Paris estava cinza naquele dia. Não chovia, mas o céu carregado parecia segurar algo que não caía, como se estivesse esperando o momento certo para desabar. Eu me identifiquei com aquilo. Saí de casa mais cedo do que o habitual, mesmo sem ter um compromisso definido. Ficar dentro daquele apartamento estava começando a pesar de um jeito diferente. Não era mais o vazio desesperador dos primeiros dias, era algo mais silencioso, mais consciente. Eu estava aprendendo a lidar, e isso, por mais estranho que parecesse, doía mais do que não saber o que fazer. Entrei em uma cafeteria pequena, quase escondida na esquina de uma rua que eu ainda não conhecia bem. O cheiro de café fresco e pão quente me envolveu, trazendo uma sensação breve de conforto. Pedi um cappuccino, sentei perto da janela, e po

