51

805 Palavras

Urso O barulho veio como um sussurro no meu ouvido, enquanto eu ainda tentava dormir naquele calor infernal. A ala tava abafada, o ventilador quebrado, e a tensão no ar parecia mais densa que a fumaça das pontas que a galera escondia. Abri os olhos devagar, acostumando à luz fraca da madrugada que entrava pelas frestas do basculante. Foi aí que eu ouvi de novo. Não era barulho comum. Não era xingamento, nem resenha. Era som de passos... passos apressados. Muitos. E depois, o som seco de ferro batendo em ferro. Sentei no colchão, instinto já em alerta. Um dos moleques que dormia na cela comigo também se mexeu. Moleque: Urso... tu tá ouvindo isso? Levantei sem responder. Andei até a grade e olhei pro corredor. O que eu vi me fez travar o maxilar. Tava vindo uma galera. Uns seis, sete c

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR