu vestir, como não tive outra escolha a não ser aceitar sua ajuda.
Escolhi uma blusa quente cinza e um casaco mais grosso de pelos artificiais na touca de cor escura, com uma calça bem confortável e igualmente quente.
De frente ao espelho do banheiro, comecei a retirar as roupas, tomei meu banho de uma forma que não molhasse o curativo em meu peito. A seguir, coloco um roupão e torno para o espelho para trocar as gases. Começo tirando o esparadrapo pelas beiradas, o local estava formigando e ardendo. Gemi ao puxar de maneira inadequada, exausta de acreditar ser incapaz de viver sozinha.
Meus olhos ficam nublados com a visão da garota acabada no reflexo. A mesma garota que depende da bondade de um completo estranho, m*l conversamos nesses últimos dias e nem se quer sei porque ele está me ajudando.
— Quer ajuda? — fecho os olhos permitindo as lágrimas caírem. Sem esperar por respostas Ricardo entra no banheiro e pega um vidro de soro fisiológico algumas gases limpas e começa humedecer o local.
— Por que está me ajudando... — o nó em minha garganta se faz presente. Ele começa a remover o curativo com cuidado.
— Não sei. — suspira cansado. — Talvez me sentisse na obrigação ou talvez eu tenha me culpado por muitos anos.
— Como assim? — abri meus olhos para encará-lo, mas ele estava de costas abrindo outra embalagem de gases, no espelho noto seu olhar perdido em uma expressão dolorosa.
— Precisamos cuidar disso primeiro. — ele se vira apontando para a elevação de pele avermelhada.
— Os pontos estão inflamados... — ele molha mais um pouco me fazendo estremecer com o contato gelado do soro na pele, ele limpa todo o excesso de pus e depois coloca o óleo de girassol para evitar o ressecamento.
— Pronto. — vejo-o colocar outras gases no lugar com esparadrapos novos.
— Você deve ter sofrido no passado...
— Sim, mas isto não vem ao caso. O passado pode ser doloroso, mas precisa ser esquecido. Deixei uma bandeja com leite morno e pães integrais para você, em seguida tome seus analgésicos caso esteja com dor.
Dito isso ele sai para que eu possa me vestir. Termino tudo e vou para o quarto, a bandeja estava em cima da cama. Sento ao lado dela e tomo o leite com uma fatia de pão, depois pego dois comprimidos um analgésico e outro anti-inflamatório, tomo com o auxílio de um copo d'agua. Deixo a bandeja na mesinha ao lado da cama e resolvo descansar um pouco.
***
Seus olhos estavam num verde tão profundo, que fazia meu corpo tremer. Era um olhar frio avaliativo sobre meu corpo, levantei assustada com a sua aproximação. Fechei os olhos sentido sua respiração pesada em meu rosto, espero algo acontecer.
De imediato meu corpo esquenta com o seu toque e quando menos esperava suas mãos me envolve com força me fazendo fraquejar e sua boca carnuda toma os meus lábios num beijo desesperado. As mãos dele começaram a explorar minhas curvas, e me senti totalmente entregue ao desejo oculto.
Ele me suspende obrigando a circular minhas pernas em volta de sua cintura enquanto segurava meus cabelos aprofundando mais o beijo. Separamo-nos por falta de ar, senti algo de estranho ao olhá-lo, como certa confusão em seus olhos. Dalamon me deixa no chão, sem desgrudar nossos corpos.
— Eu... — ele novamente acaricia meu rosto, e pude perceber certa luta interna. Ele queria dizer algo, mas não conseguia. Não conseguia ver seu rosto de forma nítida, apenas o mar antes olhos verdes! Ele toma meus lábios com força suficiente para tirar suspiros de mim, agarrando minhas coxas com firmeza, aos poucos ele retirava as peças de roupas deixando meu corpo exposto.
Sem pensar duas vezes meu corpo reage aos seus toques. Ouço seu gemidos rouco ao abocanhar um de meus s***s doloridos, tombo a cabeça para trás sentido todas as chamas me consumirem, gemo alto de surpresa quando sua boca invade minha i********e úmida, lambendo e mordiscando com maestria. Suas mãos seguram firme em minha cintura enquanto sua língua se movimentação com mais rapidez, sinto-o introduz um dedo dentro de mim e prendi o grito com o enorme prazer que me invadia. Cheguei a esquecer do pequeno incômodo dos seus dedos em minha entrada. Ele retira os dedos e se levanta sorrindo, me toma num beijo profundo enquanto abaixa a sua calça.
— Gostosa! — ele geme pincelando em minha entrada, minhas pernas amolecem e meu cérebro se desliga da consciência.
— Dalamon... — gemo e agarro seus ombros com força quando sinto ser invadida, lágrimas escorrem de meus olhos enquanto sentia a dor aguda por baixo. Tentei normalizar a respiração antes de poder declarar. — ... Sou virgem.
***
Sinto meu corpo suando...
— Dalamon... — acordo atordoada com o sonho, o mesmo nome rondava minha mente e poderia sentir o peso dos mesmos olhos verdes sobre meu corpo quente.
— Calma Amélia, foi apenas um sonho. — repeti a mim mesma sentindo meu peito pulando como louco! Apenas um sonho. Sentei na cama passando as mãos no rosto e tentando acalmar os batimentos acelerados que chegavam a doer.
