Lorrana A madrugada era fria, mas o calor do meu peito queimava mais que qualquer vento. Esperei minha mãe dormir. O choro dela tinha cessado faz tempo, e agora só o barulho do ventilador enchia a casa. Vesti uma blusa de moletom, prendi o cabelo num coque desajeitado e enfiei o exame no bolso da calça. Meus dedos tremiam. O medo tava ali, colado na pele. Mas a vontade era maior. Eu precisava falar com o Arcanjo. Só ele ia saber o que fazer. Desci as escadas de fininho, tentando não fazer nenhum barulho. Quando abri o portão da frente, o coração parecia que ia pular da boca. O silêncio da rua me engoliu. O morro parecia morto. Mas eu sabia que a qualquer esquina tinha alguém me vigiando. Mesmo assim, vim. E foi ali que começou o inferno. Quando eu virei na praça perto do hospital, e

