PANTERA NARRANDO
— Meu nome é Rafael, vulgo Pantera. Vou fazer 27 anos em 3 semanas, o único presente que eu quero é meu pai com saúde mesmo e jaé. Somos muito apegados tlgd carne e unha mesmo. Desde que ele descobriu o câncer a gente ficou mais veaco com tudo, nunca gostamos de pagar propina pros gambé, homem direito não meche com isso jão, a gente pode ter a vida mais toda desse mundo todinho, mas a gente ainda honra o que tem no meio das pernas.
Nessa época quase cogitamos pagar pra eles uma boa grana só pra deixar o morro em paz, mas não, nos lembramos dos nossos princípios, somos sujeito homi sabe ; c***a macho mesmo, eles vieram peitar e nós não arrendados o pé. São 5 anos de câncer, 3 de quimio e 2 de remissão, e olha quem tá de volta e generalizou pelos órgãos dele tudo, pois é. É triste ver ele deitado numa cama, virando pele e osso por conta dessa maldita doença, e por falar em maldita não podemos esquecer da minha querida mãezinha e que o d***o a tenha. Eu sei que eu disse que éramos honrados, mas não com sangue de barata.
Aquela mulher foi o cão na vida do meu pai. Na época ele já era dono do morro, mas tava no comecinho da caminhada nesse patamar alto, e aí conheceu ela. Ele conseguiu o morro por mérito dele mesmo, por ter sido um bom braço direito do antigo dono, esse r**o de saia já se assanhava pra cima desse dono mas ele nunca deu moral, até deixou ela carrca algumas vezes por que importunava a esposa dele. Mas ela não desistiu, até que o dono morreu numa invasão, e ela? Sabia direitinho onde ele tava, ele era o tipo de dono que deixa os vapores se lascar o importante era ele vivo. Ela sabotou tudo, disse pros policia onde o Dracula tava e foi batata, fizeram ele de peneira.
A questão é que ninguém sabia o que tinha acontecido, como tinha acontecido e nem quem era o x9. Quando meu pai assumiu o morro a b****a veio logo se rebolando pra ele na maior cara de p*u, suspeita até tinha pq mas num tinha se confirmado ainda. Passado 1 mês dele no comando ele aceitou ela como marmita, mesmo que não gostasse muito disso mas aceitou por que ela tinha se redimido das asneiras do passado, e meu pai todo bobo caiu né, 1 ano depois eu nasci. Pois é neguin, aquela p**a só queria um herdeiro do dono do morro e cair fora. Mas o que aconteceu foi que ela se envolveu com uns cara do morro vizinho e quando meu pai descobriu mandou caçar ela e levar pro matagal onde tinha um galpão velho, lá ele sapecou ela no óleo fervido, arrancou todas as unhas e dedos, depois arrancou os dentes e por fim atirou na sua cabeça.
Meu pai é muito bom mas não deixa pilantragem passar. Isso tudo ele me contou quando eu tinha 13 anos, antes de me pedir pra ficar na bituca, nas escondidas, pra ninguém saber que o filho dele tava no morro ainda. O boato era que eu tinha ido pro interior, pra casa de uns familiar já que tava tendo muito guerra.
Meu pai foi sempre muito sincero e nunca me escondeu o acontecido, e eu admiro a força dele de me contatar tudo isso, e eu sei bem que se não fosse ela com certeza seria eu. E o que seria de mim ? Poderia estar jogado em algum lugar pq pelo que sei ela não me amou nem um instante. Por isso todos os dias ajoelho e agradeço a Deus por me dar o melhor pai que alguém poderia ter.
FLASHBACK ON —15 meses antes—
Pantera - Pai como o senhor se sente hoje ?
Macabro - Hoje estou sim filho, ontem que foi uma p***a, sem força nenhuma e essa merda de sonda me atrapalha em tudo. O pior é ter que bater a comida, esses dias que eu inventei de comer comida inteira eu não aguentei de dor, só a morfina fez passar e depois a médica me fez aquela p***a de lavagem estomacal.
Acho que eu nunca mais vou ser o homem que eu era.
Pantera - Calma pai, tudo vai se ajeitar fica vendo. Nois vai conseguir o tratamento pro senhor e logo você volta na ativa, teu morro tá aí te esperando e vai ter bailão e umas p**a sarrando em tu ein kkkkk
— Meu pai até tentou rir mas o sangue não deixou, ele começou a tossir e cada tosse saia mais sangue, só parou quando a enfermeira particular dele sedou ele. —
Pantera - Pai eu te amo muito viu e vou dar um jeito de te ajudar, nem que eu tenha que ir pro asfalto pai mas eu vou ajudar o senhor custe o que custar.