— Dalamon. — massageei o local sentindo um pouco de falta de ar, Ricardo aparece na porta assustando com o meu grito de surpresa.
— Amélia! — ele vem correndo e se ajoelha ao meu lado.
— Calma, respire de vagar. - Sentia sua mão deslizar sobre minhas costas enquanto me dava orientações. Aos poucos consegui respirar normal e a queimação havia diminuído junto com a dor.
— Está melhor? — confirmei apenas balançando a cabeça, ele sai e depois retorna com um copo de água e um analgésico.
— Obrigada. — tomei o remédio e deitei um pouco tentando relaxar os músculos.
— Foi apenas um sonho. — expliquei para ele ao mesmo tempo em que tentava deixar claro para mim.
— Quer falar sobre ele? — neguei sentindo as bochechas ficarem quentes.
— Foi só um sonho bobo... Talvez seja lembrança. Acho que estou começando a lembrar de algumas coisas. — Ricardo sorriu contente e se sentou ao meu lado.
— Bom, sonho ou não. Isso quer dizer que aos poucos poderá se lembrar de tudo. — confirmei sorrindo.
— Mas não sei se quero lembrar. — cruzei os dedos sobre o colo. — Tem algumas delas que machucam.
Respondo sentindo um desconforto no peito. Ele se aproxima de mim me fazendo deitar a cabeça em suas pernas, faz carinho em meus cabelos me deixando confortável novamente.
— Tem coisas que precisamos aceitar, mesmo não sendo fácil. — seus dedos deslizaram por de trás da minha orelha causando um arrepio bom, me aconcheguei mais em seu colo colocando uma mão em baixo de minha cabeça.
— Talvez seja apenas medo de ter que enfrentar tudo outra vez. Mas tudo há seu tempo, se preocupe com o agora e descanse um pouco. — ele beija minha cabeça e me ajuda a deitar melhor na cama.
— Falta meia hora até chegarmos, aproveite. — e com estas palavras ele sai fechando a porta do quarto. Acho que seja verdade, talvez esteja mesmo com medo do que possa ter acontecido no passado. Sinto que ainda há muitas coisas para que eu possa descobrir e tenho quase certeza de que a maioria não são tão boas como deveria ser.
Na melhor das hipóteses, é bom deixar tudo rolar e seria a melhor opção ao invés de ficar se preocupando com o que nem acontece ainda. Deixei que o sono me levasse até que o momento que fosse a hora de partir para o desconhecido.
— Amélia? — escuto a voz rouca do outro lado da porta do quarto. Abri meus olhos e suspirei cansada, levantei esperando que meus olhos se acostumasse me com a luz do ambiente.
— Estou bem! — respondi Ricardo que entra para me ajudar com as malas.
— Só um pouco tonta pelo sono... — ele concorda e continua a juntar as nossas coisas para deixar mais acessível aos maleiros pegar. O tempo que convivi com ele, nunca o vi maltratar ou esnobar ninguém de classe baixa como vemos quase todos os ricos fazerem.
Muito pelo contrário, sempre vi o respeito se igualando a sua honestidade. Sua postura dizia o quanto era superior a todos, mas nada humilhante saiu de sua boca, apenas palavras diretas e frias. Mas também um tanto duvidoso, esconde um grande passado tortuoso por detrás daqueles olhos frios.
Descendo a plataforma do jato percebi dois carros pretos cercados por homens de ternos padrão com a postura impecável. Ombros largos e estatura grande. Parecendo a comitiva do próprio presidente dos Estados unidos. Fiquei em choque sem saber para onde olhar e a babinha começou a escorrer.
Perto dos carros tremi na presença dos grandalhões. Imóveis e intimidadores, tudo isso me fez pensar em quem teria tal coragem de enfrentar alguém de tal poder?
Ricardo segurou a porta do passageiro para mim, entrei já me separando com uma figura masculina de tirar o fôlego.
... Um pouco muxoxo, mas daria um caldo. — segurei o riso com meus pensamentos bobos.
Os olhos marcantes com linhas de expressões espalhados por todo o rosto, pele absurdamente clara e cabelos loiros puxados para o grisalho. Não se esquecendo do belo estilo gangster russo, tatuagens pelas mãos e uma camisa social de colarinho aberto revelando algumas correntes de ouro. Sentei ao lado desse homem misterioso, Ricardo sentou ao meu lado me deixando no meio de dois homens carrancudos. Passei a viagem inteira sendo oprimida por olhares rígidos e conversas em Russo.
Pouco consegui desfrutar de toda a paisagem de inverno do país ao qual nem sei o nome, mas deduzi ser a Rússia pela linguagem abordada por Ricardo em suas conversas.
Ricardo me apresentou ao maracujá azedo, bom como sei? Só deduzi por ele ter me deixado constrangida pelos olhares intensos que me analisava.
— Chudesno! - escutei a palavra arrastada ser pronunciada pelo chuchu. Ricardo sorriu, talvez contente com o meu nervosismo.
— Ele te achou bela. — Ricardo traduziu pra mim e minhas bochechas viraram tomates.
— Obrigada. — depois de corar violentamente, recebi grande atenção dos dois até chegar a uma maravilhosa mansão e pensa numa mansão!
Após ter conhecido o lugar, acabei me simpatizando com uma figura super. "Simpática" que carregava um melãozinho atrativo.