Ana narrando Desci para a sala com passos lentos, tentando não deixar o nervosismo aparecer no jeito de andar. Meu pai já estava lá, de pé perto da janela, mexendo no celular, vestindo um terno escuro impecável. Quando me viu, levantou o olhar devagar e me analisou em silêncio por alguns segundos. — Você está bonita — disse por fim. — Elegante. Sorri de leve. — Obrigada, pai. Sentei no sofá, ajeitando a bolsa pequena no colo. Ficamos alguns minutos ali, em silêncio confortável. Ele falava pouco, como sempre antes de eventos importantes. Eu observava a sala, os detalhes, tentando manter a mente calma. — Está nervosa? — ele perguntou, sem me olhar diretamente. — Um pouco — respondi, sincera. — Mas vou ficar bem. Ele assentiu, satisfeito com a resposta. — Lembre-se de quem você é —