— Sai do quarto dele com lágrimas nos olhos, não aguento mais ver ele assim. Vou ir pro asfalto procurar um médico dos bom pra ele.
FLASHBACK OFF
Nesses meses todinho quem tem me ajudado é a Dona Lara, meu pai já me contou a história dela, não muito velha nem muito nova, tem uma sobrinha que mora com ela, faz alguma coisa de faculdade pelo que me lembro. Dona Lara perdeu sua irmã no parto dessa menina, e o pai dela foi morto numa invasão aqui no morro, até quiseram por a culpa na gente mas a imprensa foi pra cima e acusou os policiais, mas não tinha como eles ser preso, meu pai logo matou 2 Coelho com uma cajadada só. Matou o inimigo que ele tinha dentro da corporação e matou quem assassinou um dos nossos morador, o terrível comandante Duarte.
Dona Lara vem aqui limpar a casa quase todos os dias é como se fosse a governanta daqui, só não manda mas sempre me diz o que é melhor pra casa, pra vida, pro morro e até mesmo pras coisa do meu pai ela dá pitaco cara. Ela é demais.
Depois da promessa que eu fiz pro meu pai de acha um médico pra ele eu não parei mais, tô atolado de trampo e nem tenho um Sub de confiança pra me auxiliar. Acumulou tudo: morro, recebimento de armas e drogas, e as consultas médicas. Tem hora que eu fico perdidinho maluco. Mas Deus recompensa depois.
Com essas minhas saídas pro asfalto tem chamado muito atenção, várias invasão, tentaram interceptar as drogas e tal mas não conseguiram, o Pantera aqui é f**a demais pai. Hajo só na escuridão tlgd, só que isso não é o suficiente. Hoje tenho que ir no asfalto pegar o resultado de exames que meu pai fez.
Agora são 10:30 tenho que sair por volta de 12:00. Tomo um banho, visto uma calça jeans azul mesmo e uma camiseta da Lacoste que marca todo meu abdômen e meus músculos se realçam, passo um perfume The Blend, chama a atenção de qualquer um. E parto pro asfalto.
Aproveito o trânsito maluco daqui e vou cortando pelos caminho mais sossegado. Chamo o Vinicius que se auto intitula Honey diz que é um mel pras novinha, ja pra mim parece um viadão mesmo; mas os outros podem chamar ele de Lobao mesmo. Pesso pra ir comigo de moto pra chegar mais rápido no local e ele aceita.
Chegamos no hospital muito rápido cortando volta até porque não quis um hospital muito longe pra minha segurança também, se eu morresse o morro ficava desamparado tlg. Já chego na encolha na hora que a enfermeira me vê ela pega um envelope e me entrega, certeza que ela sentiu meu perfume e se molhou todinha, ela começa a falar alguma coisa e a me chamar mas nem do moral pra essa v***a e saio vazado de lá o quanto antes pra ninguém denunciar a gente.
Na volta parece ter algo estranho, a rua tá menos movimentada e o ar carregado. Paramos num sinalero e eu pergunto pro Lobão —
Pantera ‐ Tá com um pressentimento estranho também ? Como se fosse acontecer alguma merda!
Lobão - Ta loco filho da p**a, vira essa boca pra lá irmão. Tô sentindo nada não, mas bora pra nossa goma que essas palavra sua aí tá me deixando veiaco.
— Rangi os dentes com a resposta do Lobão, deve ta maluco pra falar assim comigo. Deixo passar, imagino que ele esteja sentindo algo também só não quer transparecer.
Na hora que o sinal fica verde acelero minha R1 e ele a sua Ninja 900cc e não chegamos a correr nem por 4km quando vejo no retrovisor aquelas luzes que todo favelado teme, era os policia. Sabia que tava estranho.
Aceleramos mais ainda nossas motos e escutamos os barulhos de tiro, corremos o mais rápido que podemos até despistar esse vacilao do c*****o. Tanto cuidado e ainda me acontece isso. p***a.
Fomos direto pra mata pegar o atalho quando sinto algo molhado na minha barriga. Olho pra cima e não tá chovendo. Passo a mão no meu abdômen definido e quando vou ver é sangue. p**a que pariu que dor do c*****o, logo tudo escurece e eu e a moto fomos pro chão. Só escuto o Lobão voltando aos berros —
Lobão - p**a merda o que houve Rafael, que tanto de sangue é esse. Vô chamar a tropa.
— Ele pega o radinho e logo chama os manos pra acudir, Esses desgraçados não tem um pingo de delicadeza, me pegam feito saco de batata, mas também quem aguenta 100kilos assim. Me lembro deles me levando pra uma casa qualquer, mas entrando lá reconheço algumas fotos. Não consigo dizer nada, só vou apagando.